Para aqueles ávidos por metáforas

Por Fabricio Duque


Há um elemento muito radical no universo nerd-geek das histórias de quadrinhos e seus super-heróis que é potencializar a máxima do oito ou oitenta, mitigando o meio-termo das opiniões, reverberando perfeições ou ódios (sempre excludentes). E se um filme abordar sobre um icônico personagem, então a “crise” é ainda maior. Agora, caro leitor-cinéfilo-espectador, imagine se houver três clássicos protagonistas, sendo dois deles “colocados” um contra o outro… Pois é, o diretor Zack Snyder (de “O Homem de Aço”, “300”, “Watchmen – O Filme”; e como ator em “Madrugada dos Mortos”), assumiu a responsabilidade, “deu a cara à tapa” e está colhendo inúmeras críticas negativas (talvez pelo motivo explicado nas primeiras linhas desta crítica) por contar a “Origem da” Liga da “Justiça” (“Batman versus Superman”, tendo também a primeira “aparição” da “Mulher Maravilha”).

Sim, não podemos negar que a narrativa exacerba o elemento entretenimento do “tiro, porrada e bomba”, contudo há um elevado positivismo quanto à ideia-argumento da filosofia-metafórica social, questionando a contemporaneidade do nosso mundo terráqueo, em que seres humanos deturpam verdades e politicamente corretos por um consumista sensacionalismo de “retorno à arena de Roma”. O julgamento de instinto primitivo, transmutado de liberdade, fragiliza relações humanas e reverbera por massificação uma sensação de desamparo desesperançoso, transformando até mesmo o mais otimista dos seres, Superman (o ator Henry Cavill) – um alienígena-estrangeiro-imigrante que “veste o sonho” da América, e pela invencibilidade, protege pessoas da maldade-crueldade-violência – em acreditar que “neste mundo ninguém fica bom”.

O longa-metragem, de mais de duas horas e meia de duração, alimenta a depressão resignada do desânimo latente, pululante e introspectivo. Do outro lado, há o Batman (o ator Ben Affleck – que “coleciona” elogios a sua representação interpretativa do Homem Morcego) que “sangra”, que sofreu com os pais brutalmente assassinados (sem esquecer que seu “arqui-inimigo” foi obrigado a deixar seu lar natal e a se adaptar aos comportamentos e regras de um outro mundo), e que “gasta” sua existência sendo “um bandido” (por fazer justiça com as próprias mãos). De um lado, um jornalista-utópico-sonhador. Do outro, um confuso empresário-capitalista (que herdou uma herança “carreira” dos pais). Um faz o bem sem olhar a quem (um ser “iluminado”). O outro, um homem motivado por vingança e raiva.

“Batman versus Superman” é a personificação física deste confronto, estimulando uma percepção doentia presente nos dias de hoje: a de que falhas, erros e fracassos “ganham” mais destaque que o caráter moralista e de princípios e a de que a sociedade só espera o pior das pessoas. É um mundo que destrói esperanças e mata, literalmente, seus heróis (ora por “pseudo” derrapadas subjetivas, ora por “golpes” externos, ora pela aceitação totalitária da mídia – que não “confirma” as fontes e “corre” com rasos furos-boatos, ora por “inveja” da própria liberdade; ora por um protetor desconhecimento).

O filme questiona a própria estrutura americana: a necessidade da competição de se ter um único “famoso” vencedor para servir de modelo-líder. Procuram um “deus”, uma figura que seja moldado às constantes mudanças individuais de humor de cada um. Sim, a ideia é magistralmente maior ao resultado. Tanto faz. “Batman versus Superman” atende a filósofos de plantão (ávidos por metáforas), aos aficcionados por ação (inclusive por seu 3D – que desta vez não funciona – na verdade até atrapalha – porque não há nenhuma cena que precise desta tecnologia – talvez mais para aumentar sua receita); e até mesmo aos “gregos, troianos”. A sinopse nos conta que o confronto entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon) em Metrópolis fez com que a população mundial se dividisse sobre a existência de extra-terrestres na Terra.

Enquanto muitos consideram o Superman como um novo deus, há aqueles que consideram extremamente perigoso que haja um ser tão poderoso sem qualquer tipo de controle. Bruce Wayne (Ben Affleck) é um dos que acreditam nesta segunda hipótese. Sob o manto de um Batman violento e obcecado, ele investiga o laboratório de Lex Luthor (Jesse Eisenberg), que descobriu uma pedra verde que consegue eliminar e enfraquecer os filhos de Krypton. Uma última dica: não assista ao trailer (contam coisas e surpresas demais)! Concluindo, recomendado. Um típico filme de gênero.

Perguntado por um jornalista sobre a reação de suas filhas, quando elas souberam que o o pai iria interpretar o Batman, Ben Affleck respondeu: “Elas não estão nem aí! Tudo o que ela querem é assistir a Frozen – Uma Aventura Congelante”. O ator Henry Cavill duplicou sua massa muscular para as filmagens.

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