Ficha Técnica
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Olivia Wilde, Cillian Murphy, Alex Pettyfer, Johnny Galecki, Matt Bomer, Michael William Freeman, Jesse Lee Soffer, Aaron Perilo
Fotografia: Roger Deakins
Música: Craig Armstrong
Direção de arte: Vlad Bina, Todd Cherniawsky, Priscilla Elliott e Chris Farmer
Figurino: Colleen Atwood
Edição: Zach Staenberg
Produção: Mark Abraham, Eric Newman, Andrew Niccol
Distribuidora: 20th Century Fox
Estúdio: New Regency Pictures, Strike Entertainment
Duração: 112 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2011
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM
A opinião
“O Preço do Amanhã” busca a premissa básica no livro “Logan´s Run: A Fuga de Logan”, de Willam F. Nolan e George Clayton Johnson, este um dos roteiristas de “Além da Imaginação”. A literatura gerou, em 1976, o filme homônimo “Fuga no Século 23”, que conta a história, situada no futuro, trazendo uma sociedade, que para prevenir a superpopulação, mata os indivíduos que chegam aos 30 anos. Condicionados a essa realidade, a população cumpre com a lei. Mas existem aqueles que não aceitam entrar no Carrossel para serem mortos, e tentam fugir. Os guardiões são os responsáveis pela segurança da Cidade dos Domos e pelo cumprimento da lei, tendo como missão caçar e trazer de volta todos aqueles que fugirem. Até que um dos guardiões Logan conhece Jessica, uma das jovens que tenta escapar da condenação e, juntos, fogem da Cidade dos Domos em busca de um lugar conhecido como Santuário, lugar permitido às pessoas viverem o tempo que lhes foi dado. No filme em questão, de 2011, dirigido por Andrew M. Niccol (de “Gattaca – Experiência Genética”, diretor e roteirista; e de “O Show Truman”, pelo qual recebeu uma nomeação ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1999), a trama é modificada, optando-se pelo gênero de ficção científica. Aqui, o elemento metafórico, personificado na figura do tempo, algo abstrato e não palpável, conduz a conseqüências e reviravoltas desencadeadas pelos personagens principais, sendo o protagonista, interpretado por Justin Timberlake (de “A Rede Social”, “Alpha Dog”, ex-integrante do grupo N´Sync), dividindo atenção com Amanda Seyfried (de “Alpha Dog”, “Mamma Mia!”, “Chloe”, “Cartas Para Julieta” e “A Garota da Capa Vermelha”).
O roteiro acrescenta metáforas, inferindo e mesclando o filme “Bonnie e Clyde” e “Robin Hood”, na verdade, este podendo ser qualquer versão, porque apenas absorve a idéia principal, que é roubar dos ricos para doar aos pobres. Inevitável a comparação com o que acontece hoje em dia. Não há tempo (parecendo que os dias estão menores), a vida está mais cara (necessitando de valores maiores para adquirir o que se deseja), dormir é quase um luxo. “O Preço do Amanhã” questiona o caminho que a sociedade está percorrendo. Não há preâmbulo explicativo na história. Não se sabe como se começou, não se sabe como o chip numérico foi implantado no braço. O espectador recebe um instante para experimentar o que o longa-metragem tem a dizer e a passar. No futuro, o tempo virou moeda corrente. Os indivíduos sociais, pertencentes a este mundo conseguem conviver sem pressa até os vinte e cinco anos, idade que o relógio-chip é ativado (e parando, também, o envelhecimento – assim pode-se viver para sempre). Esta também é a idade que os psicanalistas consideram como o ingresso na fase adulta. A maturidade impede ações infantis e imprudentes, porque todos precisam lutar por segundos, minutos, horas, dias, séculos, com o único intuito de sobreviver. A troca de tempo entre pessoas é permitida. Cada um tem o livre arbítrio de fazer do próprio tempo o que quiser. Quando Will Salas (Justin Timberlake, como sempre desempenhando seu papel com competência) recebe uma misteriosa doação, passa a ser perseguido pelos guardiões do tempo por um crime que não cometeu.
Por isso, ele “sequestra” Sylvia (Amanda Seyfried, meio apagada), filha de um magnata, e do novo relacionamento entre vítima e algoz surge uma poderosa arma com o sistema e organização que comanda o futuro das pessoas. Uma das críticas mais consistentes atinge as classes sociais. Os ricos vivem mais que os pobres (que precisam negociar sua existência) porque podem pagar os excessos. Ao acostumar com o argumento, o que sobra é a parte cinematográfica – e comercial – com suas perseguições incríveis e absurdas; tiros a esmo; manipulações sentimentais; apelações a um final feliz. Em certos momentos, a obviedade da cena distancia quem assiste do que é apresentado. A necessidade faz o ladrão. Sobrevive-se dia a dia, criando ilegalidades, ilicitudes e suicídios. É a lei darwiniana de que quem consegue salvar-se é sempre o mais forte, não fisicamente (neste caso), mas aquele que possui o dom de persuadir, de impor regras não questionáveis. Concluindo, um filme que merece ser visto pela metáfora, esquecendo-se do recheio clichê e de efeito que foi adicionado. Recomendo. Inteiramente rodado em Los Angeles, na California, Estados Unidos. O filme chegou a ser chamado de I’m.mortal e depois Now.
O Diretor
Andrew M. Niccol, nascido em 10 de junho de 1964, é um roteirista, diretor e produtor de cinema nascido na Nova Zelândia. Ele escreveu e dirigiu os filmes “Gattaca”, “S1m0ne” e “O Senhor das Armas”. Ele também escreveu e co-produziu “O Show de Truman”, pelo qual recebeu uma nomeação ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1999 e ganhou o BAFTA de Melhor Roteiro. Niccol iria escrever e dirigir a adaptação cinematográfica do livro The Host, de Stephenie Meyer, com lançamento previsto para 2011, mas teve que deixar o projeto por problemas na agenda.

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