A Première Brasil do Festival do Rio 2015 chega ao fim e para coroar essa intensa maratona nada melhor que um simbólico ato de premiação. Na décima sétima edição, quase às portas da maturidade oficial, a cerimônia prezou por uma apresentação mais técnica, didática e de frases de efeito  (sem o humor característico deste gênero de eventos)  dos atores Octavio Muller e Zezé Polessa. Seguiu-se com o tradicional vídeo de abertura (um resumo do que aconteceu no Festival), desta vez com estrutura ágil de videoclipe “piscado de olho”; e uma homenagem póstuma dos nossos artistas que se “foram” para o “eterno mundo encantado”. 
O filme da Mostra GERAÇÃO, com noventa e três porcento, foi o australiano “AVIÃOZINHO DE PAPEL (Paper Planes)”, de Robert Connolly. 
Prêmio FIPRESCI de Melhor Filme Latino-Americano para “TE PROMETO ANARQUIA (Te Prometo Anarquía)”, de Julio Hernández Cordón, 
que teve o Júri composto por CHRISTIAN PETERMANN (Jornalista e crítico de cinema e colaborador da revista RollingStone e do programa da TV Gazeta Todo seu); FLÁVIA GUERRA (Jornalista e documentarista, Repórter de cinema, já cobriu festivais como Cannes, Berlim e Veneza, e comentarista de cinema no canal Arte 1); e RICARDO COTA (Curador da Cinemateca do MAM e crítico de cinema, assinando atualmente colunas semanais nos jornais O Dia e Brasil Econômico).
Ilda Santiago “agradece aos quatorze dias de muito trabalho com um equipe magnífica de voluntários; a grande Première” e Walkiria Barbosa diz que “a palavra de ordem deste Festival é liberdade de expressão”, as duas, diretoras do Festival, sobem ao palco e homenageam  “CARLOTA JOAQUINA”, de Carla Camuratti, que é o “filme da retomada”, que conta “histórias lindas e engraçadas”, complementado por Breno Silveira, o fotógrafo iniciante, que disse que abriu mão dos dez porcento da renda da bilheteria, hoje algo em torno dos quinhentos mil. 
Mostra Competitiva
MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO. Carla Camuratti (“Que Noite emocionante”) apresenta o vencedor “BOI NEON”, de Gabriel Mascaro, tendo no palco uma parte da equipe e um Juliano Cazarré elegante, seguro e contido.
MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO. Marcos Prado diz que é uma “honra” entregar o prêmio a “OLMO E A GAIVOTA”, de Petra Costa e Lea Glob. A nossa documentarista brasileira sobe ao palco “com uma peruca ridícula” (nas palavras da própria) para homenagear a atriz e seu “símbolo incorporado da atriz do filme”, complementa que Marcos foi seu “primeiro empregador” e finaliza com um discurso exaltado sobre os direitos igualitários da mulher e da autonomia total sobre seus corpos. 
MELHOR CURTA-METRAGEM DE JÚRI (VOTO) POPULAR. O Secretário de Cultura da Prefeitura Marcelo Calero apresenta o prêmio sem antes dizer “que político não pode ver um microfone” e anuncia “ATÉ A CHINA”, de Marão, que sobe ao palco e faz um mega exaltado agradecimento (“Viva a animação brasileira”).
MELHOR DIREÇÃO DE FICÇÃO. O cineasta Roberto Farias anuncia empate na categoria. IVES ROSENFELD por “Aspirantes” (“Quero dedicar a meus filhos, que ficarão felizes com o brinquedinho novo”) e ANITA ROCHA DA SILVEIRA por “Mate-Me Por Favor”. É o primeiro filme de cada um deles. 
MELHOR DIREÇÃO DE DOCUMENTÁRIO. Bárbara Paz anuncia MARIA AUGUSTA RAMOS por “Futuro Junho”. A diretora agradeceu “aos quatro paulistas e a grande montadora”. 
Os apresentadores dizem que “atores são cronistas do nosso tempo”, com uma potência da pluralidade da alma humana”.
MELHOR ATOR. Letícia Sabatella anuncia ARICLENES BARROSO por “Aspirantes”. Ele diz que foram “três meses de entrega em Saquarema” e, com humildade, complementa que ainda está aprendendo a fazer cinema. “É uma coisa bem difícil”.
MELHOR ATRIZ. Nanda Costa anuncia VALENTINA HERSZAGE por “Mate-Me Por Favor”, que disse que “cinema é um conjunto, e o que aprendi é que você nunca está sozinho”.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE. Vinicius de Oliveira anuncia o empate. JULIA BERNAT por “Aspirantes”  (“Uma noção de coletivo”) e ALYNE SANTANA por “Boi Neon”. A atriz mirim, visivelmente emocionada foi “salva” pelas palavras de Vinicius que interviu com “Há muito tempo não vejo uma criança sendo realmente criança no cinema. 
MELHOR ATOR COADJUVANTE. Hsu Chien anuncia CAIO HOROWICZ por “Califórnia”.
MELHOR ROTEIRO. “Da Jornada ao filme”. Melanie de Mantas anuncia GABRIEL MASCARO por “Boi Neon”. 
MELHOR MONTAGEM. Fernando Alves Pinto diz “não sou político, então não vou falar muito”, uma alfinetada em Marcelo Calero. Continua dizendo que montagem é a música da imagem. “É quem faz o filme, né gente”. E anuncia SÉRGIO MEKLER por “Campo Grande”.
MELHOR FOTOGRAFIA. Vivian Ostrowsky faz um homenagem póstuma a CHANTAL AKERMAN, falecida recentemente, e diz que seu último filme “Não É Um Filme Caseiro” não é fácil e que requer muita paciência. E anuncia DIEGO GARCIA por “Boi Neon”. 
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI. Walter Carvalho antes de anunciar o vencedor faz uma homenagem ao filme “CORDILHEIRAS NO MAR: A FÚRIA DO FOGO BÁRBARO”, de Geneton Moraes Neto, que busca um “distanciamento sobre a obra de Glauber Rocha”. E anuncia o filme “QUASE MEMÓRIA”, de Ruy Guerra, dizendo que o cinema do homenageado é “plural, com paixão essencial e antes de tudo necessário”. Ru disse que não larga a profissão de cineasta tão cedo. 
MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO DE JÚRI (VOTO) POPULAR. Paulo Betti disse “quero ser um cavalo em um terreiro de umbanda para saber do Betinho o que acha sobre o momento atual do Brasil” e anuncia “NISE”, de Roberto Berliner, que levou treze anos para realizar o filme sobre “uma mulher que fez o mundo andar para frente”, “mergulhamos em um universo que nunca mais seremos os mesmos”. Complementa-se “A Tv Zero, um hospício; Roberto, a Nise”. 
MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO DE JÚRI (VOTO) POPULAR. Vera Fischer disse que seu filho acabou de se formar na PUC em Cinema e anuncia “BETINHO – A ESPERANÇA EQUILIBRISTA”, de Victor Lopes. “O primeiro filme e o primeiro prêmio”, “Em novembro Betinho completaria oitenta anos”, “Nosso Gandhi, nosso Mandela que mostrou a importância da Democracia”, “O voto popular é a resposta a tudo que este homem representa”, “Um filme para Globo Filmes aprender a fazer DOCBUSTERS” e finaliza cantando e emocionando com o último refrão da música tema “O Bêbado e o Equilibrista”. “O show de todo artista tem que continuar. Viva o Betinho!”.
MELHOR CURTA-METRAGEM OFICIAL. “PELE DE PÁSSARO”, de Clara Peltier. “Prêmio muito importante. A protagonista (Tuane Rocha) é uma mulher guerreira, uma chefe de família (que tem 33 anos e tem uma filha com 20 anos) que luta por um futuro mais digno para sua família”.
MOSTRA NOVOS RUMOS. “Busca a vanguarda e filmes mais livres no cinema brasileiro”. O Júri é formado por quatro mulheres de “personalidades fortes” (presidido por Rosane Svartman e composto por Karen Sztajnberg, Natália Lage e Diana Almeida) que “julgou” por filmes que “pesquisam novas linguagens e experimentam novas narrativas. 
MELHOR FILME LONGA-METRAGEM. “BEIRA-MAR”, de Felipe Matzembacher e Marcio Reolon (namorados que completaram no dia da premiação “sete anos de união afetiva”). Foi escolhido pela “delicadeza sobre o amadurecimento, um dos períodos mais difíceis da vida”.
MELHOR FILME CURTA-METRAGEM. “OUTUBRO ACABOU”, de Karen Akerman e “O Amor continua”. 

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI. “Vigoroso, de pegada poética muito bonito” e uma interpretação que deixou o júri “extasiado”. 

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