Os Caras de Pau Italiano

Por Vitor Velloso


Comédia envolvendo temas como a guerra, são comédias que dependem da ironia do diretor, pois, política é um daqueles assuntos que são tratados como tabu, ainda mais se tratando de eventos reais. Por isso, “A morte de Stalin” (2018), conseguia construir seu humor, ainda que com altos e baixos, pois, media sua ironia através da interpretação dos atores e contava com Buscemi para cadenciar a narrativa. Contudo, “Em Guerra por Amor” não possui este talento à sua disposição.

Dirigido e protagonizado por Pif, a trama irá contar a história de Arturo, um homem apaixonado por Flora, mas que vê sua amada sendo prometida a outra pessoa. O único jeito de mudar esse casamento: pedindo ao pai de Flora a mão de sua filha, que mora na Sicília. O ano é 1943 e Segunda Guerra Mundial estava em seu auge, Arturo não possui dinheiro para a viagem. Ao encontrar um oficial do exército americano em um bar, recebe o convite, e se candidata. O ianque entende que ele possui bravura e diz que ele vai lutar na Sicília.

A história parece um prato cheio para fãs de comédia, o problema é o tom do humor, um pastelão sem fim. Quando ele tenta fazer o público rir com o inglês errado do personagem, soa mais como falta de imaginação em compor o roteiro, do que algo genuíno. E ainda que ele tente criar algum complexo de herói às avessas, é patético. As tentativas frustradas de humor parecem ser previstas pelo próprio diretor, então outra vem em sequência e mais outra… cada uma pior que a anterior, criando um amontoado de mediocridade.

Tentando conceber algo, a partir do absurdo, o longa apela para uma comédia digna de “O Ditador” (Larry Charles). Onde tudo é hiperbólico e apelativo. Força até o icônico momento do protagonista em cima de um burro, que dá origem ao pôster do filme. A cena como um tudo, é terrível. A mise en scene criada parece uma paródia, a construção física das ações são tenebrosas. É difícil evitar adjetivos aqui.

Ao vermos dois personagens correndo para o bunker, um carregando a figura de Duce (Mussolini), a outra levando Virgem Maria, podemos pensar tratar-se de algum sketch ao menos engraçado pela sua ironia, porém, vemos uma versão de “Os Caras de Pau” em Italiano. Utiliza os artifícios da inocência do protagonista, a fim de tentar criar um sentimento próximo a Forrest Gump. Em outro momento relembra Monty Python em uma cena, onde pessoas estão sendo julgadas por seus crimes, o que irá decidir pena de morte ou liberdade. Mas a falta de timing cômico, é tão grotesca, que a vergonha alheia toma conta da atmosfera criada por dois personagens bastante presentes no longa, o cego e o manco.

Os dois, dividem dela sempre para introduzir aquela trilha sonora pastiche de outros projetos que buscam a perda funcional do cérebro do espectador. Possivelmente as cenas com eles estão entre as piores, por dois motivos: eles não tem a menor química e nunca fica claro se a gente deveria se esforçar de alguma maneira para rir daquilo.

O único que sempre se supera é o diretor/protagonista, que além de sua atuação desajeitada, e quanto a isso não me refiro ao personagem, Pif, dirige o filme da maneira mais fragilizada que encontrou. Não consegue balancear entre humor negro e dramaticidade, não faz valer a pena a linguagem que se esforça em utilizar. Além, de possuir um diretor de fotografia, que lava todos seus planos tentando conquistar Hollywood de alguma forma, em um discurso: “Olha, eu também sei padronizar”.

O que mais revolta em “Em Guerra por Amor”, é que nenhum personagem importa, nada que o longa constrói, importa. É um desperdício de tempo e dinheiro, absurdo. Ao vermos a carreira de Pif entendemos o que deu errado, assim como a de grande parte dos envolvidos, principalmente os roteiristas.

É claro que comparações com o clássico de Kubrick, “Dr. Fantástico”, e outra obras sobre o cinismo político/militar em tempos de guerra, são injustas. Mas uma pessoa conseguir realizar o filme em questão, é deprimente. Mas fazer uma citação em homenagem ao Ettore Scola, ainda que por sua morte, me dá arrepios. Adoro o Scola, e fico triste dele receber uma homenagem em um bomba cinematográfica, como esta.

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