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Delicioso passatempo sem sabor de arrependimento

Por Francisco Carbone

Uma comédia romântica geralmente depende 80% da química do casal central, então passa pela escolha deles grande parte do sucesso de cada título do gênero. Não sei se casting, ensaios ou química prévia, mas é necessário uma conexão que una os dois atores e também que essa química não fique presa nas filmagens e na tela, mas ultrapasse isso e chegue até o público. Pois o longa de Alexandre Reinecke tenta isso em dobro e marca dois golaços de partida, mas a verdade é que Reinecke foi na boa. O casal veterano de seu filme é vivido por Zeze Polessa e Daniel Dantas, que acabam de vir da prova de fogo chamada ‘Quem Tem Medo de Virginia Wolf?’ no teatro, onde ganharam inúmeros prêmios pelos clássicos papéis vividos no cinema por Elizabeth Taylor e Richard Burton, além dos anos de parceria televisiva; o casal jovem é vivido por Paulo Vilhena e Fernanda Paes Leme, que começaram juntos no seriado ‘Sandy & Junior’ e desde então já trabalharam juntos diversas vezes, inclusive no teatro.

Partindo desse princípio e com um time já vencedor, Reinecke adapta uma peça de teatro simples porém de identificação rápida e riso fácil. O filme segue esses dois casais e vai correlacionando as duas histórias, em total sintonia apesar das gerações separadas. Os problemas de uns refletem na realidade dos outros e vice-versa, nada ultra elaborado não, mas de conexão imediata. Zeze é uma terapeuta de casais cujo casamento com Daniel tá escorrendo pelos dedos apesar de tudo, e Paulo resolve arrastar Fernanda para essa mesma terapia depois da enesima briga sem sentido. Os problemas de um ajudarão a perceber problemas em si mesmo e, sem saber, eles se ajudarão a entender e solucionar seus dilemas. Todos muito modernos e atuais, que todos nós já vivemos.

Além do acerto da escalação e da simplicidade da trama que diverte e faz pensar, Reinecke também se cercou de bons profissionais como Jacob Solitrenick na fotografia e na direção de arte cuidadosa. O filme é muito vivo e claro, e os cenários além de funcionais e bastante reais, são muito bonitos. Na verdade, o filme é um grande conjunto de acertos surpreendentes que se seguem, resultando num delicioso passatempo com gosto de ‘tempo bem gasto’ dentro de uma sala de cinema. Nos tempos de hoje, em que sabemos a quantidade de atrações que existem pra tirar qualquer um de qualquer evento, é muito saber que o nosso cinema investe também em cinema pop de tanta qualidade. É só saber procurar que as opções estão disponíveis.

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