Por Fabricio Duque

Quem conhece o diretor M. Night Shyamalan (dos cultuados já clássicos “Sexto Sentido”, “Corpo Fechado”, “Sinais”, “A Vila”), então sabe de sua predileção pelo gênero sobrenatural, que muitas das vezes é metaforizado pelo elemento da loucura – decorrente de um trauma existencial e no “limite”). Mas após algumas derrapadas (“A Dama na Água”, “O Último Mestre do Ar”, “Fim dos Tempos” – compreensíveis aos cineastas – “atire a primeira pedra”, quem nunca teve uma ideia mal construída e mal executada), seu novo filme “A Visita”, representa o retorno em grande estilo a sua estética cinematográfica (logicamente, com algumas liberdades poéticas a fim de desenvolver a trama). Ao unir o caseiro-metalinguagem (de dois irmãos que filmam tudo e que querem realizar um documentário ao estilo Sundance de ser) à proposta objetivada (de manipular sustos e gatilhos comuns característicos), experimenta formas híbridas e diferenciadas, mesmo que ao espectador pareça estar assistindo um recorte de inúmeros filmes deste gênero-tema (por exemplo, “A Bruxa de Blair”, “Atividade Paranormal” – do mesmo produtor deste, e tantos outros que se utilizam do subjetivismo do olhar (a lente da câmera) de quem assiste (tornando-se um personagem-participativo-midiático). Aqui, decididamente, é “solicitado“ a cumplicidade alheia, por causa de inúmeras “pontas soltas” de explicação retórica (e sem um porquê que realmente concatene as ligações – como as histórias da mãe com os pais; da liberdade dos filhos em encontrar os avós; do personagem-“ticketeiro” que “já foi ator”; a viagem da mãe; a música desconcertada do final). Sim, precisamos de um alto nível de paciência para poder absorver novidades-elipses-cotidianas e de aceitação incondicional para “engolir” suas reviravoltas. “A Visita” não possui trilha sonora (tampouco de indicações típicas nos momentos mais “iminentes”), e sim seu som é desenhado por ruídos e gritos já corriqueiros. Então, qual o motivo do “grande estilo”? A resposta é uma só: sua forma que funde a artificialidade das interpretações como consequência do próprio anti-naturalismo de se estar sendo filmado, desvirtuando e confundindo possessão, psicopatia, distúrbio mental, carência, medo, curiosidade e “mergulhos” obscuros da alma humana que enlouquecem por repetições do meio co-dependente. Em filmes como esse, é extremamente complicado desferir palavras em uma crítica sem correr o risco de “spoilers” e revelações de surpresas. A sinopse nos conta que um garoto (Ed Oxenbould), com transtorno obsessivo-compulsivo, e sua irmã (Olivia DeJonge), após anos de terapia por causa de um drama familiar, são mandados pela mãe (Kathryn Hahn) para visitar seus avós que moram em uma remota fazenda. Não demora muito até que os irmãos descubram que os idosos estão envolvidos com coisas profundamente perturbadoras que colocam a vida dos “netos” em perigo. Concluindo, um filme que pode ser recebido como um “presente” cinematográfico (se analisarmos os últimos trabalhos de seu diretor). Recomendado? Talvez. No mínimo, curioso e um bom exemplar de entretenimento de terror (causa sustos, apesar das obviedades clichês já aguardadas).

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