Ficha Técnica 


Direção: Frédéric Videau 
Roteiro: Frédéric Videau 
Elenco: Agathe Bonitzer, Reda Kateb, Hélène Fillières, Noémie Lvovsky, Jacques Bonnaffé, Grégory Gadebois, Marie Payen, Margot Couture, Makita Samba, Pascal Cervo, Cyril Troley, Arnaud Churin
Fotografia: Marc Tevanian 

Trilha Sonora: Florent Marchet 
Produção: Laetitia Fèvre 
Distribuidora: Imovision 
Classificação: 12 anos 
Duração: 91 minutos 
País: França 
Ano: 2011

 

Para qual casa voltar? 

 “De Volta Para Casa” é um filme que pode ser entendido como sessão de terapia psicológica, devido às constantes análises do comportamento individual pela perspectiva da mente humana, que cria inúmeros caminhos possíveis e “aceitáveis”, caso se estude solitariamente cada um. Antes mesmo de se assistir ao longa-metragem, ainda lendo a sinopse, pulula-se a pergunta, “Por que isto?”. O diretor Frédéric Videau (de ““Variété française” e do documentário “Le fils de Jean-Claude Videau”) aceita a responsabilidade de tentar responder esta e ainda incluir outras questões existenciais, ora de maneira sutil, ora fornecendo explicitamente respostas, dentro da narrativa escolhida de elipses temporais e não linearidade. Logo no início do filme, avisa-se que a história, baseada em fatos reais, é da imaginação do autor, embasando assim a liberdade do roteiro. O longa-metragem apresenta inúmeras camadas aprofundadas, da superfície (externa) a mais “subterrânea” dos quereres individuais (aqueles que excedem o entendimento social). A narrativa é construída aprisionando o espectador, assim como na história ficcional.

Quando criança, Gaëlle (Agathe Bonitzer, de ”A Bela Junie”, ”Garafa no Mar de Gaza”) é sequestrada por Vincent (Reda Kateb, de ”O Profeta”) no pátio da escola. Em oito anos de clausura, o ódio inicial desaparece, e eles acabam desenvolvendo uma estranha relação de dependência um do outro. Assim, quando Vincent decide libertá-la, Gaëlle deve novamente aprender a viver no mundo de antes, em uma família que não a compreende mais.

A realidade mistura-se ao sonho, direcionando uma liberdade poética da fantasia desejada (loucura, verdade ou projeção de “Nina Hagen”?). A “estranha relação”, mencionada na sinopse, tem a explicação embasada com o termo psiquiátrico “Síndrome de Estocolmo”, que se desenvolve quando a vítima começa a nutrir simpatia e amor pelo sequestrador. Se criarmos um paralelo à trama em questão aqui, poderemos definir alguns prognósticos. Gaëlle era criança na época que foi sequestrada, e se encontrava em período de transformação física e comportamental. Ao retirá-la de seu meio familiar natal, forçando um novo universo, ela precisará “crescer” e conviver com o que possui a seu redor. Ela não seria abusada sexualmente, teria tudo que quisesse, mas não poderia deixar a companhia de seu “sequestrador”. O “bandido” da questão apenas desejava a companhia da menina, talvez por solidão e uma crônica carência. Às vezes a deixava sair e a levava em passeios noturnos e distantes. Os questionamentos metafóricos dos espectadores começam a despertar, analisando a fundo a existência atual da nossa sociedade. Se traçarmos um perfil dos jovens de hoje, descobriremos problemas que são postos como poeiras embaixo do tapete. Todos nós vivemos prisões. Cada um no seu cada um.

Um jovem tem limitações (idade, regras sociais, religião, clínicas, entre tantas outras) impostas pela família, conhecidos, escola, entre tantos outros. A vida que Gaëlle “ganhou” com o seu sequestro, na visão de hoje pode ser um “bônus”. Ela conseguiu o que quis, sem precisar lutar por nada, recebendo pronto com a única contra partida de permanecer integralmente como uma acompanhante de um homem solitário, que apenas queria “protegê-la” do mundo e dela mesma. Outro ponto. Depois de um tempo, o ser humano ama e acostuma-se com o que se tem em volta. “Devo ser louca como os outros, senão teria me matado”, diz-se com o exagero de uma adolescente. A liberdade também aprisiona, talvez pela grande quantidade de opções, então a limitação possibilita um aprofundamento mais amplo da única coisa que é ofertada. O espectador poderá referenciar outro filme de temática semelhante, “Michael”, passado no Festival do Rio do ano passado. Concluindo, uma película quase obrigatória, que levanta um tema polêmico e que acende questões éticas e morais sobre o comportamento humano, funcionando como análise antropológica, culturalmente falando. A “Volta para casa” é imprescindível. Mas para qual casa voltar? Vale à pena assistir! Recomendo. Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim 2012.
O caso mais famoso e mais característico da Síndrome de Estocolmo é o de Patty Hearst, que desenvolveu a doença em 1974, após ser sequestrada durante um assalto a banco, realizado por uma organização militar de engajamento político. Depois de libertada do cativeiro, Patty juntou-se aos seus captores, indo viver com eles e sendo cúmplice em assalto a bancos.
 

O Diretor 
 Frédéric Videau nasceu em 3 de agosto de 1964 na França.

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