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Quando o flagrante delito é cometido por todos nós

Por Francisco Carbone

Não se sabe de onde pode vir a inspiração de artistas. As vezes de um mero hobbie, como colecionar vídeos de furtos de câmeras de segurança pelas ruas da cidade. O diretor Yuri Firmeza teria esse hábito (quem nunca teve um bem mais estranho que esse, atire a primeira pedra) e acabou de repente se percebendo na necessidade de compor um painel da vida nas grandes cidades através da aparentemente simples montagem desses vídeos, todos curiosos e rápidos. Mas na metade da projeção, uma mágica: a polícia também é filmada em delito, e também a polícia furta da câmera de segurança que os flagrou. Essa ato configura uma relação de poder bem singular, quem nos protege também rouba, nos rouba… assim como Firmeza, que rouba essas imagens aparentemente banais e com um trabalho praticamente uníssono com a montagem constrói um retrato irônico, do roubo de imagens se retro-alimentando mutuamente. E não é exatamente isso que fazemos hoje, uns aos outros, em redes sociais continuamente? Bem-vindos ao presente.

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