o-estacionamento-poster-deitado

Por Fabricio Duque

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2016

Durante o Festival do Rio 2016

“O Estacionamento”, do paranaense William Biagioli, não só foi o grande vencedor na categoria Melhor Curta-Metragem no Festival do Rio 2016, como também foi o escolhido e premiado no Prêmio Vertentes do Cinema. Tudo devido ao preciso domínio da narrativa que referencia, implicitamente, à estética fantasiosa-surreal do cineasta Leos Carax (pela personificação existencial a automóveis solitários e aprisionados em um estacionamento). O curta-metragem conduz o espectador a sentir a loucura “maquinária”, de preconceito alheio (por brancos “superiores”) e sobrevivente de um imigrante vindo do Haiti, buscando a chance da integração social. A narrativa constrói um submundo de ficção-científica pós-apocalíptico, em um minúsculo quarto à moda de “Branco Sai, Preto Fica”, de Adirley Queiroz, para metaforizar a dialética da comunicação, pela interferência dos ruídos, e para potencializar a loucura alienante dos indivíduos comunitários que precisam conviver com a figura “alien” dos próximos diferentes e estrangeiros de si mesmos. Uma fábula de realismo fantástico que pontua de forma precisa e irretocável em um problema agravante e “varrido para debaixo do tapete” de nossa sociedade antiquada e altivamente arrogante, com um elenco formado por não-atores, quase todos sem nenhuma experiência prévia (“uma camada de compreensão para o filme”, disse seu diretor). Recomendado. Imperdível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados