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O fim da privacidade é apenas o começo…

Por Francisco Carbone

O diretor Ernesto de Carvalho teve um grande ano. Co-dirige com Vincent Carelli e Tita o poderoso ‘Martírio’, longa também presente na Semana dos Realizadores. Mas é esse seu aparentemente despretensioso curta que explode com mais força na tela do festival, num trabalho de montagem espetacular e crucial para o sucesso da empreitada. Num começo leve e sem compromisso, Carvalho rapidamente nos joga numa seara de discussões tão múltiplas que temos a impressão de ter assistido a muito mais que seus meros 6 minutos de duração. Desapropriação imobiliária, perda da identidade diante do mundo moderno, invasão de privacidade digital, rastros de violência e pobreza, Carvalho nos arremessa na direção de um enorme carrossel de reflexões do contemporâneo através de um modesto rastreamento do Google Earth, e deixa claro desde cedo como estamos indubitavelmente reféns de uma máquina que suga e nos devolve em depressão e abandono. Em suas próprias palavras, estamos sendo vigiados de maneira legal e contribuímos para a ciranda de maneira assustadoramente pacífica e colaborativa. Integra também a sessão Curtas da vigésima edição da Mostra de Cinema de Tiradentes 2017.

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