Ficha Técnica

Diretor: David O. Russell
Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson
Elenco: Christian Bale, Mark Wahlberg, Amy Adams, Melissa Leo , Robert Wahlberg, Dendrie Taylor, Jack McGee, Jenna Lamia, Salvatore Santone, Chanty Sok, Bianca Hunter, Sean Patrick Doherty, James Shalkoski Jr., Barry Ace, Caitlin Dwyer, Jeremiah Kissel
Fotografia: Hoyte Van Hoytema
Música: Michael Brook
Direção de arte: Laura Ballinger
Figurino: Mark Bridges
Edição: Pamela Martin
Produção: Dorothy Aufiero, David Hoberman, Ryan Kavanaugh, Todd Lieberman, Paul Tamasy
Distribuidora: Imagem Filmes
Duração: 115 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2010
COTAÇÃO: ENTRE O BOM E O MUITO BOM

A opinião

“O Vencedor” aborda a co–dependência entre membros de uma família envolta no universo do boxe. É um filme sobre superação e sobre a continuação de manter a estrutura destes relacionamentos, mesmo conturbados. As picardias, que alfinetam irmãos, mãe, pai, irmãs e quem passar a conviver com eles, funcionam como direção a fim de ambientar a atmosfera da trama. Inicialmente o diretor seria Darren Aronofsky (de “Cisne Negro”, indicado ao Oscar de Melhor Diretor, entre outros prêmios), que possui em sua filmografia um longa quase parecido “O Lutador”. Talvez por isso, Aronofsky assina apenas a produção executiva. Podemos perceber, neste filme em questão, semelhanças características a sua estética cinematográfica sem as inúmeras experimentações da parte técnica (fotografia e camera). Quem levou o crédito da direção foi David O. Russell (de “Três Reis” – 1999 – e “Huckabees – A Vida é uma Comédia” – 2004). O elenco foca em Mark Wahlberg (que já trabalhou com Russel nos dois filmes já citados), mas quem rouba a cena é Christian Bale – ganhando o prêmio de Melhor Ator no Globo de Ouro e indicado ao Oscar 2011 – que perdeu 13 quilos para viver Dick Ecklund, um ex lutador fracassado e viciado em crack.

Os atores Matt Damon e Brad Pitt estiveram cotados para interpretar o personagem. Um filme de amigos (conhecidos). Dicky é uma lenda do boxe que desperdiçou o seu talento e a sua grande chance. Agora, o seu meio-irmão Micky Ward (Mark Wahlberg) tentará se tornar uma nova esperança de campeão e superar as conquistas de Dicky. É uma cinebiografia do boxeador Mickey “Irish” Ward, um dos maiores nomes do esporte nos anos 80, baseado no livro “Irish Thunder: The Hard Life and Times of Micky Ward”, escrita por Bob Halloran. O filme inicia respeitando o típico gênero americano, que visualiza o clichê da definição do cotidiano e de tipos humanos. Porém, o espectador percebe elementos diferenciais, como a narrativa, que se comporta de fora para dentro. Os aprofundamentos acontecem aos poucos e as peças do quebra-cabeça são montadas sem pressa (mas sempre tendo prévias em flashes do que irá acontecer). A fotografia nostálgica e atemporal lembra os anos oitenta pelo figurino, sendo uma combinação de imagens super. 8 (pessoais) e de instantes ágeis. Este elemento complementa a atmosfera que o roteiro deseja transpassar. Mark vive o papel do irmão que não consegue se libertar da influência de sua família. A mãe, a empresária. O pai, um capacho que luta em vão. As irmãs violentas e passionais – não pensando nas ações e chamando os desafetos de vadias.

Amy Adams (de “Trabalho Sujo” – aqui no blog) interpreta a namorada bartender. Christian encarna o outro irmão viciado em crack e que está sendo “personagem” de um documentário da HBO sobre ele mesmo: um lutador que quer retornar ao esporte, mas o vício é maior. O ponto alto é a cumplicidade destas interpretações. São tão realistas que se infere não uma ficção, e sim um retrato do que acontece no dia-a-dia. Não tem como não embarcamos e mergulhamos no ambiente. Não há brecha para voltar. Apesar do final ser exatamente americano e direcionado ao Oscar. O que se sofre é real, e sentimos isso. O que prejudica é o não equilíbrio. Repetem-se elementos narrativos que geram o clichê dramático e apelativo, como a própria direção à vitória (lembrando um “Rocky” mais modernizado). Assim, captamos rupturas e enxergamos dois cinemas diferenciados. Um pouco de Aronofsky e um pouco de Russel. Quando uma questão desta acontece, a competência dos atores é escancarada e reverbera o quanto são incríveis. Concluindo, um filme com altos e baixos, mas que necessita ser assistido. Recomendo. As filmagens ocorreram entre 13 de julho e 26 de agosto de 2009. Em 2004, Christian Bale perdeu nada menos que 30 quilos para atuar em The Machinist.

O Diretor

David Owen Russell, nascido em 20 de agosto de 1958, em Nova Iorque. Ele tem sido elogiado pela sua obra. É judeu e amigo dos cineastas Alexander Payne e Spike Jonze. Seu primeiro trabalho como diretor foi a comédia de humor negro independente Spanking the Monkey, em 1994, estrelado por Jeremy Davies como um jovem perturbado que desenvolve uma relação incestuosa com sua mãe (Alberta Watson). Apesar do assunto polêmico, o filme foi aclamado pela crítica e ganhou Melhor Primeiro Roteiro e Melhor Primeiro Recurso do Independent Spirit Awards , bem como o Prêmio do Público no Sundance Film Festival. Seu próximo projeto foi outra comédia independente, Flirting with Disaster ( 1996 ), sobre um homem neurótico ( Ben Stiller ), que viaja com sua esposa ( Patricia Arquette ) e de uma assistente social para encontrar seus pais biológicos. O filme foi bem recebido pela maioria dos críticos. Roger Ebert disse sobre a direção “Russell encontra a linha central forte, começa com a missão aparentemente grave ou de busca e, em seguida joga dardos em um mapa dos Estados Unidos como ele cria seus personagens” Lisa Schwarzbaum da Entertainment Weekly deu ao filme um “B” e declarou que “… uma das mais engraçadas comédias ha-ha hoje em um cinema perto de você”. O sucesso desses dois filmes o levaram a Guerra do Golfo em “Três Reis” , estrelado por George Clooney , Mark Wahlberg, Ice Cube e Spike Jonze . Adaptado de um script anterior pelo ex-comediante John Ridley , o filme segue três americanos soldados que elaborar um plano para roubar o ouro do Kuwait escondidos durante o levantamento de 1991 do Iraque contra Saddam Hussein . Filmado no deserto do Arizona , Califórnia e México , e apresenta reais iraquianos refugiados como extras, Russell usaram várias técnicas cinematográficas exclusivo para atingir uma sensação de realismo. Ele filmou com câmeras de mão e Steadcam , e disparou na Ektachrome de Fotografias slide que foi processado cruz na cor químicos negativos, para reproduzir “a cor ímpar das imagens jornal [da Guerra do Golfo].” Ele também insistiu em filmar todas as explosões de uma só vez, ao contrário de um típico filme de ação. Durante as filmagens, a notícia se espalhou de Russell e George Clooney quase tiveram uma briga no set de Três Reis . Clooney disse Russell, eventualmente, se desculpou e continuou a filmar, mas Clooney descreveu o incidente como “verdadeiramente, sem exceção, a pior experiência da minha vida.” Quando perguntado se ele iria trabalhar com Russell mais uma vez, Clooney respondeu: “A vida é muito curta.”

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