Por Marise Carpenter
3ª Mostra Joias do Cinema Francês

 

“Fièvres”, do diretor francês Hicham Ayouch, cuja tradução literal é “Febre”, é um filme visceral do começo ao fim. No meio dá até para se ter esperança de uma melhora por conta de nossa torcida para que tudo dê certo, mas isso não acontece e a febre aumenta. E aumenta de uma maneira inesperada, estonteante, e nos deixa perplexos na escuridão do cinema.
É um filme excelente, de direção segura, com atores incríveis. Pois é daqueles longas-metragens que dizemos que nem parece filme. Como se extrapolasse o próprio cinema. Tudo é muito natural e despretensioso, como se as cenas acontecessem e pronto: já está. 
O protagonista é um menino de 13 anos, Benjamin, que não quer mais viver no orfanato e sim com seu pai de mais de 40 anos, Karim, que por outro lado, vive com seus pais em um subúrbio de Paris, que sequer sabem da existência de seu filho. Sua chegada faz vir a tona a desestrutura silenciosa em que a família vive, explodindo neles todos os sentimentos reprimidos por anos. 
A família de origem muçulmana, sonha em voltar a sua terra e esse sonho é representado por uma maquete da grande casa que será construída quando lá chegarem. Porém, suas vidas são vividas num subúrbio de Paris, num apartamento pequeno, com dinheiro contado, com emprego puxado.
Benjamin, que já tem uma mãe presidiária, um pai e avós que não conheciam, é mal recebido, é mal amado, fica mais revoltado e rebelde. É travado entre todos uma luta febril de ódio, amor e superação. E é lindo quando conseguem! Daí a nossa torcida para que tudo dê certo, para que o bem prevaleça.
Podemos dizer, no entanto, sim, o bem prevalece, pela visão de Benjamin, pois a atitude que ele toma é para livrar do sofrimento seu tio, o único ser dessa família que ele verdadeiramente se identificou.

 

O filme ganhou o prêmio de Melhor Ator para Didier Michon e Slimane Dazi, além de outras três indicações, no festival internacional de Cinema de Marrakech, no Marrocos.

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