Ficha Técnica
Direção: André Ristum
Roteiro: Marco Dutra, Octavio Scopelliti, André Ristum
Elenco: Rodrigo Santoro, Cauã Reymond, Debora Falabella, Anita Caprioli, Nicola Siri e Eduardo Semerjian, Norman Mozzato, Luciano Chirolli, Stephanie de Jongh, Homero Kossac. Participação Especial de Paulo José
Fotografia: Hélcio Alemão Nagamine
Música: Patrick de Jongh
Direção de Arte: Guta Carvalho
Figurino: André Simonetti
Edição: Paulo Sacramento
Produção: Gullane, Sombumbo Filmes
Distribuidora: Imovision
Estúdio: Gullane Filmes / Sombumbo Filmes
Duração: 90 minutos
País: Brasil
Ano: 2011
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM
A opinião
“Meu País” apresenta a narrativa de filme Coral, estilo recorrente de cineastas de renome – como Robert Altman e o mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu – porque utiliza três histórias (de irmãos em uma família com segredos após o falecimento dos pais deles) que se interagem em um determinado momento. O longa-metragem foca na interpretação dos atores (Rodrigo Santoro, Cauã Reymond e Débora Falabella) a fim de embasar o contexto, fornecendo consistência, aprofundamento dramático e características intrínsecas (que são transmutáveis) humanizadas. Outro elemento importante, que se comporta como o fio condutor, é a parte técnica, principalmente a fotografia: apresentada de forma nostálgica, como uma lembrança perdida – e esquecida, granulada – e saturada ao brilho – para parecer observadora, espionando o que acontece com os personagens sem rumo. Não há quase cor, sem vida, amadeirada e básica. A imagem também insinua interatividade, procurando o espectador como cúmplice, como terapeuta, explícito na cena em que um homem moribundo, o pai deles, Armando (vivido pelo ator Paulo José), vê fotos em uma câmera digital, remetendo-se ao passado (a velhice), à culpa e à necessidade última de reorganizar os erros e os medos, expondo a digressão, desse passado, apenas pelos seus olhos.
Intercala o cotidiano de vida de um irmão (Rodrigo Santoro), morando na Itália, com estável relação amorosa e emprego. O outro momento mostra as festas (bebedeiras e vício com jogo) de outro irmão, Cauã Reymond. A economicidade dos diálogos e das ações transpassa convencimento e naturalidade empregada ao retratar a trama, que pode parecer um produto do novo realismo italiano, mas se difere pela sutileza do sentimentalismo. Assim, o roteiro evita o clichê, por ser direto, sem rodear, construindo aos poucos. As histórias são contadas pelos detalhes, como a percepção do olhar cético durante o reencontro familiar, tendo apenas o foco de um dos protagonistas, que relembra o passado e a infância em flashes; e ou o direcionamento da visão dentro dos óculos escuros. Mesmo com os deslizes da interpretação, que em muitos momentos se tornam afetadas e exageradas, como o choro de Cauã, e como o início de apresentação da irmã Manuela (vivido por Débora Falabella), que precisa transmitir a idade de quatro anos, tendo 24 anos e deficiência intelectual. “Ela é retardada”, diz-se. “Ela precisa ser reintegrada a família para não regredir”, sentencia o médico. Como já disse, as primeiras cenas dela não convencem. Porém, ao longo do filme, a personagem Manuela ganha o tom e o ritmo necessário, encantando e emocionando, como quando canta “Exagerado”, de Cazuza. Um acontecimento mudará a vida dos três. O diretor André Ristum, estreante em um longa-metragem, conhecido pelos curtas “Pobres por um dia”, “Homem Voa?”, “De Glauber a Jirges”, “14 Bis”, define, adjetiva e caracteriza os seus personagens, metaforizando a idade mental com a física.
O cineasta trouxe ao roteiro alguns elementos de sua história, como o período em que morou com o pai na Itália, devido ao exílio durante a ditadura militar brasileira. Na história, o irmão mais novo, Tiago (Cauã Reymond) é mais “criança” (mimado, fútil, julgador e preconceituoso) do que Manuela. Ela sensível, questionadora, decidida, carente, introspectiva e solidária. Os inúmeros elementos narrativos, tão diferentes uns dos outros, cansam, atrapalham e soltam-se do equilíbrio geral. Alguns exemplos são a parte do golfe, da tomada de conta do agiota. Concluindo, um filme submarino, que tenta emergir, que não utiliza tantos gatilhos comuns. É sóbrio, adulto, com interpretações satisfatórias e fotografia digna, que comete algumas falhas (como câmera lenta, apelação sentimental e a necessidade de se ter um final amarrado, com música que deseja estimular lágrimas – uma delas de Ana Carolina), mas que vale a pena o espectador assistir. Recomendo. Teve locações no interior de São Paulo, em Paulínia e também em Roma. Rodrigo Santoro teve que aprender italiano para o filme. Exibido no Festival de Paulínia 2011.

O Diretor
“Meus pais saíram do Brasil nos anos 1960, eu nasci e cresci na Itália, e em um determinado momento eu fui empurrado a fazer uma jornada, uma busca de resgate das minhas origens, o personagem decide fazer isso também, disse o diretor André Ristum.
  • Olá, sou musico e um apaixonado por trilhas de cinema.
    Nao acho a trilha apelativa, pelo contrário, é super delicada e nao se sobressai ao filme. E quanto à musica da Ana Carolina, eu mesmo não sou fã dela, mas a interpretação dela foi muito diferente do que ela costuma fazer, refinada e delicada de acordo com o filme, fiquei surpreso. Se não me engano o Filme inclusive levou prêmio de melhor trilha sonora no festival de cinema Brasilia. Vi o Filme em Paulínia e achei a trilha uma das melhores ja feitas no Brasil. Abraço!

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