Ah, vai, dê um like, não custa nada!

Por Fabricio Duque


Uma das dicas do site Vertentes do Cinema vem da estreia do seriado da Netflix “Haters Back Off!”. Sim, por que limitar se podemos vertentear em novas plataformas?

O programa conta a história da crença absoluta de Miranda em suas “maestrias perfeitas”, que tem sua família para apoiá-la (a protegendo e fingindo suas fragilidades e incompetências existenciais – algo como “A Vida é bela”, de Roberto Benigni e a música “Traumas”, com a interpretação de Roberto Carlos) seu querer máximo em ser famosa.

Não há como não referenciarmos a “artista” Florence Foster Jenkins, que já foi retratado por Meryl Streep no filme de Stephen Frears, “Florence, Quem é Essa Mulher”, que por sua vez aqui na série em questão “empresta” sua personagem protagonista de “Diabo Veste Prada”, visto que é quase impossível, de forma explícita, não lembrarmos da relação Miranda e as “escravas” de nome Emily.

A Miranda da televisão americana é egoísta, excessivamente individualista, sem talento e com alto excesso de confiança “sem noção”. e representa uma crítica ácida (porém altamente divertida, inteligente e sensível) ao comportamento americano da idiotização social, em que o sucesso e a fama são medidos em likes (curtidas) das redes sociais.

É a geração youtuber. Com suas papagaiadas, gaiatices e investidas apoteóticas no humor caricato-estereotipado. Retro-alimentada pelo entretenimento sem conteúdo, infantilizado e limitado.

“Haters Back Off” é a representação máxima da sociedade do espetáculo, já muito bem exemplificado e afiado em “Fahrenheit 451”, livro de Ray Bradbury e filme de François Truffaut.

Aqui, o final surpreende pela desesperança de um mundo melhor (e mais “saudável”) ao ser conduzido a um universo robótico Dummies de ser, trazendo a tona “O Idiota”, de Dostoiévski e “Os Idiotas”, de Lars von Trier.

Como sempre diz a máxima popular: “Os idiotas vão dominar o mundo porque são muitos”, e estes acreditam que conteúdo bom é conteúdo com visualizações. E como diz uma amiga minha, Gabi Miguez, “A Vida não é medida em likes”.

Então, se você gostou deste texto, seja uma Miranda (a atriz Colleen Ballinger) e dê o like para ajudar a “viralizar” o “sonho americano do showtime”; ou seja uma Emily (a atriz Francesca Reale) e continue a “pintar” um mundo menos “assaltado” pela pressa da fama imediatista.

Ah, vai, dê um like, não custa nada!

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