Polícia Federal – A lei é para todos ou só para o Jabuti?

Por Renata Belich


No site oficial, a Polícia Federal tem como missão declarada a de “Exercer as atribuições de polícia judiciária e administrativa da União, a fim de contribuir na manutenção da lei e da ordem, preservando o estado democrático de direito”; como visão de futuro a de “Tornar-se referência mundial em Ciência Policial”; e como valores Coragem (“Agir no cumprimento de dever em situações extremas, ainda que com risco à própria vida”; Lealdade (“Cultuar a verdade, a sinceridade e o companheirismo, mantendo-se fiel às responsabilidades e aos compromissos assumidos”); Legalidade (“Comprometer-se com a democracia e com o ordenamento jurídico vigente, sublimando a determinação de defender os interesses vitais da União”); Ética e Probidade (“Desenvolver práticas de gestão e padrões de trabalho calcados em preceitos éticos e morais, pautados pela honradez, honestidade e constante busca da verdade”); e Respeito aos Direitos Humanos (“Alicerçar atitudes, como servidor e cidadão, na preservação dos princípios basilares de respeito aos Direitos Humanos”).

Sabemos que a corrupção no Brasil não é de agora e que historicamente é recorrente desde a chegada dos portugueses ao Brasil. Assim inicia-se em forma de uma excelente animação a introdução do longa-metragem “Polícia Federal – A lei é para todos”.

Com orçamento aproximado de R$ 15 milhões, o primeiro filme da trilogia dirigida por Marcelo Antunez (de “Qualquer Gato Vira-Lata 2”), retrata o início da investigação da Operação Lava Jato, desde a apreensão do caminhão com cocaína, que mais tarde faria a ligação aos doleiros e empreiteiros, até chegar à condução coercitiva do ex-presidente Lula.

Narrado pelo ponto de vista de seu protagonista, Ivan Romano (Antonio Calloni) a trama se desenvolve a partir da investigação do doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli) que mais tardar desencadearia os outros envolvidos na corrupção, até chegar em quem colocou o “Jabuti na árvore”, onde foi empregada a metáfora utilizada para retratar quem comandava todo o esquema.

2013. Durante a realização da Operação Bidone, a Polícia Federal apreende no interior um caminhão carregado de palmito, que trazia escondido 697 kg de cocaína. A investigação recai na equipe montada por Ivan Romano (Antonio Calloni), sedida em Curitiba e composta também por Beatriz (Flávia Alessandra), Júlio (Bruce Gomlevsky) e Ítalo (Rainer Cadete). As conexões do tráfico os levam ao doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli) e, posteriormente, ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), que revela uma imensa estrutura envolvendo construtoras e o governo, de forma a desviar dinheiro público. À medida que a investigação avança, o grupo liderado por Ivan se aproxima cada vez mais de alguns dos políticos mais influentes do país.

Mesmo tendo pontos positivos como sua montagem e direção de arte, o filme pecou em pontos fundamentais, como a falta de um forte antagonista e personagens sem nenhum tipo de profundidade e empatia, com exceção do personagem Júlio (Bruce Gomlevsky) que teve explorado seu lado familiar com o intuito de mostrar uma discussão “pacífica” sobre política com seu pai, no qual sabemos que é muito raro acontecer quando se trata de opiniões divergentes no meio político.

Outro ponto negativo é a utilização de imagens de forma didática, pois se já possui um narrador em primeira pessoa, não precisa colocar todos os detalhes do qual ele já esteja falando, questionando assim a capacidade de entendimento do telespectador.

Sua fotografia mesmo carregada de “over the shoulder” tem destaque quando se diz respeito as cenas do personagem de Sérgio Moro (Marcelo Serrado), ressaltando o contra-plongée demonstrado superioridade que o juiz representava na narrativa.

O quê chamou mais atenção foi a atuação de Ary Fontoura como Lula e a tentativa de reproduzir a mesma forma de falar que o ex-presidente, levando o público a altas gargalhadas.

Analisando o filme como todo, não chega ser ruim, porém tinham um tema bastante forte para ser abordado e fizeram de forma tão superficial, de maneira que parecesse mais um filme de ação hollywoodiano.

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