Por Fabricio Duque

“O Lobo do Deserto – Theeb”, indicado ao Oscar 2016 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, apresenta-se como uma fábula-realista da jornada de conhecimento de mundo de um garoto, um “coelho indefeso”, de nome “lobo”, que aprende que precisa a sobreviver reiterando o ensinamento recebido de que o “forte come o fraco”. O protagonista sai da “caverna”, uma comunidade nômade no deserto, quase “fugido” para se aventurar em seu próprio amadurecimento-crescimento, motivado por sua aguçada e corajosa curiosidade “mal-criada”, que não respeita limites, e assim “cava” consequências que o tirarão de sua zona de conforto “infantilizada”. Aqui, o longa-metragem constrói a epopeia de uma vida que mostrará a ele, em “campo”, os necessidades, as diferenças entre ladrões e revolucionários, o conceito de família, de se “agarrar” nos “presentes” do acaso-“salvador”, oportunidades, violências, verdades, paciência, como a solidariedade, confiança, mentiras protetoras e a conservação dos princípios morais. “Theeb” é uma aula filosófica-adjetivada à moda de “O Pequeno Príncipe”, por radicalmente obrigá-lo a se confrontar com a crueldade da vida (as perdas) e a única opção da morte para manter a honra. O deserto jordaniano é o cenário da salvação versus elevação. O filme é dirigido por Naji Abu Nowar (do curta-metragem “Death of a Boxer”), um britânico-jordaniano, estreante em um longa-metragem também do Qatar / Emirado Árabes, e tem narrativa que mescla a cinematografia iraniana (por sua temática e seu espaço) com edição ágil, palatável e mais comercial, visando assumidamente o mercado internacional, a la “Império do Sol”, de Steven Spielberg sem a guerra em si, mas com constante tiroteiro. “Theeb” prende o espectador com sua simplicidade nos detalhes-reações de seu personagem principal (o ator Jacir Eid Al-Hwietat – irretocável e totalmente entregue em seu papel – visto que “aceita” todas as moscas do lugar – e olha que são muitas) em sua história universal-genérica (de “herói-sobrevivente”; com sua fotografia de poesia-visual geográfica; e com sua abordagem político-estrangeira (os influenciando, principalmente o garoto, com suas novidades, quase um escambo-histórico de “comprar” favores e “alterar” culturas, como o cigarro e a entrada do dinheiro como instrumento de compra-venda-negociação. Concluindo, um filme que agrada gregos, troianos, “otomanos”, “beduínos” e “hollywoodianos”.

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