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Clichê no título, no início, no meio e no fim

Por Marcus Teixeira


Maximo (Eugenio Derbez) sempre cultivou um sonho: ser rico! Durante a juventude, ele percebe uma grande oportunidade ao conhecer Peggy (Renee Taylor), uma viúva milionária e acredita que a idade dela será um trampolim para pôr a mão na grana da ricaça. Porém passado vinte cinco anos, já não ostentando o mesmo preparo físico de antes, ele acaba sendo trocado por um rapaz mais novo.

Obrigado a sair da casa em que vivia com a esposa, Maximo, tenta restabelecer laços que o dinheiro fez com que deixasse para trás. Sem ter onde morar e sem experiência de trabalho, parte em busca da irmã Sara (Salma Hayek), que mora com o filho Hugo (Raphael Alejandro).

“How to be a Latin Lover”, título “original” para um filme nem um pouco original, bastante clichê na verdade. Por isso é bom deixar bem claro o significado desta palavra, que segundo o dicionário quer dizer: expressão idiomática que de tão utilizada, se torna previsível. Isso é tudo o que você precisa saber antes de querer assistir essa comédia.

O filme é uma produção americana voltada para o público hispânico. A direção de Ken Marino, não traz muitas surpresas. O filme parece seguir aquilo que se espera dele, retratar de forma caricata a visão que, talvez, a comunidade americana tenha dos latinos. Os perfis caricatos estão todos presentes o espertalhão e aproveitador, a figura da mulher fazendo a tríplice mãe-solteira-trabalhadora. Não há o esforço em desconstruir a imagem, o filme reforça os estereótipos.

As interpretações do filme são o, que podemos chamar, ponto alto. Eugenio Derbez tem carisma, o amante latino em de decadência é crível, embora o texto reforce bastante o lado cafajeste do personagem. Salma Hayek é a irmã solteirona na espera de um grande amor. Raphael Alejandro é a criança fofa, que filmes como esse parecem exigir no roteiro.

A cumplicidade de Hugo com Maximo poderiam ter sido melhor exploradas. As cenas em que os dois conversam e que discutem, valorizam as características dos personagens, o garoto responsável que serve como contraponto ao tio, irresponsável e muitas vezes infantil. Há sintonia dos atores. É possível acreditar na relação de ambos, perceber o amadurecimento da relação dos personagens, que se tornam cúmplices ao longo filme.

O desenrolar do filme é arrastado. Em certos momentos não fica claro as motivações das ações. Os personagens parecem andar em círculos sem sair do lugar, na narrativa. Com quase duas horas, o filme não empolga, culpa do roteiro que optou por uma comédia embasa nos estereótipos.

Em “…Latin lover” as cenas dão a impressão de terem sido pinceladas de outros filmes para preencher a “barriga” do roteiro. Mas é lógico que há cenas engraçadas, afinal estamos falando de uma comédia e o mínimo que deve fazer é o espectador rir, em algumas cenas isso é possível, porém já vimos em algum outro filme do gênero, em especial as comédias brasileiras ou os pastelões americanos. Cenas como, por exemplo, troca do nome de determinado personagem, sunga minúscula, peito cabeludo, dancinha excêntricas, estão todas presentes.

A comunidade latina hoje ultrapassa a marca dos cinquenta e cinco milhões no Estados Unidos. A marginalização que havia da figura latina hoje já não existe com a mesma força de anos atrás, mas isso se deve a uma militância empoderada de ativistas e celebridades, incluindo a própria Salma Hayek, que lutam pela valorização dos latinos, combatendo preconceitos e estereótipos que o filme tanto reforça.

Em época de empoderamento, onde o usual é valorizar as características que anteriormente seriam minimizadas, o filme soa preconceituoso. “Como se tornar um conquistador” poderia ser uma comédia de desconstrução dos tipos tão característicos do cinema, quando falamos da comunidade latina, mas não é o caso.

Não apenas a comunidade latina é retratada de forma pejorativa no filme. As piadas com Pessoas com Deficiências quem beiram o status “vergonha alheia”, são constrangedoras e dispensáveis na construção da narrativa do filme, ou seja, elas não alterariam em nada se fossem cortadas.

“Como se tornar um conquistador” é um filme para quem busca o entretenimento pelo entretenimento. Um bom filme para quem não dá importância para os chamados “mimimis” das redes sociais, com assuntos tão pautados na atualidade como o machismo, a exploração sexual e o empoderamento.

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