Mais uma dose

Por Chris Raphael


Estamos diante de mais uma contribuição da Walt Disney Studios Motion Pictures. para agigantar a antologia Star Wars. Intitulado Han Solo: uma estória Star Wars, a película de ficção científica traz em sua bagagem motivos suficientes para arrebanhar mais uma quantidade de fãs que serão somados aos já existentes.

Dirigido por Ron Howard (consagrado diretor de Cocoon, Apolo 13, A Beautifull mind), com roteiro assinado por Lawrence e Jon Kasdan e distribuído pela Lucasfilm., este é o segundo filme derivado da franquia, que já conta com oito em sua linha principal desde o primeiro (Star Wars, mil novecentos e setenta e sete). Aos novos atores coube a difícil tarefa de recriar personagens que sāo velhos conhecidos (e amados) dos fās. A escolha dos mesmos foi assertiva: o jovem Han Solo (Alden Ehrenreich) consegue copiar os trejeitos do original Harrison Ford. Também o personagem Lando Calrissian foi bem representado por (Donald Glover) e não decepciona. O ator Paul Bettany encarna o vilão Dryden Vos e Emilia Clarke (Daenerys- Game of Thrones/HBO) é Qi1Ra. Também são parte neste elenco, Joonas Suotamo (como Chewbacca) Woody Harrelson (Beckett) e Thandie Newto (Val). Mas a marca registrada desta franquia é a inserçāo, no elenco, de droides carismáticos, de personalidade forte e marcante. Com características quase humanas, a personagem L331 (Phoebe Waller) verdadeiramente proporciona um calor especial a esta aventura de cultura pop.

Traçando um diálogo positivo entre passado e presente, esta estória nos apresenta um Han Solo ainda jovem, vivendo em um planeta destruído e tendo que sujeitar-se, junto com outros jovens, a cometer pequenos delitos em troca do mínimo para sobrevivência. A partir de uma oportunidade de fuga, o jovem inscreve-se em uma força militar e sonha em ser piloto. Mas sua jornada em diversas situações perigosas parece apontar sua vocação para uma vida nada simples e tediosa.

Vamos assim, percorrendo ao lado de Han Solo um caminho sinuoso e observando de perto a construção de sua personalidade e a modelagem de seu caráter. É a oportunidade para conhecer aqueles que farão parte de sua trajetória e consequentemente, irāo influenciar toda a dinâmica cinematográfica que nos aguarda. Podemos assistir o nascimento da amizade entre Han Solo e Chewbacca, bem como a primeira viagem destes personagens na emblemática Millenium Falcon, nave estelar que Han. Solo ganhou de Lando Calrissian em um jogo.

A irreverência inata e o estilo debochado e sem falsa modéstia do personagem principal acaba surtindo um efeito interessante , transformando este filme no mais “leve” de toda a saga. Foi proposital? É claro que isso também provoca muitos gatilhos comuns e situações clichês. Para o público, sobram perguntas, que vāo sendo respondidas aos poucos e algumas curiosidades impensadas ou pequenos detalhes não tão importantes mas cujo esclarecimento, desnecessário ou não, denota preocupação excessiva (ou falta de assunto) no roteiro.

Em sequências de efeitos especiais grandiosos, fugas espetaculares e cenários ricos e detalhados, usufruímos de alguns momentos divertidos equilibrando a tensão.

Nós somos encaminhados num trânsito entre antigo/moderno, que é aproveitado de diversas formas pelo público pagante, que anseia por rever seus personagens queridos brilhando novamente. È um filme autônomo, que se insere no contexto da saga e contribui para o conhecimento mais aprofundado dos personagens. Mas a verdade nua e crua é que, com o passar do tempo, os fãs já esperam um aprimoramento e que algumas situações cronologicamente antigas desnudem um pouco mais do futuro.

Aqui está mais um filme da franquia Star Wars que atravessa as décadas e que tem o poder de transformar meros mortais em seres humanos aficcionados, que atendem pela alcunha de tiete e que vão correr atrás de mais alguns itens colecionáveis como copo, chaveiro, boné, camiseta, para ostentá-lo com a dignidade de um prêmio nobel.

O filme “Han Solo: Uma História Star Wars” nos remete a um sentimento nostálgico, aprisionada pelo tempo: olhamos para a telona do cinema e nossa percepção sinaliza que uma grande colcha de retalhos está sendo costurada. Mais uma peça deste enorme patchwork foi adicionada com sucesso. È preciso tomar distancia e olhar de longe, para ver começarmos a delinear um grande desenho ainda nāo está completo. Nós, os fãs, sabemos que muito ainda falta ser dito e mostrado e sinceramente, agradecemos por isso…

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