Foto: Maria do Rosário


Notas de um cineasta, distribuidor, camelô, judoca e agora repórter sobre o CINE OP 2018

Por Cavi Borges


Participo da Mostra Cine OP desde 2007 (acho que era a segunda edição do Festival) com curtas, longas, em mesas de debate e dando cursos. Ao longo dessa ultima década de festival venho notando uma transformação e uma adequação muito positiva: a mostra cresceu, se desenvolveu e achou seu caminho, seu foco e conceitualmente ficou bem definida e forte.

A memória e a história do cinema brasileiro estão em foco, através de homenagens, debates, discursões e filmes escolhidos para exibição.

O Mostra Cine OP se diferencia dos demais festivais de cinema em vários aspectos. Um deles é que as pessoas que circulam e participam ativamente das atividades propostas pelo Festival não são realizadores e diretores de cinema tão presentes nos demais festivais pelo Brasil. Aqui, no Cine OP, o publico, em sua maioria, constituí-se de pesquisadores, professores, conservadores de filmes e da memória do nosso cinema.

Professores e pesquisadores do Brasil todo que pesam no desenvolvimento da educação pela arte do cinema. Que enxergam a importância que a arte e, nesse caso o cinema e os debates por ele proporcionado, pode engrandecer e desenvolver a educação no nosso pais tão carente disso.

Nessa edição alem de lançar o filme “QUEBRANTO”, do diretor Jose Sette de Barros, na Mostra que homenageava a atriz Maria Gladys, também dei uma oficina de dois dias sobre novas formas e politicas de DISTRIBUIÇÃO e como tradicionalmente faço, vender meus dvds na banquinha já famosa da Cavideo.

Sobre os filmes, destaco o trabalho do diretor americano Bill Morrison e seu novo trabalho “DAWSON CITY – Fronzen Time”, de 2016, que se utiliza de cenas de outros filmes antigos para criar uma nova roupagem e significado para aquelas imagens.

Uma forma de relembrar, conservar e divulgar o cinema através de um caminho criativo e moderno, dando chance a novas gerações de rever e repensar esses filmes de tempos passados.

Outra sessão SENSACIONAL foi uma a de curtas – MOSTRA HISTÓRICA com filmes de Rogerio Sganzerla; “BRASIL”, “A FILA” de Katia Maciel, “VER/OUVIR” de Antonio Carlos da Fontoura, alem de outros de Arthur Omar, Carlos Adriano e Ivan Cardoso.

Apesar dos filmes terem sido feitos em décadas diferentes: 60, 80, 90 e 2000, todos se entrelaçavam e se complementavam criando um panorama de um cinema diferente, autoral e tropicalista feitos por diretores e sobre assuntos tão diversos, mostrando a riqueza do nosso cinema.

Destaco também a exibição do longa doc “FEVEREIROS” sobre Maria Bethânia do diretor Marcio Debelliam e lindamente fotografado por Pedro Vankrueger. Apesar do frio da praça o filme esquentou os espectadores presentes na sessão e agradou bastante.

Vida longa ao CINE OP! E que consiga dar prosseguimento ao seu projeto de olhar o passado e aprender com ele para conseguir construir um futuro melhor.

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