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O Cinema Que Muda Tudo e Todos, Até o Próprio Cinema

Por Francisco Carbone

Durante a Mostra de São Paulo 2016

Qualquer pessoa apaixonada por cinema deveria dar uma chance a ‘Bench Cinema’, do iraniano Mohammad Rahmanian. O mergulho proposto pelo cineasta não é novo e já vimos através dos tempos, de ‘Cinema Paradiso’ ao brazuca ‘O Último Cine Drive-in’, mas poucas vezes o cinema foi tão carinhosamente ingênuo e emocionalmente relevante, na literal homenagem a sétima arte. Rahmanian parte de uma premissa muito tocante e viva, que é muito caro a qualquer cinéfilo: e se fôssemos todos impedidos de ver filmes, de consumir cinema? E se o governo proibisse a comercialização do cinema de todas as formas, prendesse quem o fizesse e destruísse a magia?

A saída para o nosso protagonista vem justamente na cadeia. Ao ser preso pelas medonhas práticas de amar e difundir o cinema, Nasi descortina seu futuro justamente na cadeia… onde eles (pasmem!) podem assistir filmes. Num dia onde o videocassete pifa – sim, estamos em 1992 – ele acaba se vendo obrigado a reproduzir o final de ‘Um Estranho no Ninho’ para os detentos, e ao fazer amizade com um outro “malfeitor” como ele, Nasi acaba recebendo um belo presente ao sair da cadeia: um arsenal de fitas VHS, uma tv e um aparelho de videocassete escondidos numa gruta. Sim, como um
tesouro. Depois de um intensivão memorizando filmes e diálogos, Nasi sai pelo interior do país oferecendo seu ofício de contador de filmes. Logo ele terá ao seu lado uma trupe de desgarrados amantes do cinema, que farão de tudo para manter cada vez mais viva a chama da sétima arte. Mesmo que de forma rudimentar e muitas vezes hilária.

O tanto que diverte e homenageia, ‘Bench Cinema’ também emociona e instiga. Uma produção muito pequena, que acaba se tornando preciosa por mostrar a todos nós o poder da imaginação, do amor pelo cinema e da amizade. Mais um retrato do quanto a tela escura nos complementa e transforma, mesmo que aqui ela seja substituída por um agridoce teatro e por um coração imenso.

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