Por Fabricio Duque

Precisamos ser sinceros para que possamos falar sobre o filme “Perdido em Marte”, que só está em competição aos prêmios do Oscar, incluindo de Melhor Filme, por ser única e exclusivamente um projeto-produto do diretor cultuado Ridley Scott, cujo nome do realizador estimula um aumento exponencial de adjetivações incondicionais (a famosa expressão popular “babar ovo”) as suas obras (que são inquestionavelmente clássicas obras-de-arte, como “Alien”, “Blade Runner”, “Thelma and Louise”). Sim, são filmes precisos. Mas há outros comuns e ordinários, que desde “Gladiador” em 2000, não apresenta um longa-metragem à altura dos que o consagraram. “Perdido em Marte” não é dos piores, porém também não é obra-prima, encontrando-se no limiar da arte e da projeção comercial, que ficou explícito quando o Globo de Ouro deste ano o indicou à categoria de Melhor Filme de Comédia. Aqui, não é oito, nem oitenta. A narrativa busca suavizar com piadas-sacadas-irônicas de quebra do politicamente correto e fornecer uma “pseudo” espontaneidade, que no fundo nada mais é que uma repetição do não querer repetitivo. trocando em miúdos, repete o clichê com um óbvio clichê “surpresa-novidade”. Muito do bom andamento do filme deve-se à interpretação naturalista-americana de Matt Damon, o astronauta Mark Watney, que é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra. Sua aventura-jornada ganha sobrevida por seus conhecimentos físicos-químicos-fazendeiros. E assim, como todo exemplo-gênero hollywoodiano característico, o espectador precisa tornar-se cúmplice e aceitar as liberdades poéticas, as famosas “mentiras-salvadoras” e a deturpação temporal a fim de “engolir” o contexto e a essência da trama, que nada mais é que uma jornada de sobrevivência em um planeta vermelho, com sarcasmos, leveza, acasos sortudos, tragédias limitadas e um alto bom senso. “Perdido em Marte” é indiscutivelmente um excelente exemplar de entretenimento, em terceira dimensão, que mescla a fantasia da ficção científica com o elemento mais essencial da cultura americana, que é a salvação plena com o final feliz, vide “Gravidade”, que na última cena, a protagonista cai na praia e sai andando. Em “Perdido em Marte”, baseado no romance homônimo escrito por Andy Weir, pelo menos, a história, gravada em Wadi Rum, na Jordânia, que tem um deserto de cor vermelha, é finalizada com o estímulo ao conhecimento-ensinamento aos jovens do futuro, soando palatável, de fácil compreensão, sem complicadas elucubrações sobre astrofísica. Concluindo, diversão, tensão, curiosidade e atenção total do espectador garantidas.

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