Tudo sobre o diretor Britânico Ken Loach


A Caixa Cultural do Rio de Janeiro, de 03 à 15 de abril de 2018, apresenta a mostra “O Cinema Político de Ken Loach”. É a maior retrospectiva já realizada no Brasil sobre as obras do cineasta. Será exibido uma seleção de 22 longas-metragens realizados para o cinema, entre documentários e filmes de ficção, desde “Kes” (1969), considerado um dos melhores filmes já realizados no Reino Unido, até “Eu, Daniel Blake” (2016), ganhador da Palma de Ouro em Cannes.

A curadoria é de Claudia Oliveira e Fernanda Bastos e o projeto tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal. É uma homenagem ao cineasta britânico que, após inúmeros prêmios e diversas obras-primas, desistiu da aposentadoria, em 2014, aos 79 anos, pois não conseguiu permanecer quieto com o rumo que o mundo está seguindo.

A programação inclui filmes do início da carreira de Ken Loach no cinema, como os inéditos Looks and Smiles (1981), vencedor do prêmio Young Cinema no Festival de Cannes; e Hidden Agenda (1990), estrelado por Frances McDormand e prêmio do Júri no Festival de Cannes. Serão exibidas, ainda, produções marcantes como Terra e Liberdade (1995) sobre a Guerra Civil Espanhola e ganhador de diversos prêmios como o César e o European Film; Ventos da Liberdade (2006), sobre a rebelião irlandesa de 1920 e ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes; e seu mais recente documentário O Espírito de 45 (2013).

Com uma obra inteiramente ligada a questões político-sociais, Loach é uma voz dissonante no discurso sobre a realidade dos países que compõem o Reino Unido. Ele retrata a classe trabalhadora e todas as dificuldades que ela enfrenta no cotidiano de países ricos, mas ainda assim desiguais. Abordando temas como imigração ilegal e exploração de trabalhadores com a crueza que esses assuntos demandam, Loach nunca perde a ternura e o humor.

“Se você faz filmes sobre a vida das pessoas, a política é essencial. É a essência do drama, a essência do conflito”, comenta Paul Laverty, parceiro de Ken Loach desde o início de sua carreira, no documentário Versus: the life and films of Ken Loach (2016). “Ken quer fazer filmes sobre como o mundo funciona. Ele é o diretor mais esquerdista e subversivo que a Inglaterra já teve. E um perfeito cavalheiro”, declara.


Atividades Extras

A mostra promoverá, no dia 7 de abril (sábado), às 19h, um debate sobre a obra do cineasta, com participação da curadora Fernanda Bastos e do jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca, que cobre há muitos anos o Festival de Cannes e já entrevistou Loach diversas vezes. O debate tem entrada franca, com senhas distribuídas uma hora antes. E no dia 13 de abril (sexta-feira), Sérgio Veloso, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ, conversa com o público logo após a exibição do documentário O Espírito de 45, em uma sessão comentada.


Sobre o Cineasta

Ken Loach (17/06/1936, Nuneaton, Reino Unido) começou sua carreira atrás das câmeras após um breve período como ator de teatro quando, em 1963, foi convidado pela BBC para trabalhar como diretor de televisão. Sua obra foi intensamente influenciada pelo Free Cinema, movimento que teve um papel importante na formação de muitos cineastas nos anos 60 e abriu caminho para o cinema político-social britânico.

Com uma longa trajetória na direção de filmes para televisão e cinema – é realizador de mais de 50 produções, entre ficções, documentários e séries de TV – Loach foi premiado diversas vezes nos mais importantes festivais do mundo. É recordista de participação na mostra competitiva de Cannes (13 vezes), onde ganhou 11 prêmios, incluindo duas Palmas de Ouro: uma em 2006, por Ventos de Liberdade, e outra em 2016, por Eu, Daniel Blake. Em Berlim, recebeu um Urso de Ouro honorário por sua carreira, além de outros oito prêmios.

Em 2014, Ken Loach anunciou sua aposentadoria, após 50 anos de carreira. No ano seguinte, diante da volta do Partido Conservador ao poder na Grã-Bretanha, Ken se “desaposentou”, realizou Eu, Daniel Blake e, exatamente agora, está começando um novo projeto.

“O filme, como a literatura, pintura e teatro, pode ser muitas coisas ao mesmo tempo: amor, paixão, drama e entretenimento. Ele não tem de ser sinônimo de banalidade, mas pode fazer-nos vibrar e até mesmo mudar nossa vida. O cinema deve permitir saber mais sobre a condição humana, deve fazer-nos crescer e acordar, porque é um meio que tem muita força”, afirma o cineasta.



Programação Completa


3 de abril (terça)

16h15 – Programa Milênio/Globonews – Ken Loach (2017). Brasil, 23 min, livre. Entrada franca.

17h – Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake), de Ken Loach. Com Dave Johns, Hayley Squires. Reino Unido/França/Bélgica, 2016, 97 min, 12 anos. Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016. Após sofrer um ataque cardíaco, Daniel, um carpinteiro de 59 anos tem que lutar contra a burocracia do sistema para conseguir receber os benefícios a que tem direito. Ele encontra Katie, uma mãe solteira com dois filhos, que sofre com a mesma burocracia, e tenta ajudá-la.

19h – Jimmy’s Hall, de Ken Loach. Com Barry Ward, Francis Magee, Simone Kirby. Reino Unido /Irlanda/França, 2014, 100 min, 12 anos.Em 1932, durante a depressão, Jimmy Gralton retorna à sua cidade, na Irlanda, após dez anos exílio nos Estados Unidos. Diante dos altos níveis de pobreza e da opressão, Jimmy retoma o ativismo social e decide reabrir o salão de baile que o levou a ser deportado.

4 de abril (quarta)

16h30 – Uma Canção para Carla (Carla’s song), de Ken Loach. Com Robert Carlyle, Oyanka Cabezas. Reino Unido /Espanha/Alemanha, 1996, 127 min, 12 anos. O motorista de ônibus George se apaixona Carla, uma exilada nicaraguense que passa por um momento precário e extremamente triste da sua vida. Ele decide levá-la de volta para a Nicarágua e ajudá-la a encarar o passado.

19h – Pão e Rosas (Bread and Roses), de de Ken Loach. Com Pilar Padilla, Adrien Brody, Elpidia Carrillo. Reino Unido/França/Espanha/Alemanha/Suíça/Itália, 2000, 110 min, 14 anos. Duas irmãs mexicanas trabalham no serviço de limpeza em um prédio comercial no centro de Los Angeles e lutam por seus direitos trabalhistas.

5 de abril (quinta)

16h30 – Kes, de Ken Loach. Com David Bradley, Colin Welland. Reino Unido, 1969, 111 min, 14 anos.
Considerado um dos melhores filmes já feitos no Reino Unido. Um garoto, da classe operária, enfrenta diariamente violências físicas e psicológicas. Ele passa seu tempo livre cuidando e treinando um falcão de estimação – Kes.

19h – Vida em Família (Family Life), de Ken Loach. Com Sandy Ratcliff, Malcolm Tierney. Reino Unido, 1971, 108 min, 14 anos. Prêmios FIPRESCI, OCIC e Interfilm no Festival de Berlin 1972.
Uma adolescente sofre um colapso nervoso depois de ser obrigada por sua família a fazer um aborto e sua situação se agrava ao ser submetida a tratamentos radicais.

6 de abril (sexta)

17h – A parte dos Anjos (The Angel’s Share), de Ken Loach. Com Paul Brannigan, John Henshaw, Gary Maitland, Willima Ruane. Reino Unido/França/Bélgica/Itália, 2012. 101 min, Cor, 14 anos.
Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2012. Comédia dramática sobre um jovem que, após escapar por pouco da prisão e ver seu filho nascer, decide mudar de vida. Ele e seus amigos visitam uma destilaria de whisky e ali descobrem o caminho para uma nova vida.

19h – Agenda Secreta (Hidden Agenda), de Ken Loach. Com Frances McDormand, Brian Cox. Reino Unido, 1990, 108 min, 14 anos. Um advogado de direitos humanos norte americano é assassinado em Belfast. Sua namorada e um detetive tentam descobrir a verdade sobre o caso.

7 de abril (sábado)

14h30 – Versus: the life and films of Ken Loach (2016), de Louise Osmond. Com Ken Loach, Paul Laverty. Reino Unido, 93 min, 10 anos. Documentário sobre a vida pessoal e profissional do cineasta.

16h30 -Ventos da Liberdade (The Wind that Shakes the Barley), de Ken Loach. Com Cillian Murphy, Pádraic Delaney. Reino Unido/Irlanda/Alemanha/Espanha/França/Bélgica/Itália,/Suíça/Holanda, 2006, 127 min, 12 anos.
Palma de Ouro no Festival de Cannes 2006. Irlanda, 1920. Damien abandona sua carreira de médico e se junta ao irmão Teddy em uma perigosa e violenta luta por liberdade.

19h – Debate O cinema de Ken Loach, com o jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca e a curadora Fernanda Bastos.

8 de abril (domingo)

14h – Terra e Liberdade (Land and Freedom), de Ken Loach. Com Ian Hart, Rosana Pastor. Reino Unido/ Alemanha/Espanha/França/Itália, 1995,109 min, 16 anos. Prêmios FIPRESCI e do Júri Ecumênico no Festival de Cannes 1995. David é um comunista desempregado que vai para a Espanha, em 1937, durante a Guerra Civil, para se juntar aos republicanos e defender a democracia contra os fascistas.

16h30 – Jimmy’s Hall

19h – Ladybird Ladybird, de Ken Loach. Com Crissy Rock, Vladimir Vega. Reino Unido, 1994, 101 min, 16 anos.
Uma mulher britânica luta contra o Serviço Social para ter a guarda de seus quatro filhos.

10 de abril (terça)

16h30 – Ventos da Liberdade

19h – Mundo Livre (It’s a free world…) de Ken Loach. Com Kierston Wareing, Juliet Ellis. Reino Unido/ Alemanha/Espanha/Itália,/Polônia, 2007, 96 min, 12 anos. Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza 2007. Depois de ter sido demitida, Angie se une a amiga Rose e elas abrem uma agência de trabalho para imigrantes.

11 abril (quarta)

16h30 – Vida em Família

19h – Felizes dezesseis (Sweet Sixteen) de Ken Loach. Com Martin Compston, Annmarie Fulton. Reino Unido, 2002, 106 min, 14 anos. Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes 2002.
Liam, um adolescente com um passado problemático, sonha em recomeçar a vida após sua mãe sair da prisão.

12 de abril (quinta)

17h – Mundo Livre

19h – Apenas um Beijo (Ae Fond Kiss…), de Ken Loach. Com Atta Yaqub, Eva Birthistle. Reino Unido/Alemanha/Espanha/Bélgica/Itália, 2004, 104 min, 14 anos. Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Berlim 2004. César de Melhor Filme da União Europeia. Casim Khan, um escocês descendente de imigrantes paquistaneses, se apaixona por Roisin Hanlon, que é católica. Para ficar junto, o casal precisa enfrentar as tradições de suas origens e preconceitos sociais, religiosos e raciais.

13 de abril (sexta)

17h – O Espírito de 45 (The Spirit of’ 45), de Ken Loach. Reino Unido, 2013, 94 min, 12 anos.
Documentário sobre como o espírito que manteve a Grã-Bretanha unida durante a II Guerra, e que levou a população a lutar por uma sociedade mais justa. Sessão comentada com Sergio Veloso, Professor de Relações Internacionais da PUC-Rio.

14 de abril (sábado)

15h – Riff-Raff, de Ken Loach. Com Robert Carlyle, Emer McCourt. Reino Unido, 1991, 95 min, 14 anos.
Melhor Filme no European Film Award. Stevie, um escocês recém saído da prisão, se muda para Londres, onde consegue um trabalho como operário de obra e conhece Susan, uma cantora desempregada.

17h – Chuva de Pedras (Raining Stones), de Ken Loach. Com Bruce Jones, Julie Brown. Reino Unido, 1993, 90 min, 14 anos. Prêmio do Júri no Festival de Cannes 1993. O orgulhoso Bob, apesar de não ter dinheiro, quer que sua filha tenha um lindo e caro vestido para sua primeira comunhão. Para atingir seu objetivo, ele acaba se metendo em problemas.

19h – Rota Irlandesa (Route Irish) de Ken Loach. Com Mark Womack, John Bishop. Reino Unido/França/Espanha/Bélgica/Itália, 2010, 109 min, 14 anos. Um segurança particular inglês contratado para trabalhar no Iraque rejeita a versão oficial sobre a morte de seu amigo e colega de trabalho e vai em busca da verdade.

15 de abril (domingo)

15h – The Navigators, de Ken Loach. Com Dean Andrews, Thomas Craig. Reino Unido/Alemanha/Espanha, 2001, 96 min, 14 anos. Cinco homens de Yorkshire tentam sobreviver depois que a empresa ferroviária estatal em que trabalham é comprada por uma empresa privada.

17h – Looks and Smiles, de Ken Loach. Com Graham Green, Carolyn Nicholson. Reino Unido, 1981, 104 min, 14 anos. Prêmio Yound Cinema no Festival de Cannes 1981.
Um jovem sem perspectivas tenta sobreviver na Inglaterra durante o governo de Margaret Thatcher.

19h – Fatherland/Singing the Blues in Red, de Ken Loach. Com Gerulf Pannach, Fabienne Babe. Reino Unido/Alemanha Ocidental/França, 1986, 110 min, 14 anos. Um cantor troca a intimidação política no trabalho na Alemanha Oriental pelo controle capitalista da indústria da música no Ocidente.


Serviço

Mostra O Cinema Político de Ken Loach
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 3 a 15 de abril de 2018 (terça-feira a domingo)
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia.
Lotação: 80 lugares (mais 2 para cadeirantes)
Bilheteria: terça-feira a domingo, das 13h às 20h
Acesso para pessoas com deficiência
Realização: Khora Produção e Comunicação
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

Críticas Relacionadas

Crítica: Eu, Daniel Blake

Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2016

Crítica: Jimmy´s Hall

Uma despretensiosa simplicidade por uma nostálgica inocência

Crítica: O Espírito de 45

O ano de 1945 por memórias e reflexões

Crítica: Rota Irlandesa

Filme quase certo na hora quase certa

Crítica: A Parte dos Anjos

Compartilhando talentos

Crítica: À Procura de Eric

A nobreza de transformar vingança em perdão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados