Por Fabricio Duque

Antes de traçar linhas analíticas sobre o mais recente longa-metragem, “A Travessia” em 3D, do diretor Robert Zemeckis (de “Forrest Gump”), vale ressaltar que é um filme assumidamente americanizado, com seus recorrentes gatilhos comuns; história contada, interativa e conversando com a câmera, pelo próprio personagem “ficcional” (o ator Joseph Gordon-Levitt); “tempos limites” das reviravoltas e manipulações sentimentais, principalmente pela música “açucarada” de efeito catártico do maestro “do choro”, Alan Silvestri. E que, visto que a obra foi baseada no livro “To Reach the Clouds”, do próprio “personagem” real, o francês Philippe Petit que “sonhou” com o “impossível” (atravessar as “Torres Gêmeas” em New York em 1974), podemos até mesmo incluir a máxima de que “quem conta um conto, aumenta um ponto”. A técnica, utilizada como atração circense de malabarismos, foi adaptada pelo francês, gerando o esporte Slackline, neste caso HighLine – em grandes alturas), que consiste em s equilibrar sobre uma fita elástica esticada entre dois pontos fixos (neste caso, um cabo de ferro que ligava o topo das duas torres gêmeas do então recém-inaugurado World Trade Center). Assim, burlando “centenas” de leis “locais” americanas, o “sonhador” encontra seus “cúmplices” e realiza a façanha que o leva ao sucesso. Em 2008, James Marsh realizou o documentário “O Equilibrista”, sobre também sobre Phillippe, ganhando o Oscar da categoria. No filme em questão aqui, suavizado com palatáveis subterfúgios de liberdade poética romanceada, “A Travessia” usa e abusa da edição ágil, da narração prévia indicativa, da “surpresa” de “deslocar” reviravoltas, de incluir um “homem que se apaixona perdidamente à primeira vista pela mulher mais incrível da face da Terra” (e que o apoia incondicionalmente em suas aventuras “surreais”), o surto psicótico pré “tarefa”, enfim tem tudo. Agrada a gregos e troianos, mas com certeza a melhor parte do filme não é seu desenvolvimento e sim seu final. Neste ponto, o espectador já está tão imbuído da aventura, que “embarca” sem ressalvas, até mesmo sem respirar, na resolução plena do “plano” perfeito, que se traduz por um 3D muito bem construído a fim de gerar a esperada sinestesia de quem assiste. Concluindo, um filme que “espera” a cumplicidade do espectador no antes e durante para poder “brilhar” majestosamente na “ação” que define totalmente o objetivo do longa-metragem. Se é bom? Sim. Entretenimento e diversão garantida.

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