A opinião


O novo filme da atriz Audrey Tautou, famosa em “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, aborda a vida de Coco Chanel, a estilista que buscou a simplicidade num mundo exagerado. O filme apresenta-se como uma novela romanceada. Mas com toda técnica de câmera subjetiva, fotografia nostálgica e atmosfera de época, o longa não aprofunda os personagens, os deixando superficiais. Os diálogos e as ações são artificiais. É muito parecido com ‘Piaf’, porém não chega aos pés da retratação da cantora.

O filme em questão é elegante, bem montado, mas falta emoção. Falta sentir a trama. Não é convincente e nem causa o querer estar na cadeira de um cinema. Não prende a atenção, mesmo com a técnica competente, interessante e cuidada. A diretora preferiu a vestimenta ao próprio conteúdo.

Após a morte da mãe, Gabrielle “Coco” Chanel é deixada pelo pai num orfanato, junto com a irmã. Na juventude, trabalha numa alfaiataria durante o dia e canta num cabaré à noite. Lá conhece o milionário Étienne Balsan, que a leva para viver com ele. É fazendo roupas para o amante que Chanel desenvolve o talento de estilista. Logo passa a usá-las também, ultrapassando os limites entre a vida, o amor e o trabalho. Mesmo vivendo apaixonadamente sabia, no entanto, que nunca se casaria; nem com o homem de sua vida, Boy Capel. Afrontando as convenções do seu tempo, Chanel inventa a mulher moderna.

A câmera permeia os detalhes, transformando-se em quase parte interpretativa da película. Neste aspecto, pontos positivos são adicionados. Coco luta pelo que quer, aceitando, com paciência de uma gueixa, o tempo necessário de crescimento e oportunismo conquistado. “Eu sou o que sou: o esquecimento” e “O pior do casamento é o casal”, diz-se. Há muitos momentos ingênuos e inexperientes, como os flashbacks (volta ao passado) cronológicos de transformações. Isso é muito clichê e não respeita a inteligência de quem está assistindo. Pode-se usar como institucional da própria loja criada pela personagem. É fraco. Um novelão com acontecimentos. Nada mais.


Ficha Técnica

Direção:Anne Fontaine
Roteiro:Anne Fontaine, Camille Fontaine
Elenco:Audrey Tautou, Benoît Poelvoorde, Alessandro Nivola, Emmanuelle Devos, Marie Gillain
Fotografia:Christophe Beaucarne
Montagem:Luc Barnier
Música:Alexandre Desplat
País:França
Ano:2009



A Personagem

Gabrielle Bonheur Chanel, (Saumur, 19 de agosto de 1883 – Paris, 10 de janeiro de 1971), mais conhecida como Coco Chanel, foi uma importante estilista francesa e uma mulher à frente do seu tempo. As suas criações até hoje ditam e influenciam a moda mundial. É a fundadora da empresa de vestuário Chanel S.A.


A Diretora

Nasceu em 1959, em Luxemburgo. Atriz de formação, iniciou sua carreira com papéis em filmes franceses no começo dos anos 80. Estreou na direção com Les Histoires d’amour finessent mal… en général, exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 1993 e vencedor do Prêmio Jean Vigo do mesmo ano. Com Lavagem a Seco recebeu o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza 1997. Realizou ainda Natalie X (2003) e A Garota de Mônaco (2008).


A Atriz

Audrey Justine Tautou (Beaumont, Puy-de-Dôme, 9 de agosto de 1976) é uma atriz francesa. Alcançou o estrelato na França com sua atuação em Vénus beauté (1999), seu primeiro longa-metragem. E fora da França, ao representar a protagonista de O fabuloso destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain, 2001) e mais recentemente a criptógrafa Sophie Neveu em O Código Da Vinci (The Da Vinci Code), de 2006. Seu pai era dentista e sua mãe professora. Tem um irmão e duas irmãs menores que ela. Desde pequena foi fascinada por primatas. Depois da premiere de Amélie, ela viajou para as florestas da Indonesia para ajudar um santuario de preservação de primatas. Se interessou pela comédia ainda pequena e começou a ter de atuação na escola de alto prestigio Corus Florent. Tautou tira fotos de cada repórter que a entrevista e as mantem em um livro de colagens.

Filmografia

2007 – Ensemble, c’est tout
2006 – Hors de prix
2006 – O código Da Vinci
2005 – As bonecas russas
2004 – Eterno amor
2003 – Las marins perdus
2003 – Nowhere to Go But Up
2003 – Pas sur la bouche
2002 – Coisas belas e sujas
2002 – Albergue espanhol
2002 – Bem-me-quer, mal-me-quer
2001 – Dieu est grand, je suis toute petite
2001 – O fabuloso destino de Amélie Poulain
2000 – Le battement d’ailes du papillon
2000 – O pequeno dicionário de um libertino
2000 – Meninas moleques
2000 – Épouse-moi
1999 – Triste à mourir
1999 – Instituto de Beleza Vênus
1998 – La vieille barrière

Os Prêmios

Recebeu uma indicação ao BAFTA de melhor atriz, por O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)
Recebeu duas indicações ao César de melhor atriz por O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) e por Eterno amor (2004)
Recebeu uma indicação ao European Film Awards de melhor atriz, por Eterno amor (2004)
Ganhou o César de melhor revelação feminina, por Instituto de Beleza Vênus (1999)

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