Por Fabricio Duque

“O Incêndio – El Incendio”, dirigido por Juan Schnitman (de “Love (Part One)”, “Grande para la ciudad”, sobre a banda uruguaia de brit-pop Astroboy), é um filme sobre uma discussão de relacionamento e sua “ponta do iceberg” na vida de um casal (os atores Pilar Gamboa e Juan Barberini), que retroalimenta a co-dependência de obsessão mútua de “paixão” selvagem, intensa, incontrolável, passional, visceral, descontrolada e no limite da loucura. Chegam a estimular o “gosto” pela violência “vitimada” a fim de “colecionar” culpas e “material” para usar nas brigas constantes, destrutivas e cúmplices. É incrível como a cinematografia argentina sabe de forma fantástica contar uma história, a desenvolvendo com ritmo equilibrado ao permear catarses, terapias cognitivas, choro sinestésico e inclusão do espectador à trama, permitindo que se “adentre” ao universo doentio existencial-sentimental dos protagonistas. Todo sofrimento é exacerbado a última potência da sensibilidade comportamental “esquentada”. Este casal se completa e “descobre” como “apimentar” a relação, de forma agressiva, não convencional e excessivamente “animal”. Inevitável não pensarmos em “Relatos Selvagens” e na última esquete do casamento, em que o que mais que a noiva queria era o “caos” inexplicável de expurgar os desvios psicológicos de seu íntimo. O longa-metragem é uma fábula realista da violência em camadas, como por exemplo, os níveis incluem o estudante problemático que estimula o verbo revidar do professor – que por sua vez é confrontado pela mãe do “delinquente”, o chefe irritado e defensivo do restaurante. Cada um exemplifica o problema social de “partir para cima”. Não se percebe o início que o “pavio” foi aceso. Quando se vê, a explosão já “varre” razões e controles. A solução mais indicada é apagar o fogo. Mas como? Se o instante já “devasta” a compreensão sã de tudo que passa pela frente? A sinopse conta que Lucía e Marcelo estão “sitiados” entre caixas e malas. Eles estão prestes a deixar o apartamento alugado em que moraram nos últimos anos para viver em um novo imóvel recém-comprado. Sem grandes explicações, a mudança é cancelada, adiando os planos do casal para o dia seguinte. Esse inesperado contratempo os força a ponderar sobre suas vidas e o seu relacionamento – e o que parecia ser o início de um futuro compartilhado torna-se um pesadelo. Nessas 24 horas da vida do casal, constrói-se um retrato de uma sociedade neurótica prestes a explodir, seus segredos, suas arrogâncias e suas vulnerabilidades. Concluindo, “O Incêndio” representa mais um excelente filme, que corrobora literalmente a maestria da narrativa do cinema da Argentina. Exibido no Festival de Berlim 2015.

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