Por Fabricio Duque

“Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme” é acima de tudo uma nostálgica “máquina do tempo” àqueles que vivenciaram uma infância de pureza-liberdade-realista existencial, sem patrulhamentos de um atual politicamente correto e sem a alienação “sensível” da “proteção”, em um período que a exposição verdadeira do agir e do pensar não incomodava ofensivamente. Baseado nos quadrinhos-tirinhas do norte-americano cartunista-criador da história, Charles M. Schulz, o filme conserva a atmosfera sensorial ao abordar o “confuso” cotidiano de crianças que potencializam suas idiossincrasias e particularidades, as definindo em intrínsecos e naturalistas adjetivos. São seres que passam pelo processo do conhecimento, do crescimento e da maturidade, galgando a transição ao mundo dos adultos, este que se apresenta complexo, ilógico e demasiadamente complicado. Aqui, cada um deles exercita sua maestria-dom em companhia de seus amigos “diferentes” e únicos. Sentimentos como fracasso, determinação, persistência, autoestima, sucesso, perspicácia, individualidade, solidão, timidez, organização sistematizada, pressão de não errar, medo do não dar certo, os acompanham durante todo o tempo específico do filme. “Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme” representa a terapia-filosófica-cognitiva de todos nós, traduzido pela simplicidade de projeção da imaginação, característica que nós perdemos quando nos tornamos maiores e “responsáveis”. Substituímos sonhos por realidade, vide a mensagem de “O Pequeno Príncipe”. A animação, de apenas oitenta e oito minutos, dirigido por Steve Martino (de “A Era do Gelo 4”), traz todos os personagens principais e icônico, e conta que próximo das férias de inverno, a vida de Charlie Brown e sua turma sofre uma mudança com a chegada na cidade de uma garotinha da cabelo vermelho. Brown logo se encanta pela jovem e tenta lutar contra sua timidez e sua baixa autoestima para falar com ela. Ao mesmo tempo, Snoopy encontra uma máquina de escrever e começa a imaginar uma história pra lá de fantasiosa e heroica. Sim. É um filme para voltar a sonhar, para voltar a “libertar” nossa imaginação e para resgatar o tempo em que as coisas tinham “tempo”, e assim ainda que seja por utopia, e sentimento de “museu”, plantar a semente do “sonhar grande” nas novas gerações (que piscam e pensam como cortes de uma edição videoclipe). Altamente recomendado.

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