Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Berlim
13 de Fevereiro de 2016

 

Se tem uma coisa que o diretor Lee Tamahori, de “Mahana – The Patriarch”, longa-metragem que participa da mostra fora de competição do Festival de Berlim 2016, fez direitinho foi não esquecer de nenhum gatilho comum dos exemplos mais palatáveis do cinema americano, “homenageando” cada clichê e efeito dramático característico. Talvez não estivesse em um favorável período de filmagens, ou mesmo “preguiça” da direção, que se preocupa mais em fazer a produção a todo custo que com a qualidade narrativa em si. O cineasta neozelandês, que já dirigiu “007 – Um Novo Dia Para Morrer”, “O Preço da Traição”, “No Limite”, imprime uma sucessão de fragilidades em uma estrutura novelesca sobre duas famílias Maori (Mahanas e Poatas) na década de sessenta, na costa leste da Nova Zelândia, e trabalham com tosquia de ovelhas. O filme pelo visto obteve dinheiro (vide a cena grua da casa, talvez pela reputação de seu diretor). Já no início apresenta-se com música pessoal-lounge-sentimental com o intuito de criar uma ambientação caseira. O que seria o objetivo torna-se a maldição. A narrativa tem interpretação, ações, paradas de efeito, reações, ideias, decisões e diálogos teatralizados, de encenação artificial, em que seus atores não acreditam em seus papéis. Aqui, um truculento-intolerante-impaciente-bruto patriarca (o grande avó – manda o neto-perspicaz-sensível de quatorze anos à escola e lá o garoto aprende que “a família é uma tirania”) domina tudo e todos pelo dinheiro em uma comunidade à moda do “E o Vento Levou…” e pela explícita referência cinematográfica “3:10 to Yuma” (de 1957, dirigido por Delmer Davies – que passa no cinema ficcional do longa-metragem em questão). Mas um segredo de família, guardado em uma escrivaninha, muda tudo. O tom naturalista é tão acirrado que reverbera projeções dramatizadas e um começo da jornada de crescimento à maturidade do pequeno. Como diz a máxima que nenhum filme é totalmente intragável. Neste, também há exceções, como a cena de sexo pós-casório e a produção homem-máquina do trabalho com as ovelhas que lembra e muito Charlie Chaplin. “Pedir desculpas é fraqueza”, referencia-se John Wayne. Daí, tudo descamba ao descambado. São banidos e expulsos na chuva. Há encantadora de abelhas; um inglês falado quase ininteligível; a leitura da “História do Mundo”. Mais clichês e fragilidades são inseridos desencadeando um estado patético de ser, como a música sentimental que aumenta e tenta rasgar a emoção do espectador. Porém não consegue. Nem na maquiagem e no vestuário. A trama nos conta que duas famílias são inimigas de longa data e rivais de negócio. Simeon Mahana, um menino de catorze anos, é o filho mais novo e está em conflito com seu avô tradicionalista, Tamihana. Quando Simeon desvenda a verdade por trás da rivalidade das famílias, ele arrisca não só seu próprio futuro, como a coesão de toda a sociedade.

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