Por Fabricio Duque

Talvez a saga de espionagem “007”, criado pelo escritor Ian Fleming em 1953, seja um dos modelos que nunca acabarão no nosso universo cinematográfico, devido a dois elementos característicos, que se apresentam pelo desencadeamento consequencial da trama e pela perpetuação da própria atmosfera nostálgica (visto que são mais de sessenta anos). É indiscutível a representação icônica de “Bond, James Bond”, também conhecido pelo código 007, um agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico MI-6, que se utiliza dos meios nada convencionais a fim de atingir o objetivo maior, que é salvar o mundo. Ao longo dos tempos, muitos atores interpretaram com particularidades o protagonista mais famoso, que “desafia” a credibilidade das ações por “sobreviver” a inúmeras surreais escapatórias. É a tão conhecida liberdade poética de aceitar a “mentira” visual para que a “missão” possa ser completada eficiente e eficazmente. Nos últimos exemplares, quem empresta natural elegância, altivez, conhecimento, “machismo retrógrado” (aquele de abrir a porta do carro a uma imponente dama “Bond Girl” – que na maioria das vezes, é a que o traíra por fazer parte do “lado negro da força”, mas que trouxeram sofisticação, beleza e sensualidade, sua marca registrada) é o “cara de buldogue” Daniel Craig. Outra característica é a possibilidade inventiva da tecnologia, quase impossível à época, porém que se torna possível e atual nos dias de hoje (às vezes até ultrapassada), sem esquecer da música tema que “lacra” com máxima competência. Aqui, desta vez, o responsável foi o diretor Sam Mendes (de “Beleza Americana” e que também realizou o “capítulo” anterior, “007 – Skyfall”), o vilão foi Christoph Waltz (de “Bastardos Inglórios”) e a “Bond Girl”, a atriz francesa Léa Seydoux (de “Azul é a Cor Mais Quente”). Não podia dar errado. E Não deu. Neste longa-metragem em questão, a trama corrobora a aura de maturidade, transformando o protagonista em um “humano super-homem”. Bond machuca-se, sente dor, sofre as consequências do próprio sistema que trabalho e continua explodindo tudo com um necessário “sem querer” na Cidade do Méximo, durante a festa dos Mortos. Metáforas e simbolismos pululam em referências não didáticas, tampouco explicam-se referências. É culto, sem ser arrogante-prepotente. E lógico, respeitando toda a ação, com seus “tiros, porradas e bombas”. Podemos dizer que “007 – Contra Spectre” é um fashion, sofisticado e elegante “Os Mercenários”, sem a testosterona (músculos, bíceps fortalecidos, não depilados, suor demasiado, marcas na pele, tatuagens, camisas abertas, correntes e anéis) dos “fortões de aço”. Aqui, no vigésimo quarto filme da saga, e o mais caro da franquia, Bond é suspenso temporariamente de suas atividades e Q (Ben Whishaw) precisa instalar em seu sangue um localizador, que permite que o governo britânico saiba sempre em que parte do planeta ele está. Mas isto não o impedi de prosseguir em sua investigação pessoal sobre a misteriosa organização chamada Spectre, que destruirá o mundo, uma crítica acirrada e pertinente a nossa alienação por estarmos conectados vinte e quatro horas, possibilitando assim sermos monitorados em todas nossas ações e lugares. E o vilão, que mais “assemelha-se” a um “Deus”, ou um “salvador”, tenta sua subjetiva “paz mundial”, com o marcante tema musical “Writings on The Wall” de Sam Smith. Recomendado.

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