As Cores de Cannes

Por Fabricio Duque

Durante o Festival de Cannes 2018


Mais um Festival de Cannes. Novas ansiedades, cansaços e correrias. Nossa cinefilia é potencializada a um nível que não conseguimos mensurar. Cada ano, uma cor é escolhida. Este, a azul domina o cartaz oficial de uma cena icônica do filme “O Demônio das Onze Horas – Pierrot Le Fou”, de Jean-Luc Godard, os uniformes de seus funcionários, e a bolsa jeans.

Um festival de cinema começa muito antes. Com seu credenciamento e suas repetidas procuradas por passagens e um canto para dormir. Cannes é voltado para imprensa e mercado cinematográfico. O público pode conferir os filmes com as famosas plaquinhas “pedintes” (“Um convite, por favor”).

Este ano, o sistema do festival mudou, causando alvoroço e revolta . A imprensa agora assistirá aos filmes após as exibições oficiais. No outro dia. Talvez para preservar o embargo (que nunca teve) e ou para apostar em novos modelos.

Em poucas horas, o responsável geral pela delegação do Festival de Cannes, Thierry Fremeaux, conversará com a imprensa e apresentará os reais motivos da edição deste ano que se apresenta com uma temperatura de vinte e um graus sem sol, intercalando garoas e instantes de sol.

Não podemos negar que é sim uma maratona. Corre-se por dentro das mostras para que seja possível completar nossa agenda pré-definida. Entre os filmes da competição oficial; Um Certo Olhar; Semana da Crítica; Quinzena dos Realizadores; sessões especiais; encontro com diretores e atores; e muito mais. Então, por lógica, deduzimos que quanto mais se dorme, mais se perde.

Mas é uma aventura boa, principalmente àqueles apaixonados por cinema. O júri, presidido pela atriz Cate Blanchett e seus “súditos” (ator chinês Chang Chen, a atriz francesa Léa Seydoux, a diretora americana Ava Duvernay, o diretor canadense Denis Villeneuve, o diretor francês Robert Guédiguian, a compositora africana Khadja Nin, a atriz americana Kristen Stewart e o diretor russo Andrey Zvyagintsev) terão trabalho na escolha dos prêmios.

Asghar Farhadi, A. B Shawky, Kirill Serebrennikov, Christophe Honoré, Paewl Pawlikowski, Jean-Luc Godard, Jia Zhang-Ke, Eva Husson, Jafar Panahi, Alice Rohrwacher, Kore-Eda Hirokazu, Hamaguchi Ryusuke, Spike Lee, Stéphane Brizé, David Robert Mitchell, Lee Chang-Dong, Matteo Garrone, Nadine Labaki, Yann Gonzalez, Nuri Bilge Ceylan, Sergey Dvortsevoy, Terry Gilliam (este que pode não ter sua exibição devido a um processo) são os diretores concorrentes.

E há brasileiros. Na mostra Un Certain Regard. “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos” é dos diretores: o português João Salavita e a brasileira Renée Nader Messora. E fora de competição, “Arctic”, do diretor paulistano Joe Penna, e o “O Grande Circo Místico”, de Carlos Diegues. E na Quinzaine des Réalisateurs, “Los Silencios”, de Beatriz Seigner.



Mas o mais esperado seja mesmo a nova obra do diretor dinamarquês Lars von Trier com seu “The House That Jack Built – A Casa Que Jack Construiu”, que retorna após ter sido banido por causa de uma piada hitleriana. E lógico, a primeira exibição do novo Star Wars, “Solo”, dirigido por Hon Howard; e também a versão americana de “Fahrenheit 451”, de François Truffaut, baseado no livro homônimo de Ray Bradbury, e o documentário de Kevin MacDonald sobre a cantora Whitney Houston. E mais que necessário, a versão remasterizada que completa cinquenta anos de “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick.

Sim, tudo é imperdível, e isso inclui os encontros com Ryan Coogler, Christopher Nolan, Gary Oldman e John Travolta. E na mostra Quinzaine des Réalisateurs, o Carrosse D’Or 2018 homenageia o diretor Martin Scorsese com a projecão de “Mean Streets”, de 1973.

Então é isso. Doze dias de imersão total na costa francesa. E o mar do Mediterrâneo sempre rindo e chamando para um mergulho. Acompanhe tudo aqui no nosso site de todo dia e todo lugar!

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