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Por Marise Carpenter

A importância do filme está em documentar ficcionalmente o clima pelo qual a Tunísia passava em 2010, após um jovem tunisiano atear fogo ao próprio corpo como forma de protesto contra as condições de vida no país em que morava. Esse ato gerou o que mais tarde viria se chamar Revolução de Jasmim, derrubando o regime de Zine El Abidine Ben Ali, no poder desde novembro de 1987. Diante dos protestos generalizados da população e da perda de confiança por parte dos militares, Ben Ali foi obrigado a renunciar no dia 14 de janeiro de 2011 e fugir para a Arábia Saudita. No dia 20 de junho de 2011, ele e sua mulher, Leïla Ben Ali, foram condenados a 35 anos de prisão por desvio de verbas públicas. Em 13 de junho de 2012, ainda asilado na Arábia Saudita, Ben Ali foi condenado à prisão perpétua à revelia por um tribunal militar de seu país, por crimes ocorridos durante a repressão aos manifestantes da Primavera Árabe na Tunísía. Mas, nada disso a gente vê por aqui. A história do filme é baseada em fatos da vida vivida pela própria diretora. Em 2010 um entre cada cinco de seus compatriotas trabalhou para a polícia secreta e ela descobriu que um de seus amigos mais próximos era um informante. O filme mostra as dificuldades que uma banda de rock tem para se apresentar em público por serem suas músicas engajadas politicamente. A música que dá título ao filme é belíssima e fala das dores e sofrimentos do que vê no país quando abre os olhos. Os componentes da banda são todos jovens e a cantora, recém formada em medicina, ao mesmo tempo que descobre o amor e só deseja viver a vida e ser feliz, se depara com todas as dificuldades para viver essa vida que deseja. O filme também dá pinceladas sobre a moral e os bons costumes de um país religioso, patriarcal e repressor. Os encontros amorosos são furtivos e cheios de medo e culpa, culpa essa que não deixa a mulher crescer a não ser a duras penas e, quando cresce, tem a mentalidade do sacrifício. A saída é mentir. Primeiro longa-metragem da diretora tunisiana Leyla Bouzid e concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Tunísia.

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