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Explosão de comunicação popular empoderada

Por Francisco Carbone

As credenciais não negam. Ao término de ‘Baronesa’, que participa da competição da Mostra de Cinema de Tiradentes 2017, um nome chama a atenção entre os montadores do filme: Affonso Uchoa, exatamente o diretor de ‘A Vizinhança do Tigre’, que foi vencedor da Mostra Aurora alguns anos atrás. Juliana Antunes, diretora do filme em questão aqui, não tem como negar suas interligações, ainda que sigamos aqui um ponto de vista feminino sobre o universo periférico de Minas Gerais, com seus problemas, suas personalidades fortes e ricas, com sua narrativa atraída pelo docudrama. Juliana demonstra saber em que fonte beber, mas não exatamente como.

A sinopse nos conta que Andreia quer se mudar. Leid espera pelo marido preso. Vizinhas em um bairro na periferia de Belo Horizonte, elas tentam se desviar dos perigos de uma guerra do tráfico e evitar as tragédias trazidas junto com a chuva.

Ainda que saibamos que esse (ou ‘Vizinhança’) não foi o primeiro filme do gênero e com as mesmas particularidades – e também não será o último – isso não é necessariamente um problema em ‘Baronesa’. De forte teor feminista a começar pelo título em triplo sentido, o longa tem uma clara identificação com a platéia, na sua musicalidade, nos seus personagens ricos, no seu teor em ritmo de denúncia, na sua liberdade narrativa e na simplicidade de suas relações, de fato Juliana conquista com decisões audiovisuais certeiras. Certeiras mas não necessariamente eficientes, do ponto de vista cinematográfico. Um dos problemas de ‘Baronesa’ é investir em reiterações sempre que possível, parecendo não acreditar no poder que ele mesmo dá ao espectador.

Outro problema, talvez mais grave, é mastigar muito uma cena até torná-la o mais posada possível; isso num filme que se pretende realista e coloquial, o excesso de pose e de falta de naturalidade de ao menos uma das duas atrizes (Leidiane Ferreira) comprometem a visão de Juliana, que parece estar no caminho certo. Um caminho que, no entanto, sabemos precisar de maturidade. É só observar o que ela consegue fazer com cenas com “menos trama”, como a do banho na tina, a captura do porco, as tantas cenas em que os personagens fazem as unhas – todas funcionam – e a incrível abertura, uma espécie de convocação armada à luta, uma leitura de corpos em espaço cênico muito acertado. Aliás isso é uma característica positiva do filme, Juliana sabe como posicionar sua câmera, seus atores, sabe ler e dar função a seus corpos. Precisa agora refinar sua composição textual e ter mais confiança no retrato que radiografa.

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