Há quem tenha medo da mente do cineasta austríaco Michael Haneke, nascido em Munique, no dia 23 de março de 1942, porque as imagens, que cria, geralmente, são perturbadoras, com ou sem violência gratuita, talvez pela junção de suas profissões, psicólogo e filósofo. Talvez não. Talvez expurgue de forma catártica a mesquinhez, decadência e estágios intrínsecos da natureza humana. “A Fita Branca” pode ser o exemplo mais consistente do que acabei de explanar, por abordar o modo como a educação familiar interfere diretamente na educação social e política de um país, utilizando-se da violência massificada, quase não física, que gera o estado da intolerância. A opção pela textura preto-e-branco pode ser entendida como uma captura da realidade crua, um elemento neutralizante, “uma maneira de tornar a ação algo próximo à vida básica”, citação do livro “Ponto ômega”, de Don Delillo. “Caché”, que ganhou Palma de direção no Festival de Cannes, com Juliette Binoche no elenco, um filme que se ama ou se odeia, porque atinge o lado obscuro que todo individuo possui guardado, reação que “Violência Gratuita”, de 1997 e o próprio remake de 2007. É um dos mestres da interação, por tornar o espectador uma vítima das torturas mentais, arquitetadas pelos seus roteiros, com cameras estáticas e cortes abruptos, usando fundo preto a fim de criar a fantasia sombria e realista.
A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 11 a 20 de novembro, a Mostra “A Imagem e o Incômodo: O Cinema de Michael Haneke”, com todos os filmes do cineasta considerado um dos mais importantes e polêmicos diretores do cinema contemporâneo, cuja obra tem a violência como tema principal. A maioria dos 18 títulos é inédita no país.
A partir do seu duro diálogo com o espectador, o cinema de Michael Haneke aborda, de forma radicalmente crítica, um conjunto de temas, que transbordam da tela e invadem nosso cotidiano. Os filmes do diretor austríaco explicitam, de maneira crua, o mal estar daqueles que se sentem incomodados e inseguros em um cotidiano cada vez mais povoado de ameaças, corrupção, diferenças sociais e marginalidade. Um cruel universo que convive com a exploração sensacionalista de sua barbárie.
Vencedor de diversos prêmios, entre eles a Palma de Ouro, em Cannes (2009), o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro (2010), e o troféu de Melhor Filme pela FIPRESCI (The International Federation of Film Critics), seu filme “A fita branca” também foi indicado ao prêmio de melhor filme estrangeiro pela Academia Brasileira de Cinema, em 2011.
Suas produções têm instigado a realização de inúmeras retrospectivas, debates, ensaios e livros, pelas mais diferentes áreas, cujo interesse está, sobretudo, nas discussões acerca do estatuto do cinema e seu espectador, frente à banalização das imagens, principalmente no que diz respeito às formas de exposição da violência.
Além de filmes inéditos no Brasil, as sessões exibirão obras de difícil acesso feitas para a televisão, como as duas partes de “Lemminge”, o curioso “Quem foi Edgar Allan?” e o comovente “A rebelião”. A programação inclui também o lançamento do catálogo da Mostra, com diversos textos inéditos de pesquisadores nacionais e estrangeiros sobre a obra inquietante de Michael Haneke.
Programação
Sexta-feira, 11/ novembro
Cinema 1
16h – O vídeo de Benny (105`). Classificação 18 anos.
18h15 – O Castelo (123`). Classificação 18 anos.
Cinema 2
18h – Quem foi Edgar Allan (83`). Classificação 18 anos.
20h – Ciclo de Debates: Erick Felinto e Adalberto Müller
Sábado, 12/ novembro
Cinema 1
15h – Três caminhos para o lago (97`). Classificação 18 anos.
17h – Funny Games (108`). Classificação 18 anos.
19h – A Professora de Piano (131`). Classificação 18 anos.
Cinema 2
18h – O tempo do lobo (113`). Classificação 18 anos.
20h – O Sétimo Continente (104`). Classificação 18 anos.
Domingo, 13/ novembro
Cinema 1
15h – Quem foi Edgar Allan (83`). Classificação 18 anos.
16h30 – O tempo do lobo (113`). Classificação 18 anos.
18h30 – A Fita Branca (144`). Classificação 16 anos.
Cinema 2
17h – Lemminge 1 (113`). Classificação 18 anos.
19h – Lemminge 2 (107`). Classificação 18 anos.
Terça-feira, 15/ novembro
Cinema 1
15h30 – O tempo do lobo (113`). Classificação 18 anos.
17h30 – Funny Games US (111`). Classificação 18 anos.
19h30 – O vídeo de Benny (105`). Classificação 18 anos.
Cinema 2
18h – 71 Fragmentos de uma cronologia do acaso (100`). Classificação 18 anos.
20h – Três caminhos para o lago (97`). Classificação 18 anos.
Quarta-feira, 16/ novembro
Cinema 1
15h30 – O Sétimo Continente (104`). Classificação 18 anos.
17h30 – Caché (117`). Classificação 16 anos.
Cinema 2
18h – O Castelo (123`). Classificação 18 anos.
20h – Ciclo de Debates: Patrícia Rebello e Keiji Kunigami
Quinta-feira, 17/ novembro
Cinema 1
15h30 Lemminge 1 (113`). Classificação 18 anos.
17h30 A Fita Branca (144`). Classificação 16 anos.
Cinema 2
18h – Lemminge 2 (107`). Classificação 18 anos.
20h – Ciclo de Debates: liska Altman e Hernán Ulm
Sexta-feira, 18/ novembro
Cinema 1
15h30 – A professora de Piano (131`). Classificação 18 anos.
17h30 – Código Desconhecido (118`). Classificação 16 anos.
Cinema 2
18h – Depois de Liverpool (90`). Classificação 18 anos.
20h – Ciclo de Debates: Denise Trindade e Luiz Augusto Rezende
Sábado, 19/ novembro
Cinema 1
15h30 – Quem foi Edgar Allan (83`). Classificação 18 anos.
17h30 – O tempo do Lobo (113`). Classificação 18 anos.
19h30 – Caché (117`). Classificação 16 anos.
Cinema 2
18h – Variação (98`). Classificação 18 anos.
20h – A rebelião (105`). Classificação 18 anos.
Domingo, 20/ novembro
Cinema 1
15h – O sétimo Continente (104`). Classificação 18 anos.
17h – O vídeo de Benny (105`). Classificação 18 anos.
19h – 71 Fragmentos de uma cronologia do acaso (100`). Classificação 18 anos.
Cinema 2
16h30 – Depois de Liverpool (90`). Classificação 18 anos.
18h30 – Funny Games (108`). Classificação 18 anos.
Serviço
Mostra “A Imagem e o Incômodo – O Cinema de Michael Haneke”
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 1 e 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 2544-4080
Lotação: 85 lugares, sendo 2 (dois) para cadeirantes
Entrada: R$ 2,00 (inteira) R$ 1,00 (meia-entrada) – além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia-entrada. Clientes do Metrô Rio têm entrada franca.

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