O ART IN Cine Joia é um projeto da Brisa Art, em parceria com o Cine Joia, que pretende ocupar a simpática sala de cinema de rua da década de 70 com conteúdo de Arte Contemporânea.

A cada edição o projeto apresentará programas diferenciados através da exibição de filmes de artista, vídeo arte, performances ou instalações.

Na sua primeira edição a Brisa Art convida a Galeria Vermelho que apresenta obras exibidas na sua Sala Antonio e trazem a fricção entre cinema e artes plásticas, em dois programas:
“Brasil: de 1500 a 2013” e “Entre documentário e ficção”
Ambos os programas falam da manipulação da imagem e construção da história via essa manipulação.

O primeiro programa parte do registro de um histórico encontro de xamãs yanomami com Xapiri (Gisela Motta e Leandro Lima), passa por um estudo da “descoberta” do território brasileiro com Vera Cruz (Rosângela Rennó), atravessa a questão da formação da identidade racial no Brasil com O caseiro (Jonathas de Andrade) e termina no início das manifestações que desencadearam nossa atual situação política com Proxy Reverso (Guilherme Peters e Roberto Winter).

O segundo programa começa com a questão do registro da história e suas tensões cromáticas com Reddishblue Memories (Iván Argote), traça um paralelismo entre maio de 1968 e julho de 2013 com O caso Dora (Dora Longo Bahia), desafia textos científicos com Fructose (Iván Argote) e revela a manipulação da imagem com Psicose (Gisela Motta e Leandro Lima).

O ART IN Cine Joia acontece nos dias 07 e 08 de dezembro de 2017, das 20h as 0h.


Programação

07/12_Brasil: 1500-2013 (193’)
Xapiri; Vera Cruz; O caseiro; Proxy Reverso

20:00
Xapiri
de Gisela Motta e Leandro Lima, com Laymert Garcia dos Santos, Stella Senra e Bruce Albert,
2013 – 55’

Entre março de 2011 e abril de 2012, Gisela Motta e Leandro Lima acompanharam encontros de xamãs na aldeia Watoriki, no Amazonas, a fim de colaborar em um registro audiovisual dos encontros. O resultado desse testemunho é um média- metragem de direção compartilhada entre a dupla com o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, a pesquisadora de cinema Stella Senra e o etnólogo-escritor Bruce Albert. Xapiri é, no entanto, um filme experimental que não se formula ao redor do ideal da objetividade impessoal. É, segundo Bruce Albert, “uma tentativa de tornar sensível, através de imagens digitais, certas ideias yanomami sobre as imagens xamânicas, sua ontologia e sua estética, sua transdução e mutabilidade nos corpos. Trata-se, antes de tudo, de uma homenagem visual à riqueza intelectual e poética do xamanismo yanomami”.

21:10
Vera Cruz
de Rosangela Rennó, 2000 – 44’

Vera Cruz é um projeto experimental fundamentado na ideia da “impossibilidade” de um documentário sobre o descobrimento do Brasil. Baseado no conteúdo da famosa carta escrita por Pero Vaz de Caminha, Vera Cruz é a cópia em vídeo de um filme (im)possível. Da imagem que foi subtraída vemos apenas a “imagem da película”, desgastada pelos 500 anos de existência. O som foi também subtraído. O que restou do relato, portanto, assumiu a forma de texto-legenda.

22:10
O caseiro
de Jonathas de Andrade, 2016 – 7’

O curta-metragem O Caseiro, propõe um diálogo com o filme de 1959, O Mestre de Apipucos, de Joaquim Pedro de Andrade. O filme é construído simetricamente em duas narrativas. À esquerda, o filme de 1959, gentilmente cedido pela produtora Filmes do Serro, exibe o cotidiano de Gilberto Freyre em sua casa no bairro de Apipucos, no Recife. À direita, Jonathas de Andrade cria um espelhamento simultâneo das cenas de O Mestre de Apipucos substituindo Freyre por um suposto caseiro da opulenta morada do sociólogo. O paralelo entre os dois personagens – aquele histórico do documentário, e aquele anônimo da ficção – estabelece uma tensão que sublinha aspectos de classe e raça, dois dos assuntos mais presentes na obra de Freyre, já que este aparece vivendo uma vida de registro aristocrático no filme de Pedro de Andrade.

Proxy Reverso
de Guilherme Peters e Roberto Winter, 2014/2015 – 87’

Proxy Reverso é um longa-metragem de ficção realizado com imagens capturadas de telas de computador pelos diretores Guilherme Peters e Roberto Winter. O filme conta a história de Davi Reis, um jovem paulistano técnico em informática que, após perder seu emprego, é levado a envolver-se no plano de seu amigo Luis Pires, um jornalista independente narcisista e obcecado pela fama. Luis quer usar as habilidades de hacker de Davi para acessar dados confidenciais que comprovem que o instituto Vox Populi fraudou o resultado de pesquisas de intenção de voto que precederam as eleições presidenciais de 2014 no Brasil. Proxy Reverso é um comentário sobre a facilidade de se criar verdades através de ferramentas amplamente acessíveis, e sobre como as instancias de comunicação e poder podem fazer uso interessado dessas verdades.


08/12_Entre documentário e ficção (159’16’’)
Reddishblue memories; Fructose; O caso Dora; Psicose

20:00
Reddishblue Memories
de Iván Argote, 2017 – 11’24”

Reddishblue Memories [Memórias azul-avermelhadas], de Iván Argote, utiliza memórias afetivas do artista como parte de um projeto de pesquisa e especulação em curso com base em um rumor associado à história da Kodak Company, de George Eastman, e sua mudança do filme Kodachrome para o Ektachrome. A troca foi alegadamente feita por razões ideológicas: no final da década de 1960, a companhia percebeu que as fotos feitas com Kodachrome tornavam-se avermelhadas com o passar do tempo e, no contexto da Guerra Fria, decidiu que os arquivos dos Estados Unidos não poderiam acabar com a cor do inimigo e desenvolveram o processo.

Fructose
de Iván Argote, 2016 – 22’52”

Nas profundezas do interior britânico, o governo inglês preserva com grande cuidado uma árvore. Trata-se da famosa macieira da qual, diz- se, um fruto em queda teria inspirado Isaac Newton, num de seus bucólicos passeios nos idos de 1666, e sua lei da gravidade universal. Partindo dessa anedota (na verdade fabricada 30 anos mais tarde pelo primeiro biógrafo do cientista) e do estado atual dessa lendária árvore, o artista colombiano Iván Argote realiza experimentos coreográficos e esculturais com a graça de imagens em velocidade reduzida, permitindo uma melhor observação do efeito da gravidade sobre diferentes corpos. Emprestando textos da história da ciência, manuais infantis e vídeos educativos, o filme oferece alegres ilustrações de fenômenos científicos.

21:00
O caso Dora
de Dora Longo Bahia, 2016 – 70’

O longa-metragem de Dora Longo Bahia, O caso Dora, pretende levar a cabo uma investigação prática situada no limite entre a documentação e a ficção, tendo como referência principal o filmeacontecimento de Jean-Luc Godard A Chinesa. A narrativa de O caso Dora estabelece um espelhamento distorcido entre os acontecimentos de maio de 1968, em Paris, e as manifestações de junho de 2013, em São Paulo. O título faz referência ao primeiro caso publicado por Freud em 1905, considerado, ainda hoje, um texto paradigmático por apresentar os dispositivos centrais de sua teoria sobre a histeria. Aproveitando a coincidência entre o codinome escolhido por Freud para sua paciente histérica e o primeiro nome da diretora do filme, O caso Dora propõe uma reflexão autobiográfica que também comenta a posição do artista na contemporaneidade.

22:10
Psicose
de Gisela Motta e Leandro Lima, 2015 – 65’

Gisela Motta e Leandro Lima apresentam Psicose, recriação do clássico de Alfred Hitchcock a partir de imagens e sons adquiridos em diversos bancos de “royalty free media”. Todo o material do filme original foi substituído, criando uma nova obra que mantém o original reconhecível. Além de levantar questões a respeito da originalidade, Psicose articula questões relativas à construção e articulação simbólica. Ao expor a pesquisa por imagens para a edição do filme em um canal secundário localizado na entrada da sala de projeção, Motta e Lima evidenciam como a montagem e a continuidade constroem sentidos. A pesquisa por uma imagem de um chuveiro ou de um letreiro de motel isoladamente podem não trazer aspectos conectados ao filme de Alfred Hitchcock, porém a montagem tece uma relação entre as partes, corporificando um todo reconhecível.


Realizadores

A Brisa Art é uma consultoria especializada em arte contemporânea, fundada em 2016 pelas sócias Maria Luz Bridger e Fernanda Sattamini, que atua na aquisição e venda de obras para coleções privadas e institucionais, assim como na criação e realização de projetos culturais, ocupações e exposições.

O Cine Joia é uma pequena sala de cinema de rua da década de 70, situada no tradicional bairro de Copacabana, feita para os apreciadores de filmes de qualidade, nacionais e internacionais, clássicos, independentes e alternativos ao circuito comercial das grandes salas de cinema.


Serviço

ART IN Cine Joia
Realização: Brisa Art e Cine Joia
Curadoria: Galeria Vermelho – Gabriel Zimbardi (Programador da Sala Antonio)
Ingressos: R$10,00
Cine Jóia, Shopping 680 & Ed. Central Copacabana – Av. Nossa Sra. de Copacabana, 680

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