A simplicidade de uma época esteticamente repaginada

Por Fabricio Duque


É um pouco mais dificil manter a surpresa do mistério do final do filme “Assassinato no Expresso do Oriente”,  àqueles que leram o livro homônimo da rainha do suspense Agatha Christie, cuja história é baseada. Na nova versão, realizada em 66mm, do diretor britânico Kenneth Branagh (de “Muito Barulho Por Nada”, “Hamlet”, “Voltar a Morrer”, “Frankenstein de Mary Shelley”), a maestria está na própria condução narrativa pela plasticidade de sua fotografia estética que conjuga efeitos especiais ultra-realistas. Nós espectadores somos transportado ao universo retratado por causa de sua atmosfera que interage experiências de terceira dimensão sem a necessidade da utilizações de óculos especiais.

“Assassinato no Expresso do Oriente”  busca imprimir uma época datada, uma inocência perdida e uma nostalgia que encontra atualidade. É a encenação da magia ilusória do cinema. Que constrói ficção com propósito ficcional, aos moldes inferências a “Expresso Polar”, de Robert Zemeckis; “A Invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese; “8 Mulheres”, de François Ozon; “A Volta ao Mundo em 80 dias”, de Michael Anderson; e “O Grande Hotel Budapeste”, de Wes Anderson. O longa-metragem deseja resgatar a essência da ingenuidade, que crimes eram desvendados por logica e possuíam razões para acontecer. Uma morte causava comoção, curiosidade, preocupação, respeito, importância e o dever ético da investigação até sua conclusão.

“Assassinato no Expresso do Oriente” é sobre um mundo passado que não existe mais. Um mundo de percepções indicativas de pistas mais simples que levam a solucionar a ilicitude. A história acontece em 1934 e se inicia pelas certeiras deduções-previsões sagazes-perspicazes do poliglota e idiossincrático Inspetor francês Hercule Poirot – “o melhor do mundo” (e “não Hercules, porque não mato leões” – que “consegue ver o mundo como ele é”), dos “ovos perfeitos”, durante a solução de um roubo no Muro das Lamentações, entre piadas religiosas e flashbacks explicativos em preto-e-branco.

A câmera passeia com domínio absurdo e leveza gingada em ritmo cadenciado, quase uma mosca que não se faz perceber, atravessando reflexos e vidros. ”Quem se beneficia com o crime?”, pergunta. A trama cria o lúdico com seus personagens quase estereótipos à teatralidade, embalados pela trilha-sonora, que representa imponente potência performática, em tom de uma redenção auto-ajuda esperançosa.

O detetive Hercule Poirot (o ator Kenneth Branagh, o próprio diretor) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

Conta-se com um elenco de renomados, famosos e premiados atores, que incluem Johnny Deep, Michele Pfeiffer, Willem Dafoe, Penelope Cruz, Judi Dench, entre outros. Há também uma preocupação em ambientar os cenários, como Istambul e descrever suas personagens sem prévios julgamentos, caso de um prostituta. “Há arte no nepotismo”, diz-se. Cada um deles possui a unicidade de suas personalidades e habilidades. Cada um com seus compromissos e atrasos. São diferentes e totalmente iguais. Há uma elegante espontaneidade no ser, estar e no agir, talvez pelo jazz standart que nos conecta. “Homens que abrem a boca perdem prêmios”, diz-se.

“Romance nunca fica impune”, diz-se entre segredos e separações de “espécies-raças”. Sim, no fundo, no fundo, é sim um filme com toques racistas. Mas nós precisamos observar que era uma época que o politicamente incorreto não patrulhava tanto e que definia que a “idade mostrava o saber do gostar e do não gostar” e do “aproveitar e o não suportar”. Com possibilidades a “sobremesas extravagantes” e “justiça subjetiva”.

“Assassinato no Expresso do Oriente” conta histórias. E causos por quebra-cabeças. Saindo da “racionalidade” e “pensando com o coração”. Mas nunca “proteger criminosos” com “provas, ordem e método”. Aos poucos, hipocrisias são confessadas. Xenofobia, o negro como “o pior deles”. Religião contestada (“Deus está sempre ocupado”). E a “natureza humana que é perversa em sua complexidade”. E com “medo de tudo”, Os diálogos rebatem com sacadas e “com direito a uma coincidência”.

Talvez para conservar o elemento mais datado, o filme desemboca no campo sentimental nas lembranças, nos flashbacks e na redenção em humanizar todos em “pessoas boas” contra o assassinado “porco”. Com discernimento e mente lúcida, é sobre “chances de curar pessoas e encontrar a paz”. E no final, a ponte de continuação ao outro livro, “Morte no Nilo”. E mais uma vez, férias são anuladas para novos novas proteções e novas elucidações. Então, caro espectador, não leia o livro antes! E se já leu, tente não se lembrar!

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