O Dia Cósmico da Marmota

Por Fabricio Duque


“2:22 – Encontro Marcado”, do australiano Paul Currie, estreante na direção de um longa-metragem, é um filme de padrões, tanto em sua técnica cinematográfica, quanto em seu paralelismo narrativo conduzido. Segue-se exatamente a “fórmula” com seus clichês sentimentais; seus gatilhos comuns óbvios; suas ações inconsistentes; suas ingênuas micro-ações continuadas; seu roteiro frágil – e potencialmente palatável (digamos até que já vem mastigada ao espectador, que a única opção que tem é engolir pela solidária cumplicidade); suas desengonçadas reviravoltas; sua urgente epifania; e suas inexplicáveis conexões.

Aqui, há de tudo. Rotinas quebradas por uma “falha” imposta pelo Cosmos, universo este que deseja articular sinais, unindo mundos paralelos sobrenaturais, que se interagem pelo conceito da reencarnação do amor eterno. Esta “premonição” funciona como uma lembrança do passado. Na religião espírita, antes de seres re-encarnarem a Terra, as memórias são apagadas, restando somente percepções, propósitos e o livre-arbítrio vigiado de poucas mudanças à moda de “Maktub”, visto que tudo já estava escrito a acontecer.

“2:22 – Encontro Marcado”, ambientando-se em New York, aborda a astronomia, de “mudanças eletromagnéticas”, como fio condutor, explicando que “cada estrela poderia ser a vida de uma pessoa” e que “cada uma dessas pessoas buscava padrões ao olhar o céu estrelado para prever o que aconteceria em suas vidas. E se você entendesse esses padrões, seria capaz de saber o que aconteceria antes de qualquer um”.

Dylan Branson (o ator holandês Michiel Huisman, de “Livre”, “Amor em Tempos de Guerra”, “A Incrível História De Adaline”, e foi Daario Naharis em “Game of Thrones”) é um homem que tem a sua vida permanentemente mudada quando uma série de eventos se repete exatamente no mesmo horário todos os dias, às 2:22 da tarde. Quando Dylan se apaixona por Sarah (a atriz australiana Teresa Palmer, de “Meu Namorado é um Zumbi”, “Eu Sou o Número 4”, “Até o Último Homem”), uma jovem mulher que tem sua vida ameaçada pelos eventos ocorridos, ele deve resolver o mistério que o cerca para preservar o amor que a vida lhe ofereceu como uma segunda chance.

“2:22 – Encontro Marcado” tenta imergir o público em um Thriller, mas o consegue é uma sucessão descambada de irregularidades, muito pela falta de química de seus atores e muito pela artificialidade, que impossibilitam, assim, sua credibilidade contextual. Sim, busca-se ser um filme entretenimento com alguma profundidade existencialista por elencar as teorias da Relatividade de Einstein com a do Caos. Então, uma ínfima micro-ação, como uma gota, e ou a passagem de um avião, pode determinar consequências futuras que mudarão drasticamente o rumo de suas personagens. Aqui, sutilmente, podemos inferir também a teoria do Dia da Marmota, que se configura como toda situação irritante que se repete ciclicamente sem que possamos evitar.

O longa-metragem, que não tem nada a ver com o nome homônimo traduzido do filme com Brad Pitt, é, acima de tudo, uma carta incondicional ao amor romântico, que atravessa o tempo para encontrar a figura amada de um “amor possível” . “As estrelas brilham mais antes de morrerem” “e no fim, só amor pode revelar a verdade”, finaliza-se com uma alta taxa de glicose. É tanto açúcar junto que agita e entorpece com a preguiçosa e ou falta de prática da direção. Portanto, este encontro marcado não deu muito certo. Próximo!

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