Amor, devoção e sacrifício

Por Renata Belich


Como sempre, é complicado escrever sobre os filmes de Darren Aronofsky (Pi, Réquiem para um Sonho, Cisne Negro), pois ele possui uma estética muito peculiar, principalmente quando se diz respeito a roteiro e fotografia, em “Mãe” não seria diferente. Estrelado por Jennifer Lawrence (Passageiros), Javier Bardem (Onde os Fracos não têm Vez), Ed Harris (Westwordl), Michelle Pfeiffer (Ligações Perigosas), Domhnall Gleeson (Questão de Tempo), Brian Gleeson (Assassin’s Creed) e Kristin Wiig (Caça-Fantasmas), o filme é uma viagem surrealista ao egocentrismo do ser humano em forma de poema.

Assim como o terceiro filme do diretor “Fonte da Vida”, o filme está completo de metáforas envolvendo alegorias, que são representadas por um escritor, sendo elas em um livro ( Fonte da vida) ou em forma de poema (Mãe), fazendo assim o espectador ficar confuso sem saber”se aquilo é real ou faz parte de um jogo psicológico, como foi visto em “Cisne Negro”, porém “Mãe” e “Fonte da vida” vai muito além da psicologia ou realidade, diria que entra em mundo filosófico no qual temos que manter a mente aberta para poder mergulhar, e isso faz com que o filme se diferencie dos demais.

A trama se desenvolve em uma casa isolada habitada por dois personagens sem nome: Uma jovem dona de casa, restauradora e possessiva (Jennifer Lawrence) e seu marido, um poeta famoso com bloqueio criativo (Javier Bardem), até que um certo dia um estranho chega na casa pedindo abrigo (Ed Harris) e sem consentimento de sua mulher ele o hospeda, logo após sua mulher (Michelle Pfeiffer), ttambém aparece sem ser convidada na casa, assim mudando a vida do casal, desencadeando vários acontecimentos que iriam aos poucos sufocando a protagonista e também o telespectador, pois a sensação causada pelos planos mais fechados e ausência de som nos causa um certo desconforto, este que só piorava em cada mudança de ato.

O diretor a cada ato dava pistas do que seria o final, em frases, objetos de cena e até mesmo sons, e se for juntando as peças ou conhecer a filmografia do diretor, no começo do terceiro ato irá ter uma ideia do que o filme se trata. Neste ato o surrealismo e metáforas são tão evidentes que somente horas depois você consegue digerir, pois além de grandes questionamentos de comportamentos da sociedade, também vemos críticas ao fanatismo religioso, fome, guerras, mudanças climáticas e crise de refugiados, genialmente realizado tudo em apenas uma locação, como se a casa fosse um teatro.

Um dos pontos mais positivos foi a fotografia e montagem, com sua movimentação de câmera certa e a escolha dos planos de forma que se torne sensorial para quem estava assistindo, sabendo utilizar na hora certa, seja nos closes em sua protagonista quando ela se sentia sufocada, ou nos planos médios e gerais conforme ela sentia o afastamento das pessoas e seu maridos, e até mesmo nos falsos planos sequências trabalhados como uma orquestra junto com a montagem, como foi feito em “Birdman”.


Coletiva de Imprensa

Foto de Renata Belich (exclusivo Vertentes do Cinema)

Coletiva de imprensa do filme mãe aconteceu no dia 20 de Setembro em São Paulo. O diretor Darren Aronofsky conversou sobre seu sétimo filme “Mãe”e respondeu perguntas sobre religião, esperança, filmes independentes x filmes comerciais, direção de arte entre outros.

Aguarde a transcrição completa amanhã, dia 21/09, no fim da tarde!

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