O cinema filipino destaca-se no circuito mundial, imprimindo competência narrativa (extremamente simples, porém com temas polêmicos e sérios) e naturalidade interpretativa (cada vez mais próximo do quase documentário). Entre a trupe de cineastas responsáveis por essa transformação cinematográfica, encontra-se Brillante “Dante” Mendoza, nascido em 30 de Julho de 1960. Ele já dirigiu nove filmes desde 2005. Analisando a sua filmografia, podemos definir características próprias em seus trabalhos. Ele estudou publicidade na Universidade de Santo Tomas, nunca fez curso de cinema, mas afirma que sua formação o ajudou a deixá-lo mais consciente para fazer seus filmes. Com o apoio financeiro de um amigo, ele foi capaz de fazer seu primeiro filme, “O Massagista” – premiado no Festival de Locarno em 2005, sobre um jovem que atende uma clientela gay em Manila – (2005), com 45 anos de idade. Este foi seguido por “Foster Child” (2007), “Tirador” (2007) e “Serbis” (2008), que foram todos inseridos no Festival de Cannes. Ainda contam “Kaleldo” (2006), “Manoro” (2006) e “Pantasya” (2007). O seu tema principal empregado é a família, retratando o amor real (incondicional), que utiliza de todos os meios, lícitos ou não, a fim de manipular para que o objetivo final seja realizado. Outra característica marcante é a naturalidade, que de tão realista, convence plenamente o espectador, que não consegue visualizar atores e sim personagens todo o tempo. É incrível o trabalho de preparação de elenco em suas obras, até porque opta por planos longos, deixando a trama acontecer em tempo real. “Tinha uma vida boa, ganhava muito dinheiro, mas queria mudar, assumir riscos. E descobri uma fome de cinema, uma energia que nunca tive na publicidade”, conta o diretor que deixou de lado a produção de comerciais para se dedicar aos filmes. Mendoza resolveu representar explicitamente a polêmica. “Nunca de forma gratuita”, diz. “Se faço um filme sobre tortura, não posso esconder isso, fingir que não existe. A intenção não é chocar, é retratar algo que acontece”, afirma o diretor, em referência a “Kinatay”. Esse longa-metragem deu a Mendoza a Palma de direção em Cannes. Outra característica sobre o cinema filipino é o baixo custo. O diretor em questão realizou os primeiros cinco longas-metragens com dinheiro do bolso, ajudado por amigos que têm pequenas produtoras nas Filipinas. É incrível como o orçamento ínfimo não mitiga em nada a criatividade. As ideias continuam inteligentes e super bem estruturadas. “Lola”, seu mais recente trabalho, custou o equivalente a R$ 450 mil, foi realizado em apenas três meses e disputou o Leão de Ouro em Veneza. É de tirar o chapéu. O filme mistura criatividade, pouco dinheiro, é selecionado para um dos festivais de cinema mais importantes do mundo e ainda se transforma em sucesso de crítica e de público (especifico de festival). Mas qual o motivo de um filme desses não ser exibido por aqui, e quando é, no caso de Lola, fica pouco tempo e quase sem público? “Sempre vi mais filmes de Hollywood, que é o que chega às Filipinas. Só comecei a ver obras de outros países depois de meu primeiro filme”, afirma o diretor, sobre o encantamento com o neo-realismo italiano e na nouvelle vague. Em 2009, Mendoza foi escolhido para participar do Hong Kong Asian Film Forum de financiamento, juntamente com 27 diretores asiáticos. Em 23 março a 13 abril, ele competiu com diretores da Austrália, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coréia do Sul, Singapura, Taiwan, Tailândia e Vietnã no Festival de Cinema de Hong Kong Internacional. Ganhou o prêmio de um dos mais de cineastas ilustres, como Quentin Tarantino (de “Bastardos Inglórios”) e Ang Lee (“Aconteceu em Woodstock”).

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