À Espera do Público

Por Fabricio Duque

“À Espera de Turistas” inicia-se com a música da cantora polonesa Czesław Niemen, uma das mais importantes do rock balada, e comporta-se como gênero de autor, abordando, de forma sutil, o confronto sarcástico entre poloneses e alemães, quando direciona a trama ao incomum. Basicamente, um turista da Alemanha tenta fugir do serviço militar buscando o trabalho comunitário na Polônia, “recheada” de judeus. O tema possivelmente polêmico ganha humor perspicaz suavizado pela convivência do próprio cotidiano. O espectador pode apreciar o filme pelo viés político, histórico, social, romântico, “mochileiro”, turístico, tudo dosado equilibradamente, sem soar didático e ou tendencioso a algum dos lados. O diretor Robert Thalheim (assumindo também a função de roteirista) fez seu serviço cívico na região da antiga Auschwitz, como o personagem principal de seu filme, e disse que para um jovem de Berlim nos anos 1990, “a Polônia era mais exótica do que a Ásia”. O cineasta escolheu a dedo seu elenco. O ator de 32 anos, Alexander Fehling (de “Bastardos Inglórios” e “Se não nós, Quem?”; e que ganhou o Prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Munique pelo filme em questão aqui)  encarna o papel principal do jovem alemão Sven que se envolve com as histórias carregadas de sofrimento do povo local.  Sven é enviado à cidade polonesa de Oswiecim (antiga Auschwitz), marcada até hoje pelo genocídio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Chegando à Polônia, uma das tarefas de Sven consiste a cuidar de Krzeminski (Ryszard Ronczewski), um sobrevivente dos campos de concentração que o trata com arrogância e impaciência. O jovem só consegue suportar esta rotina graças à intérprete Ania (Barbara Wysocka), com quem ele inicia uma relação amorosa. Perdido entre uma comunidade polonesa que o considera como um “intruso alemão”, Sven acaba conhecendo muito mais sobre a dura história de Auschwitz e o impacto que ela teve nas novas gerações. “Não se remove uma árvore velha”, diz-se. “Mostre ‘A Lista de Schindler’ para ter um maior impacto”, rebate-se entre a fotografia saturada ao brilho amadeirado de Yoliswa Gärtig. Para o diretor, era indispensável filmar na cidade real de Oswiecim (antiga Auschwitz), para garantir a autenticidade da história. Entretanto, diante da proibição de filmar no interior do Museu do Holocausto, ele foi obrigado a reproduzir em estúdio algumas cenas dos interiores. “À Espera de Turistas” foi apresentado na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes em 2007, mas é somente cinco anos mais tarde que este premiado filme alemão chega aos cinemas brasileiros. É um longa-metragem denso,  porém suave; otimista; transformador e que foi injustiçado por não conseguir exibição antes, até mesmo nos cinemas cariocas (apenas duas semanas). Concluindo, caro espectador-leitor, não perca!

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