Ficha Técnica
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Serge Joncour, Gilles Paquet-Brenner
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup, Frédéric Pierrot, Michel Duchaussoy, Dominique Frot, Natasha Mashkevich, Gisèle Casadesus, Aidan Quinn, Sarah Ber
Fotografia: Pascal Ridao
Música: Max Richter
Edição: Hervé Schneid
Produção: Stéphane Marsil
Estúdio: Hugo Productions / Studio 37 / TF1 Droits Audiovisuels / France 2 Cinéma / TPS Star / Canal+ / A Plus Image / Région Ile-de-France / France Télévision
Distribuidora: The Weinstein Company (EUA) / Imagem Filmes (Brasil)
Duração: 111 minutos
País: França
Ano: 2011
COTAÇÃO: BOM
A opinião

“A Chave de Sarah” baseia-se no livro homônimo de Tatiana de Rosnay e aborda o tema da ocupação alemã na França, na 2ª Guerra Mundial, com suas separações, promessas, saudades, ressentimentos e depressões, sem nunca buscar o esquecimento, ao contrário, o filme direciona como fio condutor o resgate da “verdade”. Sarah, a protagonista mirim, protege o seu irmão, o prendendo no armário. Deste simples ponto de partida, o longa-metragem, dirigido por Gilles Paquet-Brenner (de “Pretty Things – Coisas Bonitas”, um romance de Virginia Despentes, com Marion Cotillard no papel principal), desperta a atenção e manipula a emoção do espectador. A narrativa intercala a história entre passado e presente, 1942 e 2009. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel (Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas, que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito de salvá-lo.
Décadas depois, Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas), uma jornalista americana radicada na França há vinte anos, resolve escrever sobre os acontecimentos de 16 e 17 de Julho de 1942, onde mais de 12 mil judeus foram presos pela polícia francesa no Vél d’Hiv – um velódromo de Paris. Ao investigar sobre o assunto, encontra um elo entre sua família e a história de Sarah. A trama é explicada aos poucos, ligando pontos. Inicia-se com crianças brincando em uma cama, a felicidade presente até que se abata a tragédia. A fotografia apresenta tom amadeirado e escuro, intensificando o contraste, aludindo a uma nostalgia realista e atual, de reviver fatos e momentos. O diretor opta pelo lado sentimental, que pode ser explicitado ao inserir a música de efeito. Há uma linha tênue entre o melodrama e a sobriedade do aprofundamento necessário, e exigido, resolvendo, muitas vezes por elipses, indicar novos elementos narrativos. Há dois filmes que se unem: a sequência da guerra e a da investigação. Quanto à primeira, é inevitável o “arrepio” perante o que se é visto – principalmente quando mães são separadas dos seus filhos, porém à segunda, percebemos uma perda significativa e um afastamento do equilíbrio de condução da história.
Sarah encontrou facilidades, tanto do guarda do campo de concentração, quanto de uma família, encontrada pós-fuga. Uma coisa é imprescindível. O roteiro tem por obrigação mostrar a linha que está seguindo. Se, uma fantasia, se, para ser teatral. As reviravoltas são resolvidas de forma rápida, mitigando credulidade. Caminha pelo gênero comercial desejando ser de arte. Há momentos incríveis, como a crítica à alienação dos jovens ao conhecimento da história. O espectador encontra personagens resolvendo pendências matrimoniais, padrasto perdido, abortos, descobertas, judeus franceses. É muito tema para pouco tempo. Assim há prejuízo de absorção, já que quem assiste necessita digerir as informações apresentadas e para isso o tempo é o grande aliado. Em hipótese nenhuma, as interpretações deixam a desejar, e cumprem exatamente o que foi exigido dos atores, mas o contexto comporta-se de maneira perdida. Concluindo, é um filme bom, com momentos satisfatórios e outros cansativos, mas tendo os prós ganhando dos contras. Recomendo. Seu orçamento estimado foi de 10 milhões de euros.
O Diretor
Gilles Paquet-Brener começou a carreira como realizador em 1998 com 13 MINUTES DANS LA VIE JOSH ET ANNA, e dois anos mais tarde apresentou LE MARQUIS. Em 2001 realizou a primeira longa-metragem, LES JOLIES CHOSES, mas foi só com o filme de 2003, GOMEZ ET TAVARÈS, apresentado na Festa do Cinema Francês nesse mesmo ano, que conseguiu sucesso de público. UV, de 2006, e WALLED IN, de 2009, foram os outros filmes anteriores a este mergulho inesperado num segredo familiar que é “A Chave de Sarah”.

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