Por Fabricio Duque
Direto do Festival de Berlim 
14 de Fevereiro de 2016

 

“Inhebbek Hedi”, que integra a competição oficial do Festival de Berlim 2016, e é dirigido por Mohamed Ben Attia (de “Comme Les Autres”, “Selma”) mescla a estrutura narrativa dos filmes dos Irmãos Dardenes (que também são os produtores) com o tema do universo tunisiano (que homens cumprimentam outros com quatro beijos no rosto).
O protagonista, um agente de vendas da Peugeot (que oferece facilidades a empresas), mantém uma vida equilibrada e resignada, seguindo os sonhos que outros planejaram, principalmente sua mãe que sempre o protegeu; seu chefe que o deixa livre; e sua futura mulher – apática e submissa).
O casamento, entre papos artificiais, tradições e da dificuldade da incomunicabilidade, acontecerá em uma semana, mas o acaso interfere e causa de uma vez todo o confronto de uma vida. A união das narrativas citadas acima traduzem um cotidiano naturalista de micro-ações, universo que o personagem principal Hedi, certinho, organizado e sistemático, conserva seus princípios de não mentir, mas aos poucos entende que para sua liberdade ser plena, pequenas mentiras podem ser aceitáveis socialmente (a insatisfação do trabalho).
Hedi (Majd Mastoura) é um homem introvertido, que não espera muito da vida. Ele permite que todos tomem decisões por ele, como sua autoritária mãe, que planeja seu casamento; seu chefe, que o faz trabalhar em datas comemorativas; e seu irmão, que sempre diz como ele deve se comportar. Em uma viagem profissional Hedi conhece Rim (Rym Ben Messaoud), com quem inicia passional relação amorosa. Agora, durante o tempo em que os preparativos do matrimônio acontecem, Hedi é forçado a finalmente tomar uma decisão.
O longa-metragem tem gênero de filme de ator, característica que faz do principal a única importância do filme (com suas nuances interpretativas e sutis gestuais). Hedi inicia sua terapia cognitiva. Decide largar tudo, recomeçar, desacelerar a pressão, procurando a paz e a tranquilidade incondicional e realizando até mesmo trilhas aventureiras. Está sendo livre. Conhece uma funcionária do hotel, e projeta nela toda a urgente necessidade atrasada da própria vida. “Italianos falam demais”, diz-se.
Ele confessa a omissão instantânea a amante. E em uma festa, quase em dança-transe, “senti alguma coisa” da vida depois de muito tempo. Mas como a covardia existe e é a principal defesa ao medo “frio na barriga” vê que precisa “abrir mão” de muita coisa. É a máxima que diz “que quando se descobre a liberdade, quer se viver a liberdade”.
O confronto final liberta de vez, finalmente. “Hedi” zera e começa a escrever sua nova existência “recebendo” de presente uma folha branca. O filme é simpático, porém com todo conflito empregado, configura-se como uma história comum. Está longe de ser ruim. Apenas uma versão “light” de “Bubble”, de Eytan Fox, o filme israelense (que só lembra e não serve de referente). Um filme que merece ser visto, lógico, mas sem grandes expectativas.

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