Por Marise Carpenter
3a Mostra Joias do Cinema Francês
“Suzanne”, da diretora francesa Katell Quillevéré (de “Un Poison Violent”), é um filme linear. E não por acaso. Durante noventa e um minutos, este longa-metragem nos faz ver o que é a vida, para onde levam os caminhos escolhidos. Chega a ser mágico e um tanto incômodo quando percebemos essa pegada, como se não soubéssemos disso. Ao percebermos, imediatamente nos reportamos a nossa própria vida e nos surpreendemos que é exatamente assim! Isso que é fascinante no cinema.
Suzanne. E não por acaso. O fato do título do filme ter o nome de uma pessoa é a comprovação do motivo de sua linearidade, que o faz para se aproximar ao máximo da vida. 
A personagem de Suzanne (a atriz Sara Forestier, de “De Cabeça Erguida”, Emmanuelle Bercot), dirige um filme e dirige a vida dos outros personagens. Dirige inclusive a nossa quando nos pegamos “vendo a vida” do outro e percebemos que tudo depende da escolha que fazemos. E aí: ai que responsabilidade! Sim, vemos o tamanho que a vida tem, os rumos inimagináveis que ela pode tomar dependendo de nossas escolhas que dependem de nossos desejos. A vida é movida pelo desejo. Ou melhor, nós movemos a vida pelo desejo que temos. Mas, justamente porque não dá pra viver só de desejo é que a vida não é fácil.
Suzanne é desejo. Se atira, se joga na vida. Se dá mal a cada desejo. Sua vida não é fácil e isso faz com que a vida das pessoas ao seu redor também não seja. Até quando se apaixona perdidamente por Julien é como se apaixonasse pelo desejo. Perde o rumo que já não tinha e perde todos que tinha. O desejo não tem rumo.
Sua vida muda tanto quanto as cenas do filme e de repente Suzanne está vivendo outra situação, mostrando dessa forma o seu não pensar. Até o ponto em que perde a identidade. Aí Suzanne se encontra.

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