Check-list de filme hollywoodiano

Por Luiz Oliveira


John Cameron Mitchell faz poucos filmes. Até hoje, dirigiu três, cada um único e importante de sua própria maneira. Por ser um auteur, que aparenta ter completo controle criativo sobre seu trabalho, é infelizmente fácil entender que seus trabalhos prévios não foram sucesso de bilheteria, embora fossem de crítico. Por isso “How to Talk to Girls at Parties” parece ser uma legítima tentativa de atingir um público melhor.

Baseado na HQ de Neil Gaiman, o filme é uma história de amor dos anos 70 entre Enn (Alex Sharpe), adolescente de Londres que adotou a filosofia punk para sua vida, e Zan (Elle Fanning), uma alienígena intergalática cuja espécie está disfarçada na Terra para um misterioso ritual. Claro que Enn não sabe disso de início, confundindo-a com uma aluna em intercâmbio, mas quando a verdade é revelada Enn e os punks de Londres tem de salvar Zan de seu destino.

Em vez de Mitchell aproveitar a máquina de Hollywood para imprimir sua estampa em um filme comercial, parece que “How to Talk to Girls at Parties” o engoliu inteiro. Com apenas duas sequencias memoráveis, o roteiro parece mais ser uma check-list de filme hollywoodiano do que uma história original. A tese, um tanto restritiva, de que punks são indivíduos e aliens conformistas, fica vazia numa história aonde a maioria de personagens e figurantes são punks, com aparências um tanto parecidas.

Os dois atores principais bem que tentam dar vida aos personagens–Fanning, altíssima, com cabelos platinados, olhos enormes e um pescoço elongadíssimo é uma escolha perfeita para uma alienígena adolescente. Sharpe consegue injetar peso emocional nas tribulações típicas de um menino um tanto chato. E nem o design da peruca punk de Nicole Kidman, num papel coadjuvante, consegue salvar a turma. Alias, as perucas e figurinos são as únicas áreas onde este filme consegue ser original.

“How to Talk to Girls at Parties” não decepciona por ser um filme ruim, pois não o é. É uma obra meramente regular num universo aonde poderia ser bizarro. Exceto por uma sequencia logo no início, aonde Enn e seus amigas descobrem o prédio habitado pelo culto alienígena e outra quando ele canta junto com Zan, você já viu esse filme antes. Mil vezes antes.

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