Por Fabricio Duque

“Creed – Nascido Para Lutar“ (título mais dramático, impossível), dirigido por Ryan Coogler (de “Fruitvale Station – A Última Parada”) poderia ser mais um exemplar cinematográfico de gênero boxe. De um jovem que “luta” para conseguir vencer as limitações e se tornar um campeão. Sim, seria, se não fosse o caso de seu subtítulo-inferência “O Legado de Rocky”, que explicita que o filme é uma revisitação à saga de Rocky Balboa, eternizada de forma icônica por Sylvestre Stallone. Aqui, o espectador “viaja no tempo” no clássico dos anos oitenta, com suas referências aos outros longas-metragens, tendo como pavio o filho de Creed (um dos oponentes do participante da trupe de “Os Mercenários”). Torna-se impossível fugir dos clichês característicos: o melodrama sentimental, os gatilhos comuns de “garota encontra garota”, de crise existencial de reconectar ser quem realmente é (“seu legado é mais que um nome”, “nem todos os ícones podem ajudar se não souber lutar”), a implicância com os oponentes, as constantes perdas de controles à violência física, a trilha sonora de efeito, a narrativa catártica e midiática (de se comportar como um programa televisivo de transmissão do evento competitivo), as reviravoltas que estendem os conflitos (para depois unir como “família”). Sim, tem tudo isso. Mas era assim exatamente naquela época. O que “Creed” faz é trazer à tona essa nostalgia, essa lembrança, com as devidas adaptações ao tempo moderno, substituindo “Eye of the Tiger”, do Survivor por músicas de hip hop, e definitivamente arrepia quando se mantém alguns acordes da métrica durante toda duração do filme, e em determinado momento, a música tema explode em poucos segundos e a emoção de quem assiste é devastada. O choro é estimulado, não por manipulação, mas sim tão somente pela naturalidade. Na trama, Adonis Johnson (o ator Michael B. Jordan) quer galgar seu própria legado no universo boxeador. E para “alimentar” a vontade e raiva que sente, decide investir em seu coração, solicitando ajuda a Rocky Balboa (o próprio personagem fictício Rocky, vivido por Sylvestre – que venceu na categoria de Melhor Ator no Globo de Ouro 2016 – talvez muito mais pela injustiça da saga que por este papel) como seu treinador (cujo efeito “premiará” os dois: um com a glória, o outro com o recomeço da própria vida). O protagonista (personagem principal de “Fruitvale Station – A Última Parada”, “Namoro ou Amizade”) nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, a luta está em seu sangue e ele decide entrar no mundo das competições profissionais de boxe. “Creed” marca a sétima vez que Sylvester Stallone atua no papel do boxeador Rocky Balboa: “Rocky, Um Lutador” (1976), “Rocky 2 – A Revanche” (1979), “Rocky 3 – O Desafio Supremo” (1982), “Rocky 4” (1985), “Rocky 5” (1990) e “Rocky Balboa” (2006). Mas talvez este última seja realmente a despedida da “lenda” e o começo de uma nova saga. O filme em questão aqui funciona como um prólogo, uma conclusão, um divisor de águas. Rocky será o coadjuvante (“um nome no poster”). Continuará em seu restaurante e cuidará da saúde que está debilitada. E Creed, o protagonista, que busca a “Revanche”. O longa-metragem como foi dito é nostálgico, de memória afetiva, de encerrar uma era e o início legendário de outra. Recomendado.

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