the-bacchus-lady

Por Marise Carpenter

Youn So-young é uma senhora coreana que frequenta o parque Jongmyo vendendo o refrigerante energético Baco, mas isso serve apenas de fachada e, por que não dizer, de complemento para ela oferecer o verdadeiro produto aos senhores que frequentam o parque: seus serviços sexuais. Muitos de seus fiéis clientes tornaram-se respeitosos amigos, por isso ela é conhecida como a dama de baco. A história que ela conta é que começou a frequentar o parque para ajudar seu filho a ir para os Estados Unidos fazer faculdade e assim que ele terminar o mestrado ela irá parar. Mas, como ela mesma diz “O que é a verdade? A verdade não existe.” E é o que vemos no decorrer do filme. Suas tomadas de decisão na vida são baseadas em sua sobrevivência e não em seu verdadeiro desejo dando a ela uma imunidade para salvar as pessoas tanto na vida quanto na morte. Suas ações são boas e ilícitas. O prazer em Youn é mórbido, a alegria é triste. Ela vive a vida como um fardo que carrega com culpa. Mas, nem por isso ela deixa de ser uma dama quando sai para pegar seus clientes. É interessante a maneira que ela chega neles, abordando-os com naturalidade, delicadeza e suavidade. Seus clientes são velhos, solitários, tristes, desiludidos, em busca mais de companhia do que de prazer. O filme é triste, o semblante de Youn é de uma tristeza absoluta, quando anda se arrasta e só vive para o outro, seja esse outro uma criança, um jovem, um velho ou até mesmo um gato miando de fome. Essa tristeza vai nos pegando e só percebemos na cena do carrossel quando deveria ser de alegria e, no entanto, emociona dando um nó na garganta e comprovando claramente que (alegria é um parênteses para aguentar a vida e portanto ela não existe). Com cortes secos, câmera parada, poucos diálogos e tempo suficiente para que sintamos cada cena, o filme nos pega. Saí do cinema me arrastando, atravessei rua com sinal aberto e fiquei pensando que o filme em si não é lá muito bom, mas a história é lá muito boa. Mas, como separar a história do filme? Logo, o filme é bom.

  • Concordo plenamente! Foi uma grata surpresa. Um filme que apesar de estar longe da perfeição de várias maneiras, nos toca profundamente. Um daqueles que a gente não se esquece.

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