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Fúria e folia indissociáveis

Por Francisco Carbone

Vando (vulgo Vedita) não é visto faz um tempo nas ruas da Barra. Leonardo Mouramateus, enfim, vai estrear nos longas! Deve ser a estreia mais aguardada entre os cinéfilos brasileiros que acompanham a carreira dele e já conferiram a potência de filmaços como ‘História de uma Pena’, ‘O Completo Estranho’, ‘Lição de Esqui’, ‘A Era de Ouro’ e tantos outros. Agora ele se encontra com Andreia Pires e simplesmente entregam a melhor produção da Mostra de Cinema de Tiradentes 2017, um filme que não deveria ser sequer discutido suas chances em premiações, pra onde se olha. De montagem extraordinária e fotografia também acachapante, o espasmo que Andreia e Leonardo produziram para as telas promove no espectador a melhor sensação possível num curta-metragem: a vontade de querer mais. Mais daqueles personagens, mais daquela história, mais daqueles encontros, mais daquela magia, mas principalmente muito mais dessa mise-en-scène conjunta e belíssima, que encontra ecos nos melhores momentos de Harmony Korine (como o já seminal ‘Spring Breakers’) e, talvez por um acaso, num indie americano pouquíssimo visto como ‘Hellion’, de Kat Candler, de quem atravessa os sonhos e desejos recônditos de alguns personagens, observados de maneira fulgás mas muito precisa por Andreia e Leonardo. Acho que Vando teria orgulho de ser observado e procurado dessa forma por esse singular grupo de anjos caídos, um comboio geracional que pode tudo e terá tudo. O contraste entre o que se pode agarrar, o que se tem de conquistar e uma barreira perigosa para ultrapassar faz com que o brilhantismo de ‘Vando Vulgo Vedita’ não se restrinja ao “superficial”, ainda que seja errônea essa afirmação. Ainda assim, Leonardo e Andreia não se furtam em explodir seu idílio com fúria e uma veracidade que só a mais cruel das quebras de quarta paredes possam explicitar. Um soco suave na areia, uma carícia que faz sangrar… e um universo que te captura pra sempre. E uma observação final: “Vampiro Sexual” é candidata favorita a melhor cena/canção de 2017 em audiovisual.

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