Evento exibe 64 produções de 18 países no Centro Cultural Banco do Brasil


Entre os dias 13 e 18 de dezembro, acontecerá a 12ª edição do Festival Internacional de Cinema Feminino – FEMINA no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. O festival este ano exibirá 64 produções, muitas inéditas no Brasil, de 18 países.

O evento é realizado pelo Instituto de Cultura e Cidadania Femina desde 2004 e se dedica a exibir longas, médias e curtas-metragens dirigidos por mulheres e/ou com temática feminina. Todas as sessões e seminários terão entrada franca (com distribuição de senhas uma hora antes de cada sessão), os organizadores do evento calculam atrair cerca de 1,5 mil pessoas.

Todos os anos, o festival realiza uma homenagem a uma personalidade feminina do cinema nacional. Este ano o evento terá três homenageadas: a cineasta Sandra Werneck, a produtora Vania Catani, e atriz Laura Cardoso.

Sandra é uma diretora de destaque no cenário cinematográfico brasileiro com vários sucessos de bilheteria, documentários de cunho social e filmes especialmente debruçados sobre questões relacionadas ao feminino. Nesta última categoria, a diretora lançou este ano “Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas”. O filme “Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas” será exibido no dia 18 às 17h.

Vania Catani trabalhou como produtora de TV e a partir dos anos 1990, tem se dedicado à produção cinematográfica. Criou em 2000 a Bananeira Filmes, uma das mais prestigiadas produtoras de cinema no Brasil, e tem investido, principalmente, em produções independentes de notória qualidade artística. Já produziu séries de TV e filmes de diretores como Pedro Bial, Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Anita Rocha da Silveira, José Luiz Villamarim, Guilherme Weber, Lucrécia Martel, entre outros. Somadas, suas produções já foram exibidas em 250 festivais em 40 países e receberam mais de 180 prêmios. O festival irá exibir o filme “Mate-me por favor”, de Anita Rocha da Silveira, no domingo, dia 17, às 15h.

A outra grande homenageada do festival é a atriz Laura Cardoso que este ano completa 90 anos de vida e 75 de carreira. A atriz que se declara feminista desde criança começou sua carreira nas radionovelas, atuando em seguida em teleteatro, apresentações em circo, novalas, minisséries e séries. É uma das atrizes que mais atuou na TV com quase 80 trabalhos, incluindo mais de 50 novelas. Um de seus trabalhos mais marcantes foi no filme “Através da Janela” de Tata Amaral que lhe rendeu vários prêmios de melhor atriz, entre eles, o Lente de Cristal no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. O filme será exibido no festival no dia 18, às 19h.

Primeiro evento do gênero no Brasil e na América Latina, o FEMINA ocupou um lugar de destaque no cenário cinematográfico mundial já em sua primeira edição. Com a curadoria de Paula Alves e Eduardo Cerveira, o festival busca valorizar a participação da mulher no cinema, na arte e na cultura, estimular jovens diretoras, incentivar a produção de filmes com temática feminina e debater questões de gênero, assim como ampliar a participação profissional da mulher no cinema e a conscientização da sociedade sobre a igualdade de gênero. “Tivemos uma interrupção de dois anos do festival por falta de patrocínio. Este ano recebemos a confirmação da verba com prazo curtíssimo para a realização do festival mas resolvemos encarar”, comenta o curador Eduardo Cerveira. “Graças a uma força tarefa da equipe, amigos e uma lista interminável de parceiros, conseguimos fazer uma linda seleção com ótimos títulos em tempo recorde. Alguns desses filmes serão exibidos pela primeira vez no Brasil e na América Latina”, comemora Paula Alves.

O evento promove também o Seminário FEMINA, de 13 a 15 de dezembro, das 13h às16h, com a participação de diretoras e pesquisadores, debatendo com o público o tema Feminismos, Cinema e Interseccionalidade: diálogos e estratégias de resistências, trazendo filmes que dialogam com esta questão. São eles: “Historiografia” de Amanda Pó, “Autopsia” de Mariana Barreiros, “Estado Itinerante” de Ana Carolina Soares, “O mais barulhento silêncio” de Marcela Moreno, “A boneca e o silêncio”de Carol Rodrigues e “Quem matou Eloá?” de Livia Perez. Os temas abordados no seminário serão: “Curadoria e Crítica como espaços políticos”; “Sobre poder e violência: apagamentos, assédios e a cultura do estupro” e, por último, “Debates em torno das violências contra as mulheres e o feminicídio”. As inscrições poderão ser feitas através do site www.feminafest.com.br, a entrada é gratuita e quem participar dos 3 dias de seminário recebe um certificado de participação.


Destaques

A abertura do festival será no Cinemaison, no dia 11 às 19h, com uma sessão apenas para convidados, com a exibição do primeiro longa-metragem da diretora francesa Léonor Serraille. O filme “Jeune Femme” ganhou o prêmio Caméra D’Or em Cannes esse ano e será exibido pela primeira vez no Brasil.

Entre os dias 13 e 18, o festival acontece no CCBB RJ, com as tradicionais mostras competitivas “Internacional e Nacional” e sessões especiais divididas em “Programa infantil” (com curtas-metragens de animação e ficção para o público infanto-juveni), dois programas “Dividindo a conta” (com filmes co-dirigidos por homens e mulheres), Programa experimental (com filmes experimentais dirigidos por mulheres), sessão “Eu gosto é de mulher” (com filmes dirigidos por mulheres com temática lésbica).

O festival terá a participação de 18 países, além do Brasil, alguns deles como França, Alemanha, Portugal, Israel, Irã, Noruega, Suécia, Romênia, Polônia, Espanha, México, Grécia, Suíça, Chile, República Tcheca, Holanda. Serão exibidos ao todo 64 filmes (29 internacionais, 35 brasileiros das 5 regiões do país).

Com filmes realizados a partir de 2014, a competição das mostras será avaliada durante a semana do evento. Além do júri oficial, a novidade este ano é um juri formado por integrantes do Elviras, coletivo de mulheses críticas de cinema. Entre os jurados estão Angélica de Oliveira – curadora, Gustavo Pizzi – realizador, Samantha Brasil – crítica, Paloma Coelho – pesquisadora, Simone Zuccolotto – jornalista, e as componenentes do Juri Elviras: Ivana Bentes, Maria Caú e Laura Batitucci.

Os júris terão a árdua tarefa de avaliar e premiar os filmes nas categorias: Grande Prêmio Femina, Prêmio Especial do Júri, Melhor Direção e Melhor Destaque Feminino em cada competição (Nacional e Internacional). Os premiados ganharão um colar desenhado com exclusividade pela designer de jóias Rita Santos. Para as categorias de competição nacional, os vencedores receberão também prêmios em serviços cinematográficos de empresas parceiras do festival como a Naymar, o CTAv e a Youle para que a diretora possa utilizá-lo na próximo filme.


Programação


Segunda-feira, 11 de dezembro – Maison de France
19:00 – Abertura
Jeune Femme (Jovem Mulher), de Léonor Serraille, 97 min, França, 2017


De 13 a 18 – CCBB/RJ – Cinema 1

Quarta-feira, 13 de dezembro

13:00 – Abertura do Seminário Femina 2017: Feminismos, Cinema e Interseccionalidade: diálogos e estratégias de resistências
Fala de abertura: Mulheres no audiovisual: espaços de poder e fala – Debora Ivanov (ANCINE)
Apresentação: Paula Alves e Ana Paula Ribeiro (INSTITUTO FEMINA)

Seminário 1 – Curadoria e Crítica como espaços políticos
Nos contextos de produção, circulação e recepção audiovisual, de que formas a curadoria e a crítica
se constituem como espaços e instrumentos políticos.
Participações:
Cartel Adélias – representado por Elizabeth Martins, Franciele Campos e Monique Nix
Mariana Barreiros
Samantha Brasil
Mediação: Paloma Coelho

Exibição dos filmes:
Historiografia, de Amanda Pó, 4 min, Brasil, 2017
Autopsia, de Mariana Barreiros, 7 min, Brasil, 2016

17:00 – Competição Internacional programa 1
Fox (Raposa), de Jacqueline Lentzou, 28 min, Grécia, 2016
La Plage (A praia), de Keren Ben Rafael, 20 min, França, 2015
Horizontes, de Eileen Hofer, 70 min, Suíça, 2015

Competição Nacional programa 1
Não me prometa nada, de Eva Randolph, 21 min, RJ, 2016
Maria, de Elen Linth & Riane do Nascimento, 17 min, AM, 2017
Com o terceiro olho na terra da profanação, de Catu Rizo, 66 min, RJ, 2016

Quinta-feira, 14 de dezembro

13:00 – Seminário 2 – Sobre poder e violência: apagamentos, assédios e a cultura do estupro
Participações:
Emy Lobo
Marccela Moreno
Renata Saavedra
Tainá de Paula
Mediação: Paloma Coelho

Exibição dos filmes:
Estado Itinerante, de Ana Carolina Soares, 25 min, Brasil, 2016
O mais barulhento silêncio, de Marccela Moreno, 15 min, Brasil, 2016

17:00 – Competição Internacional programa 2
Blue Spring (Primavera azul), de Andreea Cristina Borțun, 15 min, Romênia, 2015
Share (Compartilhar), de Pippa Bianco, 11 min, EUA, 2015
El placer es mio (O prazer é meu), de Elisa Miller, 94 min, México, 2015

19:00 – Competição Nacional programa 2
Cheiro de Melancia, de Maria Cardozo, 16 min, PE, 2016
Projeto Beirute, de Anna Azevedo, 15 min, RJ, 2015
A Moça do Calendário, de Helena Ignez, 85 min, SP, 2017

Sexta-feira, 15 de dezembro

13:00 – Seminário 3 – Debates em torno das violências contra as mulheres e o feminicídio
Participações:
Deixa Ela Em Paz – representado por Manuela Arruda
Fabíola Cordeiro
Facção Feminista Cineclube – representado por Sassá Souza
Francine Barbosa
Mediação: Paloma Coelho

Exibição dos filmes:
A boneca e o silêncio, de Carol Rodrigues, 19 min, Brasil, 2015
Quem matou Eloá?, de Livia Perez, 24 min, Brasil, 2015

17:00 – Competição Internacional programa 3
El Adiós (O adeus), de Clara Roquet, 15 min, Espanha, 2015
Cipka (Perereca), de Renata Gąsiorowska, 8 min, Polônia, 2016
Toz Bezi (Pano de limpeza), de Ahu Öztürk, 98 min, Turquia, 2015

19:00 – Competição Nacional programa 3
A Passagem do Cometa, de Juliana Rojas, 19 min, SP, 2017
Torre, de Nádia Mangolini, 19 min, SP, 2017
Baronesa, de Juliana Antunes, 70 min, MG, 2017

Sábado, 16 de dezembro

13:00 – Programa Infantil
A Gruta de Darwin, de Joana Toste, 13 min, Portugal, 2017
Co se stalo v Zoo (História de zoológico), de Veronika Zacharová, 4 min, República Tcheca, 2015
Some Thing (Algo), de Elena Walf, 7 min, Alemanha, 2015
Bei Mir Bist Du Schön (Comigo você é linda), de Bouwine Pool, 12 min, Holanda, 2017
Nie trać głowy (Não perca a cabeça), de Karolina Specht, 4 min, Polônia, 2015
Wióry (Rebarbas), de Agata Mianowska, 7 min, Polônia, 2015
Sabaku, de Marlies van der Wel, 2 min, Holanda, 2016
Número e Série, de Jessica Queiroz, 15 min, Brasil, 2015

15:00 – Eu Gosto é de Mulher
Fruit défendu (Fruta proibida), de Marion Jhoaner, 20 min, França, 2016
Uma Noite e Meia, de Susana Costa Amaral, 13 min, Brasil, 2015
Ana is Coming Back (Ana está voltando), de Ruxandra Ghiţescu, 18 min, Romênia, 2016
Gabber Lover (Amante gabber), de Anna Cazenave Cambet, 13 min, França, 2016
Strip, de Katerina Turecková, 10 min, República Tcheca, 2015
Ainda Não, de Julia Leite, 21 min, Brasil, 2017

17:00 – Competição Internacional programa 4
Aram, de Fereshteh Parnian, 17 min, Irã-França, 2016
Abwesend (Ausente), de Eliza Petkova, 13 min, Alemanha, 2014
Mala Junta (Má influência), de Claudia Huaiquimilla, 90 min, Chile, 2016

19:00 – Competição Nacional programa 4
Abigail, de Isabel Penoni & Valentina Homem, 16 min, RJ, 2016
Fervendo, de Camila Gregório, 16 min, BA, 2017
Pela Janela, de Caroline Leone, 84 min, SP, 2017

Domingo, 17 de dezembro

13:00 – Dividindo a Conta 1
Tekoha, som da terra, de Valdelice Veron & Rodrigo Arajeju, 20 min, DF, 2017
Das nuvens pra baixo, de Eliska Altmann & Marco Antonio Gonçalves, RJ, 2017

15:00 – Homenagem a Vania Catani
Mate-me por favor, de Anita Rocha da Silveira, 100 min, Brasil, 2015

17:00 – Competição Internacional programa 5
Anna, de Or Sinai, 24 min, Israel, 2015
Água Mole, de Laura Gonçalves & Xá, 9 min, Portugal, 2017
Barndom (Infância), de Margreth Olin, 89 min, Noruega-Suécia, 2017

19:00 – Competição Nacional programa 5
Tentei, de Laís Melo, 15 min, PR, 2017
O Projeto do Meu Pai, de Rosaria, 6 min, ES, 2016
Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro, 100 min, PA, 2016

Segunda-feira, 18 de dezembro

13:00 – Dividindo a Conta 2
Regresso de Saturno, de Bianca Muniz & Marcus Curvelo, 20 min, BA, 2017
A destruição de Bernardet, de Claudia Priscilla & Pedro Marques, 72 min, SP, 2017

15:00 – Programa Experimental
Sieben mal am tag beklagen wir unser los und nachts stehen wir auf, um nicht zu träumen (Sete vezes ao dia lamentamos a nossa sorte, e à noite acordamos para não sonhar), de Susann Maria Hempel, 18 min, Alemanha, 2014
Moonless (Sem lua), de Sophie Watzlawick, 8 min, Suíça, 2017
A Maldição Tropical, de Luisa Marques & Darks Miranda, 14 min, Brasil, 2016
Mehr Licht! (Mais luz!), de Mariana Kaufman, 11 min, Brasil, 2017
Estado líquido, de Fernanda Ramos, 4 min, Brasil, 2016
Vai e Vem, de Louise Botkay, 31 min, Brasil, 2017

17:00 – Homenagem a Sandra Werneck
Mexeu com uma, mexeu com todas, de Sandra Werneck, 71 min, RJ, 2017

19:00 – Homenagem a Laura Cardoso e Premiação
Através da Janela, de Tata Amaral, 82 min, SP, 2000


Seminários

Desde sua primeira edição, o Femina realiza debates e encontros que reúnem diretoras, produtores, pesquisadores, professores e outros convidados para debaterem com o público questões de gênero, sexualidades, corpos, direitos humanos, representações, entre outras temáticas. Em 2011, o Femina realizou uma Oficina de Gênero e empoderamento da mulher para profissionais e estudantes de audiovisual. E a partir de 2012, mudou o formato do seu Fórum de Debates que passou a se chamar Seminário Femina.

Desde 2013, o Seminário Femina é realizado em parceria com o Grappa – Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) que reúne pesquisadores que estudam as múltiplas relações entre a Antropologia e o Cinema.

O grupo reúne estudos que abordam o cinema como objeto e/ou método de pesquisa em seus diversos formatos – filmes documentais, ficcionais e experimentais – a fim de debater, em interlocução com as ciências sociais, os dilemas e as potencialidades das produções audiovisuais como veículos e dinâmicas contemporâneas de (re)significação social, refletindo sobre os seus novos procedimentos de construção de sentido.

Feminismos, Cinema e Interseccionalidade: diálogos e estratégias de resistências

O Seminário Femina se propõe a ser um momento de reflexão e troca sobre as relações de gênero e suas intersecções, além de um espaço de formação. Nos últimos anos, temos acompanhado a emergência de uma Primavera Feminista no audiovisual, assim como nas ruas e hashtags, um crescente debate sobre feminismos, perpassado por questões raciais, de classe e gênero, para trazer algumas. Ao mesmo tempo, nesse período, percebemos maior movimentação em torno de temas e reflexões que estão longe de serem emergentes, e que continuam sendo necessários. Nomeamos movimentos, tipificamos questões, publicamos livros e temos pensado cada vez mais no poder das imagens – políticas em muitos sentidos. Aqui temos acompanhado a força do cinema como instrumento político, e o cinema como possibilidade de denúncia. Propomos para o seminário deste ano que os debates se desdobrem a partir do tema Feminismos, Cinema e Interseccionalidade, pois entendemos que não há apenas um tipo de Feminismo vigente. Pela necessidade de efetivamente encararmos perspectivas interseccionais no que tange às construções das imagens, aos debates sobre cinema e todas as formas de arte. Nos propomos a refletir sobre os cinemas e registros audiovisuais que têm sido produzidos nos últimos anos, sobre as motivações de novas gerações de cineastas, e as perspectivas adotadas em seus trabalhos. Mantemos o formato de três dias de debate em que mesas com diferentes temas, a princípio, dialogam e se complementam. O público alvo desse seminário são pessoas que atuam nas áreas do audiovisual, estudos de mídia, comunicação, jornalismo, internet, publicidade, produção cultural, ciências sociais, políticas públicas e demais interessados em levar para suas áreas de atuação as discussões de gênero e igualdade.

A mediação dos três dias de Seminário Femina será feita por Paloma Coelho

Cientista social, com mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), e estágio doutoral na Universidad Carlos III de Madrid. Especialista em História da Cultura e da Arte pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, desenvolve pesquisas na área de sociologia e antropologia, abordando principalmente os temas: cinema, família, gênero, corpo e sexualidade. Integrante do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA) e do Grupo de Estudos em Cultura, Contemporaneidade e Audiovisual (GRECCA).

Fala de abertura

Qua/Wed 13 dez 13h

Mulheres no audiovisual: espaços de poder e fala
Convidada: Debora Ivanov

Primeira mulher à frente da Ancine (Agência Nacional de Cinema) como Diretora-presidente. Debora Ivanov formou-se em Direito, cursou artes plásticas, e é produtora audiovisual. Foi sócia da Gullane Entretenimento de 2000 a 2015. Sua trajetória inclui a realização de mais de 60 obras audiovisuais – entre curtas, médias e longas-metragens, telefilmes e séries para televisão. Foi diretora do Sindicato da Indústria do Audiovisual do Estado de São Paulo – SIAESP e integrou o Conselho Consultivo da SPCine. Foi titular do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual. Fundou e foi diretora executiva do Instituto Querô, organização sem fins lucrativos, dedicado à capacitação e inserção no mercado audiovisual de jovens em situação de risco social na região portuária de Santos.

Apresentação: Paula Alves e Ana Paula Ribeiro

Seminário 1

Curadoria e Crítica como espaços políticos
Nos contextos de produção, circulação e recepção audiovisual, de que formas a curadoria e a crítica se constituem como espaços e instrumentos políticos.

Exibição dos filmes/Film screening

Historiografia
Documentário/Documentary
4 min, cor/color
Brasil/Brazil, 2017

DIR Amanda Pó
M Amanda Pó
P Amanda Pó

Contato: amandacspo@gmail.com
Sinopse: Por quem foi escrita a história?

Autopsia
Documentário-experimental/Documentary-experimental
7 min, cor/color
Brasil/Brazil, 2016

DIR Mariana Barreiros
R Mariana Barreiros
F Mariana Barreiros
M Mariana Barreiros
E Ana Paula Pimenta

Contato/Contact
marianabap@ig.com.br

Sinopse
O filme é uma inspeção de como a cultura e a mídia são responsáveis pela objetificação e desumanização da mulher e, portanto, da violência contra ela.

Prêmios:
Melhor Filme Experimental pelo Júri técnico e Melhor Filme Experimental pelo Júri da Crítica no ACCIRS (Festival de Cinema de Lajeado); Melhor Montagem e Melhor Curta etapa Rio de Janeiro na Mostra SESC de Cinema; Voto popular no Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo; Melhor Filme Experimental no Cinecipó; Melhor Curta pelo público do Porta Curtas no Curta Cinema; Destaque pelo Público no FBCU; Melhor Montagem no Primeiro Plano; Menção Honrosa no Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife.

Participantes do Seminário 1

Cartel Adélias
Representado por Elizabeth Martins, Franciele Campos e Monique Nix
O coletivo de mulheres produtoras de audiovisual Cartel Adélias vem atuando com a intervenção, produção e exibição de conteúdos femininos, reconhecendo o machismo como uma das principais violências deste sistema desigual e também recorrente no cinema. Para que estas violências não sejam mais a orientação para um “tratamento às minorias” ou “participações” simbólicas no cinema. Busca construir um cinema feminino organizado em teoria, em ícones, na gestão e prática de apoio e fortalecimento, incentivos, diálogos, espaços e respeito às produções e direções feitas por mulheres no audiovisual. O coletivo Cartel Adélias recebe este nome em homenagem a maravilhosa cineasta Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil.

Mariana Barreiros
Cineasta estreante, estuda Cinema na PUC-Rio e é formada em Artes Cênicas pela CAL. Participa de debates sobre as representações da mulher e a importância da presença feminina no audiovisual. Participou da curadoria da mostra independente de cinema feminino “Mostra das Minas” do MIS Santos. Também é integrante da comissão de Comunicação da Aldeia Maracanã que organizou a mostra de Cinema Indígena “Cinema na Aldeia” durante a Semana Pela Soberania Audiovisual.  Seu primeiro curta-metragem  AUTOPSIA foi exibido e premiado em festivais, cineclubes, ocupações e universidades.

Samantha Brasil
Cientista social, pesquisadora e crítica de cinema, com mestrado em Sociologia e Antropologia (UFRJ). Curadora do Cineclube Delas que tem enfoque no cinema realizado por mulheres. Integrante das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema, do podcast Feito por Elas que visa debater e divulgar o cinema de diretoras, do canal A Lente Escarlate, que analisa filmes brasileiros, além de colaborar regularmente escrevendo sobre cinema no Delirium Nerd e no canal Sobre Elas.

Seminário 2

Qui/Thu 14 dez 13h

Sobre poder e violência: apagamentos, assédios e a cultura do estupro
Pretendemos discutir os diferentes tipos de violência contra as mulheres, e como as imagens que produzimos e divulgamos corroboram uma cultura que naturaliza o assédio contra mulheres e a reificação do corpo feminino.

Exibição dos filmes/Film screening

Estado Itinerante
Ficção/Fiction
25 min, cor/color
Brasil/Brazil, 2016

DIR Ana Carolina Soares
R Ana Carolina Soares
PE Ana Carolina Soares e Denise Flores
P Denise Flores
F Diogo Lisboa
DA Pedro Ploc
S Glaydson Mendes
E Lira Ribas, Daniela Souza, Diane Rodrigues, Maria Aparecida Loredo, Cristal Lopez, Ediney Brito e Adalberto Barbosa

Contato/Contact
A ITINERANTE FILMES
aitinerante@aitinerantefilmes.com.br
estadoitinerante@gmail.com
Sinopse
Vivi quer escapar de uma relação opressora. Em período de experiência como cobradora de ônibus, ela trabalha desejando não voltar para casa. A semana passa rápido, entre as paradas no ponto final e o itinerário os encontros com outras cobradoras fortalecem a mulher trabalhadora e seu desejo de fuga.

O mais barulhento silêncio
Documentário/Documentary
15 min, cor/color
Brasil/Brazil, 2016

DIR Marccela Moreno
P Jessica Menezes
F Marina Moulin & Marina Nunes
DA Camille Girouard & Duda Monteiro
S Marta Lopes
M Marccela Moreno & Helio Chrockatt
E Amanda Tedesco, Clara Anastácia, Elisa Ottoni, Karina Diniz

Contato/Contact
Marccela Moreno & Jessica Menezes
omaisbarulhentosilencio@gmail.com
marcela.vegah@gmail.com
menezesjessica@globomail.com

1 em 4 mulheres é estuprada até o fim da vida. A maioria por um conhecido. Culpa, repressão e naturalização da violência nos silenciam. Neste filme-ensaio 4 mulheres, em um cenário alegórico, compartilham as dolorosas memórias da violência e seus processos de descobertas enquanto vítimas de estupro, enquanto refletem sobre o que é ser mulher nesse mundo. Este mundo ele feito para nós?

1 in 4 women will be raped in their lifetime. Most of them by men they know. The repression and naturalization of violence silence and blind us. In this film-essay we witness and register the discovery process of four women as victims of rape by their intimate partners. In an allegorical scenery they share their painful memories and reflect upon what it is to be a woman in this world. Is this world made for us?

Participação em festivais:
Panorama Internacional Coisa de Cinema-Salvador 2016; Mostra das Minas-Santos 2016; Mostra de Tiradentes 2017; Festival de Málaga-Espanha 2017; Festival de Kinóki-México 2017; Terceira Mostra de Cinema Feminista-Belo Horizonte 2017; Concordia Film Festival-Canada 2017; Mostra Lugar de Mulher é no Cinema-Salvador 2017; Mostra do Filme Livre-RJ/BH 2017; Festival Internacional de Curta Metragem de Weimar-Alemanha 2017; Berlin Film Society-Alemanha 2017; Mzansi Women’s Film Festival-África do Sul 2017; International Images Film Festival For Women-Zimbabue 2017; Festival de Cinema de Vitória 2017; Women Make Waves Film Festival-Taiwan 2017; Red Cross International Film Festival-Bulgaria 2017.

Participantes do Seminário 2:

Emy Lobo
Diretora, fotógrafa e idealizadora do Sobre Elas, um canal do YouTube de minidocs sobre mulheres e feitos por mulheres. Em outubro de 2017, lançou a campanha #SobreMachismoNoAudiovisual, que reúne relatos de mulheres que trabalham no cinema, TV e fotografia sobre os diversos tipos de opressão que sofrem no meio. Estudou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e Comunicação na PUC-Rio. Em 2016 dirigiu o documentário “Nem tão amigos assim – Uma ilha entre elas e ele”, filmado por ela sozinha durante uma viagem à Cuba. Seus filmes têm foco em videoativismo e são produzidos de forma independente, trabalhando na maioria das vezes sozinha.

Marccela Moreno
Roteirista, diretora e montadora, estudou Cinema na PUC-Rio. Trabalhou como assistente de casting em Berlim, atuou no curta “Doido Lelé” (2008) de Ceci Alves, migrou de funções até escrever e dirigir seu primeiro curta “Lemon Lips” (2011). Codirigiu, escreveu e protagonizou o curta “Por Acaso, Cidade”, vencedor do festival Curta na UERJ. Assina a direção, produção, roteiro e montagem dos videoclipes “Expressionismo Alemão” (2012), “Manhã” (2014) e “Menino Carioca” (2017) da cantora Nana, e “Cocoon” (2017) da cantora Luiza Boê. Seu curta “O Mais Barulhento Silêncio” circulou por ocupações e festivais em países como Alemanha, México, Zimbabue, Africa do Sul, Taiwan e Índia.

Renata Saavedra
Jornalista (UFRJ), mestre em História (UNIRIO), pós-graduada em Sociologia Urbana (UERJ) e em Gênero e Sexualidade (UERJ). Participou da produção do “Mapa de Cultura do Rio de Janeiro”, projeto pioneiro da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, coordenado pela Diadorim Ideias. Atua como Gerente de Comunicação no Fundo ELAS, único fundo brasileiro de investimento social voltado exclusivamente para a promoção do protagonismo e dos direitos das mulheres. Dedica-se ao estudo de manifestações culturais urbanas e coletivos jovens feministas, tema da tese de doutorado em Comunicação e Cultura que desenvolve na Escola de Comunicação da UFRJ.

Tainá de Paula
Arquiteta e urbanista, ativista feminista, especialista em Patrimônio Cultural pela Fundação Oswaldo Cruz e Mestre em Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atuou em diversos projetos de urbanização e habitação popular, pesquisando os processos de construção dos espaços de pobreza e políticas públicas de enfrentamento à desigualdade urbana. Atualmente é consultora técnica do Movimento dos Trabalhadores sem Teto do Rio de Janeiro e ativista da partidA Feminista, coletivo de mulheres que trabalha para a ampliação do protagonismo de mulheres na política.

Seminário 3

Sex/Fri 15 dez 13h

Debates em torno das violências contra as mulheres e o feminicídio
Em contraponto à cultura do estupro, que torna o corpo da mulher público, sujeito a permissividades, exposição e explorações, as relações opressivas se baseiam na posse, no direito ao domínio do corpo de uma mulher por um homem. Ou seja, quer seja público ou pertença a alguém, o corpo feminino não é da própria mulher. Em que medida a violência doméstica e o feminicídio são produtos de toda a sociedade? Homens, mulheres, judiciário, polícia, mídia, todos nós não estamos matando nossas mulheres?

Exibição dos filmes/Film screening

A boneca e o silêncio
Ficção/Fiction
19 min, cor/color
Brasil/Brazil, 2015

DIR Carol Rodrigues
R Carol Rodrigues
PE Heitor Franulovic e Paulo Serpa
F Julia Zakia
DA Monica Palazzo
M Eduardo Chatagnier
E Morgana Naughty, Giovanni Gallo, Naruna Costa, Eduardo Silva.

Contato/Contact
rsscarol@gmail.com

Sinopse
A solidão de Marcela ao tomar a decisão de interromper uma gravidez indesejada.

Quem matou Eloá?
Documentário/Documentary
24 min, cor/color
Brasil/Brazil, 2015

DIR Livia Perez
PE Giovanni Francischelli
P Fernanda De Capua
F Cris Lyra
DA André Menezes
M Cristina Müller e Lívia Perez
E Ana Paula Lewin, Analba Teixeira, Augusto Rossini, Elisa Gargiulo e Esther Hamburger
Contato/Contact
DOCTELA
contato@doctela.com.br
http://doctela.com.br/tv/quem-matou-eloa/

Sinopse
Em 2008, Lindemberg Alves de 22 anos invadiu o apartamento da ex-namorada Eloá Pimentel de 15 anos, armado, mantendo-a refém por cinco dias. O crime foi amplamente transmitido pelos canais de TV. “Quem matou Eloá?” traz uma análise crítica sobre a espetacularização da violência e a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, revelando um dos motivos pelo qual o Brasil é o quinto no ranking de países que mais matam mulheres.

Prêmios:
Melhor Filme, Melhor Roteiro (Lívia Perez), Melhor Montagem (Lívia Perez e Cristina Muller) e Melhor Primeiro Plano, Festival Primeiro Plano; Prêmio Eder Mazini de Montagem, Memorial do Cinema Paulista; Melhor Curta-metragem (Júri Jovem), VII CachoeiraDoc; 10+ Favoritos do Público, 27º  Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo; Melhor Curta-metragem Nacional e Menção Honrosa de filme para reflexão, 9º Festival de Cinema de Triunfo; Melhor Curta Documentário, GENII Awards, Alliance for Women in Media Southern California; Melhor Filme (Categoria Mulheres), IX Encuentro Hispanoamericano De Cine Y Video Documental Independiente “Contra El Silencio Todas Las Voces”; Melhor Curta-metragem, ATLANTIDOC Festival Internacional de Cine Documental de Uruguay; Melhor Curta Paulista, Semana Paulistana do Curta-metragem.

Participantes do Seminário 3:

Deixa Ela Em Paz
Representado por Manuela Arruda
O Deixa Ela Em Paz é um coletivo feminista que faz intervenções urbanas, ações de formação para jovens mulheres e ativismo digital. O grupo se formou em 2015, e desde então  cria ações que possam trazer visibilidade às pautas feministas no contexto urbano, utilizando uma linguagem simples e direta e materiais de baixo custo. Além disso, busca incentivar mais mulheres a utilizar a rua como espaço de expressão artística e política, reconhecendo o potencial transformador da reapropriação simbólica do espaço público pelas mulheres. Suas ações abordam diversos temas que afetam as vivências das mulheres, como o enfrentamento ao machismo e à discriminação de gênero, a violência contra a mulher nas suas mais diversas formas e a liberdade e autonomia das mulheres.

Fabíola Cordeiro
Antropóloga, mestre em Saúde Coletiva (Ciências Humanas e Saúde) e doutora em Sociologia. Desde 2006 trabalha com os temas relações de gênero, sexualidades, direitos humanos e segurança pública. Têm experiência em pesquisa social qualitativa com foco em violências conjugais e em coerção e negociação sexual entre jovens. Atuou como docente em cursos de sensibilização e capacitação em relações de gênero e direitos humanos para profissionais de educação e gestores públicos. Atualmente, é pesquisadora associada ao Núcleo de Estudos de Sexualidade e Gênero -NESEG/UFRJ, e investiga a situação das mulheres no sistema prisional fluminense.

Facção Feminista Cineclube
Representado por Sassá Souza, ativista e cineasta
Coletivo formado por mulheres da Baixada Fluminense que se define como uma rede de colaboração criativa independente e horizontal, com a intenção de exibir filmes de temática feminina (preferencialmente dirigidos por mulheres), ser espaço de formação feminista e estímulo de produção de conteúdo por mulheres. São integrantes da FFC: Ana Azevedo (é a cineasta? Se for o nome tá escrito errado), Ana Ribeiro, Bia Pimenta, Julianne Rodrigues, Mary Yram, Mônica Braga, Nathalie Peixoto, Nathalie Ribeiro, Nicole Peixoto, Sassá Souza.

Francine Barbosa
Roteirista e professora. Dirigiu e escreveu o curta-metragem CERIMÔNIA, exibido em festivais nacionais e em mostras de cinema brasileiro em Taiwan e Toronto. Foi corroteirista do documentário CANGAÍBA – LUZ E MOVIMENTO, do curta-metragem A NAVALHA DO AVÔ (vencedor de seis prêmios de roteiro em festivais) e do longa A CIDADE AQUI DENTRO (lançamento em 2018). Ministrou oficinas de roteiro na Biblioteca São Paulo, Biblioteca Villa Lobos e nos festivais Diálogo de Cinema (Porto Alegre) e Mostra Elas (Salvador). Atualmente desenvolve projetos de televisão e cinema voltados ao público adolescente e adulto, ministra aulas de roteiro e atua como parecerista em editais de audiovisual para órgãos estaduais, federais e privados.


Serviço

FEMINA – Festival Internacional de Cinema Feminino
Local: CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (21) 3808.2020
Datas: de 13 a 18 de dezembro de 2017
Horários: Consultar programação (sessões às 13h, 15h, 17h e 19h)
Entrada franca – Com distribuição de senhas 1h antes de cada sessão
Lotação: 98 lugares (mais 4 para cadeirantes)
Classificação: Consultar programação (desde livres – como o programa infantil, 12, 14 e 16 anos)
Acesso para pessoas com deficiência: sim

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