“Um filme estranho”

A opinião (por Fabricio Duque)

“Chantrapas” é um longa-metragem de cineasta ao público cinéfilo. Conta a história de um realizador Nicolas, que deseja finalizar o filme, mas não consegue por inúmeros empecilhos: a censura – que deseja cortar cenas – e ou pelos produtores – de outro país – que desejam inserir idéias, transformando o contexto e apresentando outro filme. “Eu não agüento mais”, desabafa o iniciante. Passado nos anos cinqüenta, o cineasta fictício sofre com as dificuldades de expressar sua arte: um filme antigo. A narrativa imprime estranheza e superficialidade, em ações e diálogos surreais, inusitados, pouco convencionais, quase absurdos. Com isso, o diretor real Otar Josseliani, nascido em 1934 na Geórgia, critica, por simbolismos (a fantasia versus realidade) e metáforas, o quão complicado é o processo de um filme: produção, filmagem, edição, distribuição, patrocínio e aceitação do público. Quando se planeja um longa-metragem, é como se o corpo estivesse em constante estado de flutuação. É estranho, motivador, contrastando com o sentimento de desistência que pulula todo instante a alma ansiosa e criativa. Otar Josseliani, depois de ter vários filmes censurados na URSS, se mudou para França. Ganhou três vezes o prêmio especial do júri do Festival de Veneza, com Os Favoritos da Lua (1984), E a Luz se Fez (1989) e Brigands, chapitre VII (1996). Entre seus prêmios mais recentes, está o Urso de Prata por Lundi Matin no Festival Berlim 2002. Recomendado. 

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