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Deslumbrante Construção de uma Sociedade Repleta de Polêmicas

Por Francisco Carbone

Durante a Mostra de Cinema de São Paulo 2016


Em uma paisagem desoladora, um grupo de pessoas decidem se continuam ou não sua travessia. Vão de cidade em cidade oferecendo sua arte, tipicamente circense e mambembes. No peculiar grupo, um anão, um ‘gigante’, uma pianista, uma adolescente, uma mulher careca tratada como aberração e três homens velhos, um deles obviamente o líder da trupe. Caminham em busca de público, de novas paragens, mas principalmente de esperança, e também de um motivo para seguir.

Ao chegarem a uma cidade aparentemente fantasma, resolvem forçar pouso ali independente das adversidades. Logo, formarão um núcleo social repleto de situações bizarras.”Deserto” é o longa de estreia na direção de longas do ator Guilherme Weber. Como bom e típico caso de ator que foi para trás das câmeras, Weber cria um belo espaço para seu grupo de atores brilhar (em especial Magalli Biff e Lima Duarte, mas todos entregam o seu melhor), além de servir seu filme de atributos técnicos que chamam atenção, como fotografia e direção de arte.

Mas não é somente disso que é feito o cinema, e adaptando o conto ‘Santa Maria do Circo’ do mexicano David Toscana, Weber embarca numa espiral de polêmicas deliberadas que não consegue bancar, o que deixa em bastante dúvida da validade das mesmas. Da aparência repleta de preconceitos morais e éticos, Weber emerge com esse produto bonito esteticamente e assustador moralmente. Ainda que tenha um viés político forte e uma visão de recriação de sociedade instigante e promissora, o filme de Weber também cai em armadilhas no final em relação ao seu roteiro, que caminha para a reiteração cada vez mais. No que suas imagens também corroboram para essa mesma estranha repetição de ideias e informações, que desgasta o filme.

Ainda que seja uma estreia portentosa e ambiciosa em seus silêncios diferenciada proposta, cabe a Weber voltar para um próximo longa menos afeito a polêmicas e de pegada mais simples; será possível? O filme rendeu a Guilherme o prêmio de melhor direção no Los Angeles Brazilian Film Festival 2016. “A grande motivação para o trabalho foi uma sentença, que não me lembro onde li e nunca descobri o autor: A história de um grupo é sempre a história do mundo”, finaliza o diretor Guilherme Weber.

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