Por Fabricio Duque

Se não fosse pela direção do brasileiro Afonso Poyart (de “Dois Coelhos”) em terra estrangeira e ou pela ingênua crença-atestada de continuação do filme “Seven – Sete Pecados Capitais” (com dados subliminares) e ou pela presença no elenco do ator Anthony Hopkins (e Colin Farrel sendo Colin Farrel), talvez “Presságios de um Crime” fosse mais um exemplo de gênero-investigação-policial que usa o suspense psicológico como atmosfera-desenvolvimento de sua narrativa. Não que o longa-metragem não seja bom, mas é que quando se corrobora gatilhos comuns característicos (com suas óbvias reviravoltas), a tendência é que se enverede pelo caminho da mesmice palatável-aceitável por fórmulas prontas, comerciais e padronizadas. Mal não faz, mas a sensação que fica é a de que o espectador já sabe exatamente o que vai acontecer. Quase uma irônica metáfora, visto que a trama aborda o universo de médiuns que por flashes premonitórios-cerebrais-instintivos conseguem enxergar passado e futuro dos outros. É como uma experiência-dom “Minority-Report-Matrix” de ser, e que inevitavelmente é necessário detalhes para conectar ações. Nós não devemos “crucificar” nosso conterrâneo, porque já é sabido que com exceção da versão atual de José Padilha em “Robocop”, que saiu quase imune, os produtores hollywoodianos interferem demasiada e exponencialmente no resultado do projeto, entre negociações e imposições incondicionais. Assim sendo, Afonso, que foi convidado graças ao seu filme anterior, repete aqui a maestria de produzir ação-policial, visto que em “2 Coelhos”, explosões e tiroteiro eram comuns nas ruas de São Paulo. A história conta que dois detetives do FBI, Joe Merriwether (Jeffrey Dean Morgan) e Katherine Cowles (Abbie Cornish) perseguem um serial killer conhecido por matar suas vítimas com um objeto perfurante na nuca, sem deixar vestígios na cena do crime. Diante da ausência de provas, Joe pede ajuda ao seu amigo pessoal, o Doutor John Clancy (Anthony Hopkins), um poderoso vidente que vive isolado desde a morte de sua filha. Aos poucos, este novo investigador ajuda os policiais a entender a mente do assassino (Colin Farrell), até fazer uma descoberta importante: o homem responsável pelas mortes também é um vidente, ainda mais esperto que John. Pior do que isso, ele está sempre um passo à frente nas investigações. O final busca humanizar o “errante”, o dotando da sensibilidade de “brincar de Deus” a fim de salvar da dor e do sofrimento suas “escolhas”. Concluindo, um longa-metragem que merece ser assistido pelas primeiras razões desta crítica e por prender a atenção de quem assiste, mesmo com os clichês característicos deste gênero, que peca pela maciça repetição de cômodos elementos, que se bem não faz, mal tampouco, equilibrando-se na preguiça. Diverte mais que acrescenta elucubrações e experimentações.

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