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Mergulho no inconsciente fílmico

Por Francisco Carbone

Deborah Viegas é a última vencedora da Semanas dos Realizadores, com ‘São Paulo com Daniel’. A pressão sobre ela na edição seguinte da mostra era absurda, e ela responde de maneira aparentemente calma, ao mesmo tempo que ciente do peso: a ela interessa o tempo e a ordem que une natureza, coisas, homem e suas ações continuadas e o grande arranjo entre esse todo. Na tela, um plano sequência fixo de 15 minutos mostra um grupo de acontecimentos que tem ponto de partida num homem que, de maneira bem distante da câmera, se arremessa do alto de uma ponte e submerge num rio. O que vemos a seguir é o périplo que envolve os passos seguintes a essa ação, sempre distanciado e de maneira impassível. Mas não é assim que o cinema nos move? Conseguimos alterar o destino da arte? E qual a diferença entre a arte ficcional e a documental? Qual o peso delas no universo do cinema? Com um desenho de som que ressalta de maneira exagerada e proposital como afirmou sua realizadora os atos cometidos gradativamente na tela, Deborah borra as perguntas acima na intenção de repassar a discussão mais uma vez pro público, num jogo requintado porém repleto de lacunas.

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